Batalhas contra rebeldes entram no 3º dia em Maaloula, cidade cristã onde alguns habitantes falam aramaico

Enquanto a comunidade internacional se encontra em um intenso debate diplomático sobre a crise da Síria, tropas do regime lançam desde segunda-feira (9) uma ofensiva militar contra redutos rebeldes em montanhas em um vilarejo predominantemente cristão, segundo informaram ativistas.

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Soldado sírio dispara contra rebeldes em Maaloula (7/9)
AP
Soldado sírio dispara contra rebeldes em Maaloula (7/9)

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A batalha por Maaloula provocou temores entre os cristãos sírios de que um poder alternativo ao regime de Bashar al-Assad - formado em grande parte por alauítas - não tolere minorias religiosas.

Esse temor fez com que Assad tivesse por todos esses anos o apoio de comunidades minoritárias, incluindo cristãos, alauítas, drusos e os curdos. A maioria dos rebeldes e seus partidários são muçulmanos sunitas.

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Maaloula, localizada a cerca de 60 km a nordeste de Damasco, foi até há pouco tempo controlada pelo regime Assad, apesar de estar no meio de um território capturado por rebeldes. Antes da guerra civil, a aldeia costumava ser uma grande atração turística. Alguns de seus moradores ainda falam uma versão do aramaixo, a linguagem bíblica que acredita-se ter sido usada por Jesus.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, rede ativista com base na Síria, afirmou que os rebeldes da Jabhat al-Nusra e da Qalamon Liberation, afiliadas a Al-Qaeda, continuam a controlar Maaloula, mas tropas dispararam contra posições supostamente rebeldes nas montanhas em torno da área, em uma aparente tentativa de isolar as forças de oposição no vilarejo.

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Rebeldes, que tomaram o vilarejo no sábado, disseram em um vídeo que deixarão o vilarejo depois de cumprir com seu objetivo que é explodir um posto de controle do Exército no local "usado para ferir os muçulmanos". No vídeo, um comandante mascarado cercado por oito homens armados diz que "Vamos em breve nos retirar da cidade não por medo, mas para deixar as casas para seus proprietários".

Duas enfermeiras também são mostradas pelo vídeo, dizendo que foram bem tratadas pelos rebeldes. "Eles se comportaram bem com a gente e não fizeram nada para nos machucar", afirmou uma delas.

Até segunda-feira, cerca de 50 dos 3,3 mil moradores deixaram suas casas, segundo um residente que saiu do local há alguns dias. O homem, que falou em condição de anonimato, disse que uma trégua permitiu que paramédicos retirassem 10 cristãos feridos do local.

Com AP

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