Proposta fará alerta sobre consequências sérias se regime sírio não deixar todo arsenal sob controle internacional

O chanceler francês, Laurent Fabius, disse nesta terça-feira (10) que a França vai propor ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução que estabeleça as condições para a Síria colocar seu arsenal químico sob controle internacional e aceitar que seja desmantelado.

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Chanceler francês Laurent Fabius fala durante coletiva de imprensa no Quai d' Orsay, em Paris
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Chanceler francês Laurent Fabius fala durante coletiva de imprensa no Quai d' Orsay, em Paris

A proposta: Rússia pede que Síria entregue armas químicas para evitar ataque

A proposta francesa ocorre um dia depois que a Rússia, aliada mais poderosa da Síria, pediu a Damasco que entregue suas armas químicas ao controle internacional para evitar um possível ataque militar dos EUA.

O governo Obama apoia uma internvenção militar à Síria como medida de punição após o uso de armas químicas a um ataque contra redutos rebeldes em Damasco, que segundo os EUA, deixou mais de 1,4 mil mortos.

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Fabius afirmou, em entrevista coletiva em Paris, que a resolução a ser proposta - sob o Capítulo 7 da Carta da Organização das Nações Unidas, que trata sobre ações militares e não militares para restabelecer a paz - fará uma alerta sobre as consequências "extremamente sérias" para Damasco se não forem cumpridas as condições determinadas.

A resolução da França também buscaria levar os responsáveis pelo ataque químico de 21 de agosto, supostamente praticado pelas tropas do regime sírio Bashar al-Assad, à Justiça.

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Logo após o anúncio da França, a Síria afirmou ter aceitado a proposta russa de entregar suas armas químicas. Falando em Moscou, Ealid al-Moallem disse que seu governo rapidamente concordou com o plano de "evitar a agressão americana" - uma alusão à possível intervenção dos EUA em retaliação a um ataque químico em agosto perto de Damasco, que, segundo países ocidentais, foram provocados por tropas do regime de Assad. O presidete sírio nega a acusação.

Na segunda-feira, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse que Assad poderia solucionar a crise cedendo o controle de seu arsenal químico à comunidade internacional. Lavrov respondeu prometendo pressionar a Síria a colocar suas armas químicas sob controle internacional e então desmantelá-las rapidamente, para evitar ataques americanos. A China também demonstrou apoio a esse plano.

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O presidente Barack Obama disse na segunda-feira que a proposta russa poderia ser "um avanço potencialmente significativo", mas ele se manteve cético de que a Síria iria seguir adiante.

Fabius disse que a França esperava um compromisso "quase imediato" da Síria. A Rússia teve informações sobre o estoque de armas químicas e expressou esperança que dessa vez uma dura resolução em relação à Síria não seria vetada. A Rússia e a China impediram esforços ocidentais anteriores para pressionar Assad por meio do Conselho de Segurança da ONU.

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Em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China Hong Lei disse: "À medida que a proposta russa minimiza a tensão e ajuda a manter a paz e estabilidade da Síria e da região, e ajuda a tratar politicamente a questão, a comunidade global deveria considerá-la positivamente."

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O chefe da Liga Árabe, Nabil Elaraby, também expressou apoio à proposta, afirmando a repórteres que sempre foi a favor de uma "resolução política". A liga responsabilizou o governo pelo ataque, mas disse que não apoia uma intervenção unilateral americana sem o consentimento da ONU.

A França e os EUA são as duas nações ocidentais que eram favoráveis à ação militar contra o regime de Assad em razão do ataque de armas químicas, insistindo que acordos internacionais contra o uso de armas químicas precisam ser executados.

Com AP

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