Crise na Síria deve ofuscar assuntos econômicos em reunião do G20

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Obama desembarcou em São Petersburgo, na Rússia, onde ocorre encontro das maiores economias do mundo

A crise na Síria deve dominar as discussões dos líderes mundiais reunidos às margens do Báltico nesta semana, ofuscando as batalhas econômicas que costumam dar o tom do encontro do grupo das 20 principais economias do mundo.

Infográfico 1: O que está em jogo para o Oriente Médio com guerra da Síria?

Infográfico 2: Saiba como EUA planejam ataque militar contra a Síria

AP
O presidente dos EUA, Barack Obama, sai de seu avião ao chegar em São Petersburgo, na Rússia, para a reunião do G20

Galeria de fotos: Veja imagens do suposto ataque químico na Síria

Economia: Reunião no G20 é 'teste' para cooperação dos Brics

Representantes que estão na linha de frente do impasse geopolítico sobre a guerra civil na Síria estarão na mesma sala para encontros nesta quinta e sexta-feira em São Petersburgo, na Rússia: o presidente dos EUA, Barack Obama; o presidente russo, Vladimir Putin; o presidente francês, François Hollande; o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon; o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan e o príncipe saudita Saun al Faisal al Saud, entre outros.

O desemprego e empobrecimento que atinge países no mundo podem receber pouca atenção no encontro, embora grupos ativistas pleiteiem com líderes a união de forças para lutar pelo pagamento de impostos regulares em multinacionais, na esperança de estabilizar e distribuir melhor os ganhos com o crescimento econômico.

Resolução: Comissão do Senado dos EUA autoriza ação militar na Síria

Terça-feira: Presidente da Câmara dos EUA apoia Obama em ataque contra Síria

É improvável que o Ocidente ataque os alvos do governo sírio durante a reunião. Os presidentes dos EUA e da França estão se preparando para possíveis ataques militares para retaliar o suposto ataque químico que teria sido perpetrado pelo Exército de Bashar al-Assad em 21 de agosto, mas ambos aguardam a decisão do Congresso americano, que deve votar a questão na semana que vem. O regime sírio nega envolvimento no uso de agentes químicos e culpa os rebeldes pela ação.

Segundo os EUA, o número de mortos no ataque químico foi de 1.429, incluindo 426 crianças, embora outros países e grupos tenham afirmado que o ataque nos subúrbios de Damasco tenha deixado centenas de mortos.

Obama: Credibilidade dos EUA e do mundo está em jogo sobre a Síria

AP
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, aguarda premiê italiano para reunião do G20 em São Petersburgo

Leia: Saiba os principais itens de relatório dos EUA sobre o ataque químico

Enquanto isso, Obama e Hollande devem sofrer pressão e críticas de opositores à intervenção. Ban Ki-moon pressionará por uma ação diplomática em meio à resistência da Rússia e da China de aprovar quaisquer ações militares apoiadas pelo Conselho de Segurança da ONU.

Putin, que está em seu território e está desafiante em relação ao possível ataque contra seu aliado Assad, afirmou à agência Associated Press essa semana que qualquer ação unilateral seria uma agressão. Mas afirmou que "não exclui" apoiar uma ação na ONU - se for provado que o governo sírio usou agentes químicos contra sua própria população.

Secretário de Estado dos EUA: Provas mostram que Síria usou gás sarin

Rússia: Putin 'não exclui' apoio à ação na Síria se houver provas de ataque

Obama está entre os líderes que acabaram de chegar ao G20, junto ao primeiro-ministro britânico David Cameron e o presidente chinês Xi Jinping. Cameron, que perdeu em voto no Parlamento a permissão de intervir militarmente na Síria, afirmou à rede britânica BBC que esse era "a pior crise de refugiados do século".

Ele pediu que agências de ajuda humanitárias recebam mais investimentos e que os líderes coloquem pressão "em ambos os lados do conflito para melhorar o acesso aos voluntários e funcionários desses grupos àqueles que mais necessitam de ajuda".

NYT: Em vantagem militar e com ONU na Síria, por que Assad lançaria ataque?

Na véspera do encontro, uma comissão do senado americano aprovou o uso de força militar na Síria. A proposta, que irá ao plenário do Senado na semana que vem, permite o uso da força no país por 60 dias com possibilidade de prorrogação por mais 30 dias, mediante aprovação prévia no Congresso. Além do Senado, a resolução necessita de aprovação da Câmara dos Representantes dos EUA.

Novo estudo

Um novo estudo de imagens aparentemente referentes ao ataque químico de 21 de agosto concluiu que os foguetes utilizados transportaram 50 vezes mais gás venenoso do que o estimado anteriormente, segundo o jornal americano New York Times.

Entenda: Saiba o que é o sarin, arma química que teria sido usada na Síria

Saiba mais sobre as armas químicas da Síria: Irã ajudou a produzir arsenal

O estudo foi realizado, de acordo com o jornal, por Richar Lloyd, um especialista em design de ogivas, e Theodore Posto, um físico do MIT (Massachusetts Institute of Technology).

