Falta de dados específicos, movimentação de arsenal e guerra civil dificultam cumprimento de proposta russa

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Um eventual acordo que leve a Síria a entregar seu arsenal químico em meio a uma caótica guerra civil seria difícil de fiscalizar, e a destruição dessas armas levaria anos, segundo especialistas e autoridades dos EUA.

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Pessoas colocam corpos de vítimas de suposto ataque químico em vala em Hamoria, área nos subúrbios a leste de Damasco
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A Rússia, principal aliada de Damasco no cenário internacional, propôs na segunda-feira que o governo sírio colocasse seu arsenal químico sob controle internacional , como forma de evitar uma possível intervenção militar norte-americana.

A proposta foi bem recebida pela Síria e pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a oferta contém uma possível solução para a crise , mas que precisa ser encarada com ceticismo.

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A Síria nunca assinou o tratado global que proíbe o armazenamento de armas químicas, e especialistas acreditam que o país possua um grande arsenal de gases sarin, mostarda e VX. O uso efetivo das armas químicas é proibido por um tratado de 1925, do qual a Síria é signatária.

Seria difícil inventariar o arsenal químico sírio - supostamente espalhado por dezenas de lugares -, e também blindar os inspetores internacionais da violência.

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"Essa é uma boa ideia, mas dura de cumprir", disse uma fonte oficial dos EUA, sob anonimato. "Você está no meio de uma brutal guerra civil onde o regime sírio está massacrando seu próprio povo. Será que alguém acha que eles de repente vão parar de matar para permitir que os inspetores protejam e destruam todas as armas químicas?", disse a fonte oficial.

Amy Smithson, especialista em armas químicas, biológicas e nucleares no Centro James Martin de Estudos da Não-Proliferação, em Washington, disse que a falta de dados objetivos sobre o arsenal químico sírio complicaria a verificação.

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Ela disse que os anos de desencontros entre inspetores da ONU e o extinto regime de Saddam Hussein no vizinho Iraque são um exemplo do que poderia ocorrer na Síria. "Os iraquianos mentiram ostensivamente. Fizeram de tudo para esconder esses programas de armas ultrassecretos", disse Smithson. "A Líbia tampouco teve transparência total quando abriu mão do seu programa de armas de destruição em massa."

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O general Mustafa al Sheikh, disse recentemente à Reuters, depois de desertar do Exército sírio, que a maior parte do arsenal químico foi transportada para áreas habitadas pela seita minoritária alauíta, de Assad, em Latakia ou perto do litoral. Algumas munições químicas permaneciam em bases na região de Damasco, segundo ele.

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Os EUA desde o ano passado monitoram a movimentação das armas químicas na Síria, mas os motivos de Assad para fazer isso não estão claros, e autoridades dos EUA admitem reservadamente que esses deslocamentos complicam a identificação dos arsenais.

"Embora Assad controle os arsenais químicos, eles foram movimentados ao longo do tempo", disse uma segunda fonte oficial norte-americana, também sob anonimato. "A segurança e a realocação dessas armas com uma situação muito fluida no terreno, com as forças da oposição ( lutando ), poderia constituir desafios."

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