Putin 'não exclui' apoio à ação na Síria se houver provas de ataque químico

Por iG São Paulo |

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Presidente da Rússia desqualifica evidências apresentadas pelos EUA e diz que ação unilateral seria agressão

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, fez um alerta contra a possível ação unilateral dos EUA na Síria, mas também afirmou que seu país "não exclui" apoiar uma resolução da ONU em relação a ataques militares punitivos contra o país se for provado que Damasco usou armas químicas contra sua própria população.

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AP
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, concede entrevista na noite de terça-feira (3/9)

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Em entrevista à Associated Press, Putin disse que Moscou forneceu alguns componentes do sistema aéreo de defesa antimísseis S-300 para a Síria, mas que parou de fazê-lo. Ele sugeriu que a Rússia poderia vender sistemas de mísseis potentes caso nações do Ocidente ataquem a Síria sem apoio do Conselho de Segurança da ONU.

A entrevista de Putin foi concedida na noite de terça-feira (3), dois dias antes do início das reuniões das nações do G20 em São Petersburgo. Era esperado que o encontro internacional se concentrasse nos assuntos pertinentes à economia global, mas agora parece provável que seja dominado pela crise em relação às alegações de que o governo sírio usou armas químicas na guerra civil do país.

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Putin afirmou que era "ridículo" que o governo do presidente sírio Bashar al-Assad - um forte aliado da Rússia - usasse armas químicas no momento em que ganhava vantagem sobre os rebeldes.

"Do nosso ponto de vista, parece absolutamente absurdo que Forças Armadas regulares que estão na ofensiva hoje e em algumas áreas encurralam os chamados rebeldes e estão prestes a vencê-los, que nessas condições eles começariam a usar armas químicas proibidas sabendo que isso poderia servir de pretexto para a aplicação de sanções contra eles, incluindo o uso da força", disse.

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O governo do presidente americano Barack Obama sustenta que 1.429 foram mortos no ataque de 21 de agosto nos subúrbios de Damasco. O número de mortos estimado por outros grupos e nações é bem menor e o governo de Assad responsabiliza os rebeldes pelo episódio. Uma equipe de inspeção da ONU aguarda resultados laboratoriais de amostras de solo coletadas na Síria antes de lançar um relatório completo.

"Se houver dados de que armas químicas foram usadas, e usadas especificamente pelo Exército regular, essa evidência deve ser submetida ao Conselho de Segurança da ONU", acrescentou Putin. "E devem ser convincentes. Não devem ser baseadas em rumores e informações obtidas por serviços especiais através de escutas, conversas e coisas como essas."

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Ele acrescentou que até mesmo nos EUA "há especialistas que acreditam que a evidência apresentada pelo governo não parece convincente. E eles não excluem a possibilidade de que a oposição tenha realizado uma ação premeditada para tentar dar aos seus patrocinadores um pretexto para intervenção militar".

Putin comparou a evidência apresentada por Washington aos dados falsos usados no governo Bush sobre armas de destruição em massa para justificar a invasão ao Iraque em 2003. "Todos esses argumentos acabaram por se tornar insustentáveis, mas foram usados para o lançamento de uma ação militar, o que muitos nos EUA consideravam um erro. Nos esquecemos disso?"

O presidente afirmou que "não exclui" apoiar o uso da força contra a Síria nas Nações Unidas se houver alguma evidência objetiva provando que o regime de Assad usou armas químicas contra seu próprio povo. Mas ele alertou Washington contra o lançamento de uma ação militar sem aprovação da ONU, dizendo que isso representaria uma agressão.

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Putin reforçou sua exigência de que antes de tomar ação, Obama necessitaria de aprovação do Conselho de Segurança da ONU. A Rússia tem poder de vetar resoluções no conselho e protegeu a Síria anteriormente de medidas punitivas.

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Questionado sobre quais tipos de evidências em relação ao uso de armas químicas convenceriam a Rússia, Putin afirmou que "deveria ser uma investigação profunda e específica contendo evidências que provariam sem sombra de dúvidas quem realizou o ataque e com que meios". Ele acrescentou que ainda era cedo demais para falar sobre o que a Rússia faria se os EUA atacassem a Síria. "Temos nossas ideias sobre o que faremos e como faremos caso a situação se desenvolva para o uso da força", disse. "Temos nossos planos."

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Putin disse que lamentava que o presidente dos EUA, Barack Obama, tivesse cancelado a reuião em Moscou, que estava marcada para um dia antes da reunião do G20. Mas ele expressou esperança de que os dois tivessem sérias discussões sobre a Síria e sobre outras questões em São Petersburgo. "O presidente Obama não foi eleito pelo povo americano para agradar a Rússia. E seu humilde servo não foi eleito pelo povo da Rússia para agradar alguém também", disse sobre as relações entre os dois países.

"Nós trabalhamos e discutimos sobre algumas questões. Somos humanos. Às vezes, um de nós fica irritado. Mas eu gostaria de repetir uma vez mais que os interesses mútuos globais formam uma boa base para encontrar uma solução conjunta para nossos problemas", acrescentou.

Com AP

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