Presidente dos EUA disse que leva a sério a proposta russa para controlar armas sírias, mas também revelou que a solução ainda deve ser tratada com ceticismo

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, buscando aumentar o apoio a uma ação militar na Síria, disse nesta segunda-feira (09) que a oferta da Rússia de trabalhar com a Síria para colocar o arsenal químico sírio sob controle internacional é "potencialmente positiva", mas deve ser tratada com ceticismo.

A proposta: Rússia pede que Síria entregue armas químicas para evitar ataque
Secretário dos EUA:
Síria pode evitar ataque se entregar armas químicas
Resposta: Síria elogia proposta russa de entregar armas químicas

Presidente Barack Obama faz gesto durante coletiva concedida em São Petersburgo, na Rússia, após reunião do G20
AP
Presidente Barack Obama faz gesto durante coletiva concedida em São Petersburgo, na Rússia, após reunião do G20

"Acho que inicialmente você tem que considerá-la com ceticismo", disse ele em entrevista ao programa "NBC Nightly News". "Isso representa um desdobramento potencialmente positivo", disse o presidente, acrescentando que o secretário de Estado, John Kerry, vai explorar com a Rússia quão séria é esta oferta.

O presidente norte-americano, Barack Obama, concedeu seis entrevistas televisivas nesta segunda-feira e na terça-feira vai ao Congresso para tentar convencer parlamentares céticos sobre a necessidade de punir o governo de Bashar al-Assad pelo suposto uso de armas químicas contra civis.

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Obama ainda afirmou que discutiu a potencial solução diplomática para a Síria com o presidente russo, Vladimir Putin, quando se encontraram na semana passada para falar da crise durante a cúpula do G20. 

"Eu tive essas conversas. E essa é uma continuação das conversas que tive com o presidente Putin por algum tempo", disse em entrevista ao programa PBS NewsHour nesta segunda-feira.

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A ex-secretária de Estado Hillary Clinton, possível candidata presidencial democrata em 2016, entrou no debate manifestando apoio à ação militar. Ela disse que a entrega das armas químicas seria um "passo importante", mas que isso só poderia ocorrer "no contexto de uma ameaça militar crível por parte dos Estados Unidos".

O chanceler sírio, Walid al-Moualem, disse "saudar" a proposta russa. Grã-Bretanha e França manifestaram apoio preliminar, e o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse que o Conselho de Segurança deveria examinar a questão.

A oferta russa surgiu horas depois de o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, sugerir em Londres, respondendo à pergunta de um jornalista, que Assad poderia evitar uma ação militar se entregasse seu arsenal químico.

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Uma fonte oficial disse que a declaração de Kerry foi meramente retórica, mas que o secretário posteriormente conversou sobre o assunto com seu colega russo, Sergei Lavrov, dizendo-lhe que via a possibilidade com ceticismo, mas que examinaria qualquer proposta séria.

Integrantes do governo Obama disseram, porém, que o esforço russo não deveria ser um pretexto para que o Congresso adiasse a autorização para a ação militar.

"É importante observar que essa proposta vem no contexto da ameaça de ação dos EUA e da pressão que o presidente está exercendo", disse o assessor-adjunto de segurança nacional da Casa Branca, Tony Blinken, a jornalistas.

A proposta russa poderia dificultar a arregimentação de apoio político a uma ação militar por oferecer uma justificativa a parlamentares que dizem preferir dar curso ao processo diplomático.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda-feira mostrou também que, em relação à semana anterior, subiu de 53 para 63 o percentual de norte-americanos contrários ao envolvimento dos EUA na guerra civil síria.

* Com informações da Reuters

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