Síria aceita proposta russa de entrega de armas químicas, diz chanceler

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Aceno de Ealid al-Moallem ocorre depois de França ter anunciado que levara à ONU proposta de resolução

A Síria aceitou uma proposta russa para colocar suas armas químicas sob controle internacional para destruição, afirmou nesta terça-feira (10) o ministro das Relações Exteriores da Síria, em meio a uma intensa atividade diplomática tentando impedir uma ação militar ocidental.

À ONU: França vai propor resolução para Síria entregar armas químicas

EUA: Obama diz que proposta da Rússia sobre Síria é 'potencialmente positiva'

AP
Chanceler sírio, Walid al-Moallem, faz pronunciamento à mídia em Moscou, Rússia (9/9)

A proposta: Rússia pede que Síria entregue armas químicas para evitar ataque

Falando em Moscou, Ealid al-Moallem disse que seu governo rapidamente concordou com o plano de "evitar a agressão americana" - uma alusão à possível intervenção dos EUA em retaliação a um ataque químico em agosto perto de Damasco, que, segundo países ocidentais, foram provocados por tropas do regime de Bashar al-Assad. O presidete sírio nega a acusação.

Rússia, a aliada mais poderosa da Síria, está trabalhando agora com Damasco para preparar um plano de ação detalhado que será apresentado em breve, disse o chanceler russo Sergei Lavrov. A Rússia estará então preparada para finalizar o plano com ajuda do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon e com a Organização de Proibição de Armas Químicas.

Secretário dos EUA: Síria pode evitar ataque se entregar armas químicas

Segunda-feira: Síria elogia proposta russa de entregar armas químicas

O rápido pronunciamento feito por Al-Moallem nesta terça-feira mostrou mais definição do que seus comentários feitos um dia antes, quando disse que Damasco elogiava a iniciativa russa. Ele não forneceu detalhes sobre como a Síria pretende cumprir o combinado.

Horas mais tarde, Al-Moallem acrescentou que a Síria está disposta a informar a autoridades russas a localização de seu arsenal químico, bem como assinar a convenção internacional que proíbe a produção e estoque de armamentos químicos. Essa foi a primeira vez que o país admitiu possui armas químicas.

Autoridades ocidentais expressaram cautela em relação aos recentes esforços da Síria e da Rússia, por acharem que podem se tratar de manobras políticas para adiar uma intervenção estrangeira na guerra civil da Síria, que já deixou mais de 100 mil mortos em dois anos e meio.

Infográfico: O que está em jogo para o Oriente Médio com a guerra síria

A resposta veio depois que a França anunciou nesta terça-feira que iria propor ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução para forçar a Síria a finalmente desmantelar seu arsenal químico, aproveitando a abertura diplomática feita pela Rússia um dia anterior.

Na segunda-feira, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse que Assad poderia solucionar a crise cedendo o controle de seu arsenal químico à comunidade internacional. Lavrov respondeu prometendo pressionar a Síria a colocar suas armas químicas sob controle internacional e então desmantelá-las rapidamente, para evitar ataques americanos. A China também demonstrou apoio a esse plano.

Entrevista: EUA devem 'esperar por tudo' caso ataquem Síria, diz Assad

Análise: Ataque à Síria colocaria EUA e Al-Qaeda do mesmo lado em conflito

O presidente Barack Obama disse na segunda-feira que a proposta russa poderia ser "um avanço potencialmente significativo", mas ele se manteve cético de que a Síria iria seguir adiante.

O chanceler francês, Laurent Fabius, disse que a resolução francesa exigiria que a Síria fosse transparente em relação ao conteúdo de seu programa de armas químicas, as colocasse sob controle internacional para a sua posterior destruição - e uma violação desse compromisso levaria a "consequências muito sérias". A resolução também buscaria levar os responsáveis pelo ataque de 21 de agosto, que deixou centenas de mortos, à Justiça.

Líder por acidente: Conheça a trajetória do presidente sírio, Bashar al-Assad

Fabius disse que a França esperava um compromisso "quase imediato" da Síria. A Rússia teve informações sobre o estoque de armas químicas e expressou esperança que dessa vez uma dura resolução em relação à Síria não seria vetada. A Rússia e a China impediram esforços ocidentais anteriores para pressionar Assad por meio do Conselho de Segurança da ONU.

Em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China Hong Lei disse: "À medida que a proposta russa minimiza a tensão e ajuda a manter a paz e estabilidade da Síria e da região, e ajuda a tratar politicamente a questão, a comunidade global deveria considerá-la positivamente."

