Em relatório, investigadores apontam para oito massacres praticados por tropas de Assad e um pelos rebeldes

Investigadores de direitos humanos da ONU disseram nesta quarta-feira (11) que as forças do governo sírio massacraram civis, jogaram bombas contra hospitais e cometeram outros crimes de guerra em ataques de larga escala neste ano com o objetivo de recuperar território dominado por rebeldes.

Ao menos oito massacres foram realizados pelo regime do presidente Bashar al-Assad e seus partidários e um pelos rebeldes somente no último um ano e meio, segundo relatório da comissão.

Reprodução de vídeo mostra fumaça saind de prédios por causa de bombardeio em Daraa, Síria (27/8)
AP
Reprodução de vídeo mostra fumaça saind de prédios por causa de bombardeio em Daraa, Síria (27/8)

A investigação da comissão destaca a piora no padrão de violência contra civis, incluindo execuções e bombardeios contra hospitais, enquanto batalhas do governo para retomar territórios perdidos pelos rebeldees, incluindo combatentes islâmicos estrangeiros que também cometeram crimes de guerra.

"Os responsáveis por essas violações e crimes, de todos os lados, agiram em desafio à lei internacional. Eles não temem a responsabilização. O encaminhamento à Justiça é necessário", disse o relatório da comissão da ONU que investiga abusos de direitos humanos na Síria.

O relatório atualiza o trabalho da comissão desde 2011 até o meio de julho de 2013, pouco antes do suposto ataque químico de 21 de agosto lançado contra áreas rebeldes perto de Damasco, que deixou centenas de civis mortos.

Caracterizando a Síria como um campo de batalha, a comissão disse que em cada um dos incidentes desde abril de 2012 "o assassinato em massa intencional e a identidade dos responsáveis foram confirmados de acordo com os padões de evidências da comissão."

Os quatro especialistas independentes da comissão, coordenada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, também afirmaram que estão investigando nove outros supostos assassinatos em massa desde março. Nestes, as mortes foram confirmadas, mas os responsáveis não puderam ser identificados. Em outros casos, segundo a comissão, as circunstâncias das mortes não foram claras o suficiente para determinar se foram de fato crimes de guerra.

"Massacres e outros assassinatos fora da lei foram perpetrados com impunidade", concluiu a comissão. "Um número desconhecido de homens, crianças e mulheres desapareceram. Muitos morreram na prisão. Hospitais e escolas foram bombardeadas."

Uma lista secreta de suspeitos dos crimes está sendo produzida pela comissão e está guardada a sete chaves pela alta comissária de Direitos Humanos da ONU Navi Pillay. "É uma lista longa", disse Carla del Ponte, uma das integrantes do painel da ONU.

Os especialistas independentes afirmam ter recebido denúncias sobre o uso de armas químicas "predominantemente por forças do governo... Com as evidências disponíveis agora, não foi possível chegar a uma descoberta sobre quais agentes químicos foram utilizados, seus sistemas de disseminação e os responsáveis. Investigações continuam", diz o relatório.

Veja imagens do conflito sírio desde o início do ano:

A equipe de cerca de 20 investigadores conduziu 258 entrevistas com refugiados, desertores e outros na região de Genebra, incluindo via Skype, para o 11º relatório em dois anos. Eles nunca tiveram a entrada na Síria permitida, apesar dos recorrentes pedidos.

O relatório pede uma solução política para a guerra civil na Síria e encoraja outros Estados a "interromper a transferência de armas tendo em vista o claro risco de que serão utilizadas para cometer sérias violação à lei internacional".

Com AP e Reuters

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