Líder voltou a ressaltar animosidades na região e negou que estivesse por trás de ataque químico contra civis

O presidente da Síria, Bashar al-Assad , alertou que haverá "repercussões" contra qualquer ação militar dos EUA lançada em resposta a um suposto ataque químico em seu país. "Vocês devem esperar por tudo", disse Assad em entrevista a CBS, gravada em Damasco.

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Presidente sírio, Bashar al-Assad, responde a uma pergunta do jornalista Charlie Rose durante entrevista em Damasco, Síria
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Presidente sírio, Bashar al-Assad, responde a uma pergunta do jornalista Charlie Rose durante entrevista em Damasco, Síria

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"Não necessariamente do governo. Não é somente o governo... nessa região. Você tem diferentes partidos, diferentes facções, diferentes ideologias."

Uma reportagem da CBS veiculada no domingo (8) já havia mencionado que Assad tinha negado estar por trás do ataque com armas químicas contra o povo sírio.

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Questionado se estava fazendo uma ameaça a uma resposta militar direta a qualquer ataque, Assad respondeu vagamente. "Não sou vidente para dizer o que vai acontecer."

O presidente Barack Obama está buscando autorização do Congresso para lançar o que o governo afirma ser um ataque limitado contra a Síria em resposta ao suposto ataque químico de Assad contra territórios da oposição. Assad negou o ataque, e argumentou na entrevista transmitida pela CBS nesta segunda-feira que Washington não apresentou evidências para apoiar suas acusações.

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Em Londres nesta segunda-feira, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, garantiu novamente os argumentos de Washington dizendo que as evidências são fortes o bastante para serem aceitas em qualquer tribunal.

Na entrevista a CBS, Assad disse que suas tropas não estavam na região do ataque químico em 21 de agosto, afirmando que "nossos soldados em outra região foram atacados com armas químicas...Mas na área onde eles afirmam que o governo usou armas químicas, apenas temos um vídeo e apenas temos fotos e suposições. Nós não estávamos lá."

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Kerry afirmou que as negativas de Assad eram "contrariadas pelos fatos".

Questionado se uma guerra química poderia ser uma das respostas a uma intervenção americana na Síria, Assad disse a Charlie Rose: "Isso depende se os rebeldes ou os terroristas nessa região ou qualquer outro grupo as tiver. Isso poderia acontecer".

"Vocês pagarão o preço se não forem sábios para lidar com terroristas."

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Assad disse também que o mais recente incidente relembra os argumentos utilizados pelo governo do presidente George W. Bush (2001-2009) para a intervenção no Iraque há dez anos. Assad disse que as declarações de Kerry remontam à "grande mentira" que o então secretário de Estado Colin Powell disse às Nações Unidas sobre as armas de destruição em massa de Saddam Hussein.

O presidente sírio também afirmou que a maioria dos americanos "não quer uma guerra em nenhum lugar, não somente contra a Síria".

Com AP

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