Veja imagens do conflito sírio desde o início do ano:

Família síria acena a parentes após entrar em ônibus em direção a aeroporto para ir à Alemanha, onde foram aceitos como asilados temporários, em Beirute, Líbano (10/10). Foto: APTanque velho sírio é cercado por fogo após explosão de morteiros nas Colinas do Golan, território controlado por Israel (16/07). Foto: APCombatentes do Exército Sírio Livre carregam suas armas e se preparam para ofensiva contra forças leais a Assad em Deir al-Zor (12/07). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria corre para buscar proteção perto de aeroporto militar de Nairab, em Aleppo (12/06). Foto: ReutersProtesto em Beirute contra a participação do Hezbollah na guerra síria (09/06). Foto: APFumaça é vista no vilarejo sírio de Quneitra perto da fronteira de Israel´(06/06). Foto: APLibanês foi ferido após segundo foguete de rebeldes sírios atingir sua casa em Hermel (29/05). Foto: APRefugiados sírios são abrigados em prédio da cidade turca de Reyhanli, perto da fronteira com a Síria (12/05). Foto: APHomens carregam ferido após explosão em cidade turca perto da fronteira síria (11/05). Foto: ReutersExplosão em cidade turca perto da fronteira com a Síria deixa dezenas de mortos (11/05). Foto: ReutersResidente caminha sobre destroços de prédios em rua de Deir al-Zor, Síria (09/05). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria descansa em pilha de sacos de areia em campo de refugiados (06/05). Foto: APIsrael atacou instalações militares na área de Damasco, acusa Síria (05/05). Foto: BBCReprodução de vídeo mostra fumaça e fogo no céu sobre Damasco na madrugada deste domingo (05/05). Foto: APPresidente da Síria, Bashar al-Assad (D), visita universidade em Damasco (04/05). Foto: APReprodução de vídeo mostra corpos em Bayda, Síria (03/05). Foto: APBombeiros apagam fogo de carro em chamas em cena de explosão no distrito central de Marjeh, Damasco, Síria (30/04). Foto: APReprodução de vídeo mostra bombardeio em Daraya, Síria (25/04). Foto: APDruso carrega retrato do presidente sírio em que se lê 'Síria, Deus protege você', nas, Colinas do Golan (17/04). Foto: APFumaça e carros destruídos na praça Sabaa Bahrat, em Damasco, após explosão de carro-bomba (08/04). Foto: APMembro de Exército da Libertação da Síria segura arma em rua de Deir al-Zor (02/04). Foto: ReutersReprodução de vídeo mostra militantes do Exército Livre da Síria durante combates em Damasco (25/03). Foto: APManifestantes protestam contra Bashar al-Assad em Aleppo, na Síria (23/03). Foto: ReutersMesa de xeque Mohammad Said Ramadan al-Buti, aliado de Assad, é vista após ataque em Damasco (21/03). Foto: APSírio vítima de suposto ataque químico recebe tratamento em Khan al-Assal, de acordo com agência estatal (19/03). Foto: APSírias são vistos perto de corpos retirados de rio perto de bairro de Aleppo (10/03). Foto: APReprodução de vídeo mostra soldado do governo sírio morto em academia de polícia em Khan al-Asal, Aleppo (03/03). Foto: APHomem chora em local atingido por míssil no bairro de Ard al-Hamra, em Aleppo, Síria (fevereiro). Foto: ReutersMembro do Exército Livre da Síria aponta arma durante supostos confrontos contra forças de Assad em Aleppo (26/02). Foto: ReutersMembros de grupo islâmico seguram armas durante protesto contra regime em Deir el-Zor (25/02). Foto: ReutersMorador escreve em lápide nome de neta morta em ataque contra vila em Idlib, Síria (24/02). Foto: APChamas e fumaça são vistas em local de ataque no centro de Damasco, Síria (21/02). Foto: APRebeldes do Exército Livre da Síria preparam munições perto do aeroporto militar de Menagh, no interior de Aleppo (25/01). Foto: ReutersRebeldes da Frente al-Nusra, afiliada à Al-Qaeda, seguram sua bandeira no topo de helicóptero da Força Aérea da Síria na base de Taftanaz (11/01). Foto: APCrianças sírias viajam em caminhonete em Aleppo (02/01). Foto: Reuters

O chefe da Liga Árabe, Nabil Elaraby, também expressou apoio à proposta, afirmando a repórteres que sempre foi a favor de uma "resolução política". A liga responsabilizou o governo pelo ataque, mas disse que não apoia uma intervenção unilateral americana sem o consentimento da ONU.

A França e os EUA são as duas nações ocidentais que eram favoráveis à ação militar contra o regime de Assad em razão do ataque de armas químicas, insistindo que acordos internacionais contra o uso de armas químicas precisam ser executados.

Com AP

Leia tudo sobre: armas químicasmundo árabeprimavera árabesíriaassad

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas