Solução militar na Síria seria 'inútil', diz papa em carta a Putin

Por iG São Paulo |

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Pontífice lamenta a líderes reunidos na Rússia para o G20 que 'interesses unilaterais' prevaleçam em relação ao país

Em carta enviada ao presidente russo, Vladimir Putin, o anfitrião do encontro do G20, o papa Francisco apelou aos líderes das potências econômicas que abandonem a "inútil busca" por uma solução militar na Síria.

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AP
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Na carta, Francisco lamentou que "interesses unilaterais" prevaleçam na Síria, impedindo um fim diplomático para o conflito e permitindo o contínuo "massacre sem sentido" de inocentes.

"Aos líderes presentes, para cada um deles, eu faço um apelo sincero para que ajudem a encontrar maneiras de superar as posições conflitantes e deixem de lado a busca inútil por uma solução militar", escreveu Putin, enquanto a reunião do G20 ocorre em São Petersburgo, na Rússia.

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Francisco intensificou seu pedido por paz na Síria em meio a possibilidade de ataques militares liderados pelos EUA contra o país após o suposto ataque químico de 21 de agosto perto de Damasco.

Na quinta-feira, o Vaticano convocou os embaixadores na Santa Sé para definir sua posição em relação à Síria, com o arcebispo Dominique Mamberti, o chanceler do Vaticano, destacando que o suposto ataque químico provocou "horror e preocupação" ao redor do mundo.

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"Confrontados com atos similares não podemos permanecer calados, e a Santa Sé espera que as instituições competentes deixem claro o que aconteceu e que os responsáveis enfrentem a Justiça", disse Mamberti aos 71 embaixadores reunidos.

O regime da família Assad, que há 40 anos governa a Síria com mão de ferro, apoia as minorias étnicas e religiosas do país, incluindo os cristãos, os xiitas e os curdos. A família Assad e figuras proeminentes do regime são alauítas, seguidores de uma ramificação do islamismo xiita, enquanto a maior parte dos rebeldes e seus partidários são sunitas.

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Como resultado, a Igreja Católica tem muito cuidado ao se referir a Síria, e na maior parte das vezes, ficou em silêncio desde o início da guerra civil, mesmo quando o regime reprimiu brutalmente os dissidentes.

Conforme a violência aumentou e se alastrou, o Vaticano passou a pedir por diálogo e autoridades da Igreja alertaram que uma guerra mundial poderia eclodir.

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Na quarta-feira, o líder da ordem dos jesuítas, da qual Francisco faz parte, Adolfo Nicolas, disse a uma agência de notícias católica que uma ação militar dos EUA e da França seria um "abuso de poder".

"Não consigo entender quem deu aos EUA e à França o direito de agir contra um país de uma forma que certamente aumentará o sofrimento dos cidadãos daquele país, cidadãos que, aliás, já sofreram além da medida", disse.

Com Reuters e AP

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