Chanceler sírio não especifica cronograma nem detalhes sobre entrega; EUA enxergam proposta com ceticismo

O ministro das Relações Exteriores da Síria elogiou nesta segunda-feira (9) uma sugestão de entregar suas armas químicas ao controle internacional para evitar um possível ataque dos EUA, enquanto o presidente Barack Obama prepara seus argumentos finais diante do Congresso para uma "limitada" intervenção americana.

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Chanceler sírio, Walid al-Moallem, faz pronunciamento à mídia em Moscou, Rússia
AP
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O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou durante coletiva em Londres que se o presidente da Síria Bashar al-Assad quisesse colocar fim à crise, "ele poderia entregar cada uma de suas armas químicas à comunidade internacional" dentro de uma semana. Ele acrescentou que Assad "não está prestes a fazer isso". Seus comentários surpreenderam as autoridades americanas em Washington.

Mas o chanceler sírio Walid al-Moallem rapidamente elogiou a ideia depois que o ministro das Relações Exteriores da Rússia anunciou que Moscou pediria à Síria que colocasse as armas químicas sob controle internacional . A Rússia é a principal aliada da Síria.

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"A Síria acolhe favoravelmente a proposta russa que demonstra preocupação com a vida do povo sírio e a segurança de nosso país, porque acredita na sabedoria da liderança russa que visa evitar agressões americanas contra nosso povo", disse Moallem.

Está é a primeira vez que Damasco reconheceu oficialmente possuir armas químicas. Apesar do comunicado, Moallem não deu detalhes e não respondeu perguntas de jornalistas.

Os EUA responsabilizam o regime Assad pelo ataque com armas químicas de 21 de agosto, que, segundo o governo Obama, deixou mais de 1,4 mil mortos . Os EUA, citando relatórios da inteligência, disseram que o gás letal sarin foi utilizado .

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Demonstrando ceticismo, o Departamento de Estado afirmou que os EUA iriam observar com "olhar firme" a proposta russa. A porta-voz Marie Harf disse que os EUA considerariam com "sério ceticismo", porque essa pode ser uma tática para ganhar tempo. Ela afirmou que a Síria já se recusou a destruir seu arsenal químico no passado.

O secretário-geral das Nações Unidas Ban Ki-moon pediu a Síria que imediatamente concorde em transferir suas armas químicas a um local seguro dentro do país para destruição pela comunidade internacional.

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Os acontecimentos ocorreram poucas horas antes de Obama conceder entrevistas a seis canais de televisão nesta segunda-feira para defender um ataque militar limitado à Síria. Ele também planeja fazer um pronunciamento à nação da Casa Branca na terça-feira.

A primeira votação no Congresso, que voltou do recesso nesta segunda-feira , sobre uma intervenção americana na Síria é esperada para quarta-feira (11). Uma resolução no Senado autorizaria o "limitado e específico uso" de forças armadas americanas contra a Síria por não mais que 90 dias. A medida proíbe uso de forças terrestres.

Com AP

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