Veja imagens da guerra da Síria desde o início do ano:

Família síria acena a parentes após entrar em ônibus em direção a aeroporto para ir à Alemanha, onde foram aceitos como asilados temporários, em Beirute, Líbano (10/10). Foto: APTanque velho sírio é cercado por fogo após explosão de morteiros nas Colinas do Golan, território controlado por Israel (16/07). Foto: APCombatentes do Exército Sírio Livre carregam suas armas e se preparam para ofensiva contra forças leais a Assad em Deir al-Zor (12/07). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria corre para buscar proteção perto de aeroporto militar de Nairab, em Aleppo (12/06). Foto: ReutersProtesto em Beirute contra a participação do Hezbollah na guerra síria (09/06). Foto: APFumaça é vista no vilarejo sírio de Quneitra perto da fronteira de Israel´(06/06). Foto: APLibanês foi ferido após segundo foguete de rebeldes sírios atingir sua casa em Hermel (29/05). Foto: APRefugiados sírios são abrigados em prédio da cidade turca de Reyhanli, perto da fronteira com a Síria (12/05). Foto: APHomens carregam ferido após explosão em cidade turca perto da fronteira síria (11/05). Foto: ReutersExplosão em cidade turca perto da fronteira com a Síria deixa dezenas de mortos (11/05). Foto: ReutersResidente caminha sobre destroços de prédios em rua de Deir al-Zor, Síria (09/05). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria descansa em pilha de sacos de areia em campo de refugiados (06/05). Foto: APIsrael atacou instalações militares na área de Damasco, acusa Síria (05/05). Foto: BBCReprodução de vídeo mostra fumaça e fogo no céu sobre Damasco na madrugada deste domingo (05/05). Foto: APPresidente da Síria, Bashar al-Assad (D), visita universidade em Damasco (04/05). Foto: APReprodução de vídeo mostra corpos em Bayda, Síria (03/05). Foto: APBombeiros apagam fogo de carro em chamas em cena de explosão no distrito central de Marjeh, Damasco, Síria (30/04). Foto: APReprodução de vídeo mostra bombardeio em Daraya, Síria (25/04). Foto: APDruso carrega retrato do presidente sírio em que se lê 'Síria, Deus protege você', nas, Colinas do Golan (17/04). Foto: APFumaça e carros destruídos na praça Sabaa Bahrat, em Damasco, após explosão de carro-bomba (08/04). Foto: APMembro de Exército da Libertação da Síria segura arma em rua de Deir al-Zor (02/04). Foto: ReutersReprodução de vídeo mostra militantes do Exército Livre da Síria durante combates em Damasco (25/03). Foto: APManifestantes protestam contra Bashar al-Assad em Aleppo, na Síria (23/03). Foto: ReutersMesa de xeque Mohammad Said Ramadan al-Buti, aliado de Assad, é vista após ataque em Damasco (21/03). Foto: APSírio vítima de suposto ataque químico recebe tratamento em Khan al-Assal, de acordo com agência estatal (19/03). Foto: APSírias são vistos perto de corpos retirados de rio perto de bairro de Aleppo (10/03). Foto: APReprodução de vídeo mostra soldado do governo sírio morto em academia de polícia em Khan al-Asal, Aleppo (03/03). Foto: APHomem chora em local atingido por míssil no bairro de Ard al-Hamra, em Aleppo, Síria (fevereiro). Foto: ReutersMembro do Exército Livre da Síria aponta arma durante supostos confrontos contra forças de Assad em Aleppo (26/02). Foto: ReutersMembros de grupo islâmico seguram armas durante protesto contra regime em Deir el-Zor (25/02). Foto: ReutersMorador escreve em lápide nome de neta morta em ataque contra vila em Idlib, Síria (24/02). Foto: APChamas e fumaça são vistas em local de ataque no centro de Damasco, Síria (21/02). Foto: APRebeldes do Exército Livre da Síria preparam munições perto do aeroporto militar de Menagh, no interior de Aleppo (25/01). Foto: ReutersRebeldes da Frente al-Nusra, afiliada à Al-Qaeda, seguram sua bandeira no topo de helicóptero da Força Aérea da Síria na base de Taftanaz (11/01). Foto: APCrianças sírias viajam em caminhonete em Aleppo (02/01). Foto: Reuters

O serviço de inteligência alemã, o BND, informou os parlamentares do país em reunião confidencial na quarta-feira que as forças da Síria devem ter feito um erro de cálculo na mistura de gases no ataque, informou a revista alemã Der Spiegel. Isso explicaria o por que de um número de mortos muito maios do que o suspeitado anteriormente.

Advertência: Assad alerta para risco de guerra regional se Síria for alvo de ataque

Segundo a ONU, a guerra civil na Síria deixou mais de 100 mil mortos desde março de 2011, quando começaram os protestos contra Assad. Mais de 2 milhões de sírios também já foram registrados como refugiados, e a isso se soma 4,25 milhões que foram obrigados a se deslocar internamente no país.

Com AP e BBC

Leia tudo sobre: síriamundo árabeprimavera árabeg20assadobamaeuaputinrússiaarmas químicas

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas