Congresso dos EUA volta do recesso e deve votar ação contra a Síria esta semana

Por iG São Paulo |

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Obama pretende fazer maratonas de entrevistas para fazer seu apelo final em favor do ataque punitivo a regime Assad

O presidente dos EUA, Barack Obama, preparou seus argumentos finais em favor de ataques militares contra Síria para o Congresso, que retorna do recesso de verão nesta segunda-feira e deve realizar sua primeira votação sobre o tema nesta semana. Obama marcou seis entrevistas a canais de televisão na noite anterior ao seu pronunciamento à nação, programado para terça-feira (9).

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Reuters
Barack Obama durante encontro da cúpula do G20 na Rússia (6/09)

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Na terça-feira, Obama fará um pronunciamento à nação sobre a Síria direto da Casa Branca. Ele defende que ataques limitados contra a Síria são necessários para garantir a segurança americana em longo prazo.

O Congresso deve ter sua primeira votação autorizando ataques contra a Síria na quarta-feira. A resolução aprovada por comissão do Senado autorizaria "uso limitado e específico" de forças armadas americanas contra a Síria por não mais que 90 dias. A medida proíbe o uso de forças americanas terrestres para combate.

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Na segunda-feira, autoridades de alto escalão do governo realizavam mais reuniões a portas fechadas no Congresso. A assassora de segurança da Casa Branca Susan Rice falou em um encontro em Washington para reforçar que os EUA não querem se comprometer no conflito por um longo período, como fizeram no Iraque e no Afeganistão.

Apesar do apoio do público dos líderes dos dois principais partidos ao ataque militar, quase metade dos 433 membros da Câmara dos Representantes e um terço dos 100 senadores permanecem indecisos, segundo uma pesquisa da agência Associated Press.

AP
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Pesquisas mostram também que muitos americanos estão cansados depois de mais uma década de guerras no Afeganistão e no Iraque. Levantamentos de opinião pública mostram intenso ceticismo americano sobre a intervenção militar na Síria, mesmo entre aqueles que acreditam que o governo da Síria usou armas químicas contra seu povo.

Em entrevista concedida a CBS, o presidente sírio, Bashar al-Assad alertou que haverá "repercussões" para os EUA caso haja uma intervenção militar em resposta a um ataque químico no país. Ele falou ao jornalista americano Charlie Rose que os EUA "devem esperar por tudo", não apenas do governo. "Vocês pagarão o presço se não forem sábios para lidar com terroristas."

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Assad também negou que suas tropas tenham usado armas químicas e disse que não há evidências conclusivas sobre os culpados pelo ataque de 21 de agosto que, segundo os EUA, matou mais de 1,4 mil. Os EUA, citando registros de inteligência, disseram que houve uso de gás sarin.

Em Londres, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, não reagiu às negativas de Assad, dizendo que ele iria confiante a qualquer tribunal com as evidências reunidas pelos EUA de que o governo sírio usou armas químicas contra sua própria população. "O que ele (Assad) oferece?", questionou retoricamente Kerry. "Palavras que são contrariadas pelos fatos."

Veja imagens do conflito sírio desde o início do ano:

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Kerry afirmou que se Assad quisesse acabar com a crise "ele poderia entregar cada uma de suas armas químicas para a comunidade internacional" dentro de uma semana. Mas ele afirmou que Assad "não deve fazer isso".

Enquanto isso, os chanceleres russos e sírios disseram na segunda-feira (9) que pressionarão pelo retorno dos inspetores da ONU para a Síria para continuar suas investigações sobre o uso de armas químicas. A equipe recolheu amostras em relação ao ataque de 21 de agosto que estão sendo analisadas. 

Com AP

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