Comunicado pede 'resposta internacional' contra país, mas não especifica apoio a ataque militar; Brasil não assina

Dez países membros do G20, grupos das maiores economias do mundo, se uniram aos EUA na acusação de que o governo da Síria está por trás do ataque químico contra civis realizado no mês passado e pediram uma forte resposta internacional contra o regime do líder sírio, Bashar al-Assad .

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Líderes da cúpula do G20 se preparam para tirar foto oficial do evento em São Petersburgo, Rússia
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"A evidência claramente aponta para o governo sírio como sendo responsável pelo ataque, que é parte de um padrão de uso de armas químicas pelo regime", afirma o comunicado em referência ao ataque que, segundo os EUA, deixou mais de 1,4 mil mortos . Outros países deram estimativas mais baixas em relação ao número de vítimas.

O comunicado, entretanto, não apoia especificamente a intervenção militar proposta pelo presidente dos EUA, Barack Obama, contra o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad.

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"Fazemos um apelo por uma forte resposta internacional a essa grave violação às regras e da consciência do mundo que irá enviar uma mensagem clara de que esse tipo de atrocidade não pode se repetir. Aqueles que perpetraram esses crimes devem ser responsabilizados", afirma.

O comunicado foi assinado por líderes e representantes da Austrália, Canadá, França, Itália, Japão, Coreia do Sul, Arábia Saudita, Espanha, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos. O Brasil, que defende que uma intervenção estrangeira deve passar pela ONU, não assinou o comunicado.

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Os signatários também "reconhecem que o Conselho de Segurança da ONU permanece paralisado, como vem estado há dois anos e meio. O mundo não pode esperar intermináveis processos fracassados que só levam sofrimento à Síria. Apoiamos os eforços dos EUA e de outros países para reforçar a proibição do uso de armas químicas".

Nos últimos dois anos e meio, as tentativas de aplicar sanções econômicas contra a Síria fracassaram no Conselho de Segurança da ONU, porque a Rússia e a China, aliadas a Assad, possuem poder de veto.

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Nesta sexta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, indicou que seu país continuará apoiando a Síria, mesmo se o país for alvo de uma ofensiva militar liderada pelos EUA.

Perguntado ao fim da cúpula do G20 se a Rússia ajudaria a Síria em tais circunstâncias, Putin não fez nenhuma referência sobre defender o país do Oriente Médio ou aumentar o auxílio militar.

"Ajudar a Síria? Nós vamos. Estamos ajudando eles agora. Fornecemos armas, cooperamos na esfera econômica, e tenho esperança de que cooperaremos mais na esfera humanitária... para dar ajuda aos civis que estão hoje em uma situação difícil", disse Putin.

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Na sua coletiva, Obama reconheceu a divisão na comunidade internacional e em seu país em relação a um ataque militar contra o regime sírio. Ele também fez um novo apelo à comunidade internacional, afirmando que as armas químicas são uma ameaça global.

"Não estou usando o argumento das armas químicas como desculpa para ação militar. Passei os últimos anos tentando reduzir o uso do arsenal. Mas sei também que hpa momentos em que temos que decidir se vamos agir pelo que nos preocupamos", disse.

Antes da coletiva concedida ao final da reunião do G20, Obama fez uma reunião surpresa de cerca de 30 minutos com Putin. Apesar de discordarem, segundo os dois líderes, o encontro foi "construtivo".

Com AP e Reuters

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