Projeto de senadores dos EUA apoia ataque limitado à Síria

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Projeto da Comissão de Relações Exteriores marca limite de 60 dias para operações e proíbe uso de forças terrestres

Líderes da Comissão de Relações Exteriores do Senado americano elaboraram um projeto de resolução apoiando o uso de força militar dos EUA na Síria. A medida, que deve ser votada pela comissão nesta quarta-feira (4), estabelece um limite de 60 dias para qualquer operação, com possibilidade de uma única prorrogação de 30 dias sob condições.

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O projeto também inclui uma disposição que proíbe qualquer utilização de forças terrestres americanas em território sírio. De acordo com uma cópia da proposta obtida por agências de notícias, os senadores desejam restringir a operação para um uso "limitado e adaptado das Forças Armadas dos EUA contra a Síria".

A proposta de resolução foi apresentada depois que o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, se reuniu com a Comissão de Relações Exteriores do Senado. Para Kerry, há evidências, além de qualquer dúvida razoável, de que forças do regime de Assad realizaram um ataque com armas químicas nos subúrbios de Damasco em 21 de agosto. "Não é o momento de sermos espectadores de uma matança", disse.

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O secretário de Defesa Chuck Hagel, que também se reuniu com a comissão, apoiou Kerry. "Uma recusa em agir pode minar a credibilidade de outros compromissos de segurança da América, inclusive o compromisso do presidente de impedir o Irã de adquirir uma arma nuclear."

Na terça-feira (3), o presidente americano Barack Obama disse que planeja uma intervenção militar "limitada" na Síria, mas "com uma estratégia mais ampla" de fortalecer os rebeldes de oposição no país - indicando que os EUA irão além de apenas bombardear supostas instalações de armas químicas sírias.

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"Queremos uma ação limitada e proporcional que enfraqueça as capacidades (militares) do (presidente sírio Bashar) al-Assad", disse Obama, em conversa com líderes do Congresso americano.

"Ao mesmo tempo, temos uma estratégia mais ampla que nos permitirá aumentar as capacidades militares da oposição (...), criando pressão política, diplomática e econômica para uma transição que traga paz não só para a Síria como para a região."

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Obama decidiu intervir na Síria alegando ter provas de que o regime Assad atacou sua própria população com armas químicas. Mas o presidente americano pediu que uma intervenção tenha o aval do Congresso - que deve votar a medida ao voltar do recesso, na semana que vem.

O presidente ressaltou que a intervenção "não será como no Iraque ou no Afeganistão, (porque) não envolve soldados em campo". "Mandaremos uma mensagem não apenas ao regime Assad, mas a outros interessados em testar normas internacionais (sobre o uso de armas químicas), de que isso traz consequências."

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Na França, o presidente François Hollande disse estar esperando a decisão do Congresso americano e que Paris não atacará a Síria por conta própria. Caso o Congresso negue autorização para um ataque, a França "apoiará a oposição democrática (na Síria) de forma a que haja uma resposta (a Assad)", acrescentou.

Israel, outro aliado americano, realizou exercícios militares conjuntos com os EUA no Mar Mediterrâneo. Os exercícios foram confirmados pelo alto escalão do Ministério da Defesa israelense.

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Os exercícios são mais um sinal de que Israel leva a sério a possibilidade de que uma ofensiva militar americana seja retaliada com ataques ao território israelense - perpetrados pela Síria ou por seu aliado no Líbano, o grupo militante xiita Hezbollah.

Veja imagens da guerra da Síria desde o início do ano:

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O debate em torno de uma intervenção externa na Síria ocorre em meio a uma crise humanitária. Segundo a ONU, chegou a 2 milhões o número de sírios que se tornaram refugiados. E os dois anos e meio de guerra civil já deixaram mais de 100 mil mortos no país.

A crise chegou ao auge em 21 de agosto, quando surgiram relatos de um possível ataque com armas químicas nos arredores de Damasco. Os EUA dizem ter provas de que o ataque matou 1.429 mil civis, incluindo 426 crianças, ainda que outros países e organizações tenham contabilizado um número bem menor de mortos. O governo sírio, por sua vez, nega o uso de armas químicas.

Com AP e BBC

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