Obama desembarcou em São Petersburgo, na Rússia, onde ocorre encontro das maiores economias do mundo

A crise na Síria deve dominar as discussões dos líderes mundiais reunidos às margens do Báltico nesta semana, ofuscando as batalhas econômicas que costumam dar o tom do encontro do grupo das 20 principais economias do mundo.

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O presidente dos EUA, Barack Obama, sai de seu avião ao chegar em São Petersburgo, na Rússia, para a reunião do G20
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O presidente dos EUA, Barack Obama, sai de seu avião ao chegar em São Petersburgo, na Rússia, para a reunião do G20

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Representantes que estão na linha de frente do impasse geopolítico sobre a guerra civil na Síria estarão na mesma sala para encontros nesta quinta e sexta-feira em São Petersburgo, na Rússia: o presidente dos EUA, Barack Obama; o presidente russo, Vladimir Putin; o presidente francês, François Hollande; o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon; o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan e o príncipe saudita Saun al Faisal al Saud, entre outros.

O desemprego e empobrecimento que atinge países no mundo podem receber pouca atenção no encontro, embora grupos ativistas pleiteiem com líderes a união de forças para lutar pelo pagamento de impostos regulares em multinacionais, na esperança de estabilizar e distribuir melhor os ganhos com o crescimento econômico.

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É improvável que o Ocidente ataque os alvos do governo sírio durante a reunião. Os presidentes dos EUA e da França estão se preparando para possíveis ataques militares para retaliar o suposto ataque químico  que teria sido perpetrado pelo Exército de Bashar al-Assad em 21 de agosto, mas ambos aguardam a decisão do Congresso americano , que deve votar a questão na semana que vem. O regime sírio nega envolvimento no uso de agentes químicos e culpa os rebeldes pela ação.

Segundo os EUA, o número de mortos no ataque químico foi de 1.429 , incluindo 426 crianças, embora outros países e grupos tenham afirmado que o ataque nos subúrbios de Damasco tenha deixado centenas de mortos.

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Presidente da Rússia, Vladimir Putin, aguarda premiê italiano para reunião do G20 em São Petersburgo
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Presidente da Rússia, Vladimir Putin, aguarda premiê italiano para reunião do G20 em São Petersburgo

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Enquanto isso, Obama e Hollande devem sofrer pressão e críticas de opositores à intervenção. Ban Ki-moon pressionará por uma ação diplomática em meio à resistência da Rússia e da China de aprovar quaisquer ações militares apoiadas pelo Conselho de Segurança da ONU.

Putin, que está em seu território e está desafiante em relação ao possível ataque contra seu aliado Assad, afirmou à agência Associated Press essa semana que qualquer ação unilateral seria uma agressão. Mas afirmou que "não exclui" apoiar uma ação na ONU - se for provado que o governo sírio usou agentes químicos contra sua própria população.

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Obama está entre os líderes que acabaram de chegar ao G20, junto ao primeiro-ministro britânico David Cameron e o presidente chinês Xi Jinping. Cameron, que perdeu em voto no Parlamento a permissão de intervir militarmente na Síria, afirmou à rede britânica BBC que esse era "a pior crise de refugiados do século".

Ele pediu que agências de ajuda humanitárias recebam mais investimentos e que os líderes coloquem pressão "em ambos os lados do conflito para melhorar o acesso aos voluntários e funcionários desses grupos àqueles que mais necessitam de ajuda".

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Na véspera do encontro, uma comissão do senado americano aprovou o uso de força militar na Síria . A proposta, que irá ao plenário do Senado na semana que vem, permite o uso da força no país por 60 dias com possibilidade de prorrogação por mais 30 dias, mediante aprovação prévia no Congresso. Além do Senado, a resolução necessita de aprovação da Câmara dos Representantes dos EUA.

Novo estudo

Um novo estudo de imagens aparentemente referentes ao ataque químico de 21 de agosto concluiu que os foguetes utilizados transportaram 50 vezes mais gás venenoso do que o estimado anteriormente, segundo o jornal americano New York Times.

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O estudo foi realizado, de acordo com o jornal, por Richar Lloyd, um especialista em design de ogivas, e Theodore Posto, um físico do MIT (Massachusetts Institute of Technology).

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O serviço de inteligência alemã, o BND, informou os parlamentares do país em reunião confidencial na quarta-feira que as forças da Síria devem ter feito um erro de cálculo na mistura de gases no ataque, informou a revista alemã Der Spiegel. Isso explicaria o por que de um número de mortos muito maios do que o suspeitado anteriormente.

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Segundo a ONU, a guerra civil na Síria deixou mais de 100 mil mortos desde março de 2011, quando começaram os protestos contra Assad. Mais de 2 milhões de sírios também já foram registrados como refugiados, e a isso se soma 4,25 milhões que foram obrigados a se deslocar internamente no país.

Com AP e BBC

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