Credibilidade dos EUA e do mundo está em jogo sobre a Síria, diz Obama

Por iG São Paulo |

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Presidente diz que mundo e Congresso impuseram 'linha vermelha' à Síria ao instituir normas contra armas químicas

O presidente Barack Obama disse que a credibilidade dos EUA, do Congresso americano e da comunidade internacional está em jogo se não houver reação ao suposto ataque químico da Síria contra civis. O presidente americano busca apoio internacional e do Congresso para lançar uma ação militar contra o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad.

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AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, é visto durante coletiva em Rosenbad, sede do governo sueco, em Estocolmo

Hoje: Projeto de senadores dos EUA apoia ataque limitado à Síria

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Durante viagem à Suécia, o líder americano rejeitou sugestões de que ele impôs uma linha vermelha para ação sobre a Síria se Assad recorresse a armamento não convencional. Segundo Obama, a linha vermelha foi imposta pela comunidade internacional e pelo Congresso, que ratificou um tratado condenando o uso de armas químicas.

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Ele reconheceu que a resposta do Exército americano não solucionará a guerra civil na Síria, mas afirmou ser necessário enviar uma mensagem clara. O Congresso americano, que volta do recesso no dia 9, deve votar sobre a proposta de ação militar na próxima semana.

O Parlamento francês debate nesta quarta a ação militar, mas não fará uma votação. O Parlamento britânico rejeitou no mês passado participar de quaisquer ataques.

Galeria de fotos: Veja imagens do suposto ataque químico na Síria

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Reuters
Ativistas sírios inspecionam corpos de supostas vítimas de ataque químico na região de Ghouta, no bairro de Duma, Damasco (21/8)

O governo de Assad é acusado de usar armas químicas em várias ocasiões durante o conflito de dois meses e meio, sendo o mais recente em uma ação em larga escala nos arredores de Damasco em 21 de agosto. Os EUA puseram o número de mortos em 1.429, incluindo mais de 400 crianças, total bem maior do que estimativas anteriores que apontavam centenas de mortos. Segundo a inteligência britânica, o número de mortos ultrapassaria os 350, número similar aos 355 apontados pelos Médicos Sem Fronteiras. Para a inteligência francesa, seriam 281 mortos.

Em sua defesa, o presidente Assad afirmou que esse tipo de ataque seria "ilógico" porque equipes de especialistas da ONU visitavam Damasco na ocasião.

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Na terça à noite, membros da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA concordaram com um esboço de resolução para ser apresentado ao Congresso que especifica que qualquer operação seria "limitada e adaptada" e sem o uso de forças terrestres.

Em Estocolmo, Obama foi questionado se acreditava que pedir a votação ao Congresso - algo que, sob a Constituição, ele não é obrigado a fazer - colocava sua credibilidade em jogo. "Minha credibilidade não está em jogo. A credibilidade da comunidade internacional, dos EUA e do Congresso americano está em jogo, porque fazemos parecer hipocrisia a noção de que essas normas internacionais são importantes."

Veja as imagens da guerra da Síria desde o início deste ano:

Família síria acena a parentes após entrar em ônibus em direção a aeroporto para ir à Alemanha, onde foram aceitos como asilados temporários, em Beirute, Líbano (10/10). Foto: APTanque velho sírio é cercado por fogo após explosão de morteiros nas Colinas do Golan, território controlado por Israel (16/07). Foto: APCombatentes do Exército Sírio Livre carregam suas armas e se preparam para ofensiva contra forças leais a Assad em Deir al-Zor (12/07). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria corre para buscar proteção perto de aeroporto militar de Nairab, em Aleppo (12/06). Foto: ReutersProtesto em Beirute contra a participação do Hezbollah na guerra síria (09/06). Foto: APFumaça é vista no vilarejo sírio de Quneitra perto da fronteira de Israel´(06/06). Foto: APLibanês foi ferido após segundo foguete de rebeldes sírios atingir sua casa em Hermel (29/05). Foto: APRefugiados sírios são abrigados em prédio da cidade turca de Reyhanli, perto da fronteira com a Síria (12/05). Foto: APHomens carregam ferido após explosão em cidade turca perto da fronteira síria (11/05). Foto: ReutersExplosão em cidade turca perto da fronteira com a Síria deixa dezenas de mortos (11/05). Foto: ReutersResidente caminha sobre destroços de prédios em rua de Deir al-Zor, Síria (09/05). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria descansa em pilha de sacos de areia em campo de refugiados (06/05). Foto: APIsrael atacou instalações militares na área de Damasco, acusa Síria (05/05). Foto: BBCReprodução de vídeo mostra fumaça e fogo no céu sobre Damasco na madrugada deste domingo (05/05). Foto: APPresidente da Síria, Bashar al-Assad (D), visita universidade em Damasco (04/05). Foto: APReprodução de vídeo mostra corpos em Bayda, Síria (03/05). Foto: APBombeiros apagam fogo de carro em chamas em cena de explosão no distrito central de Marjeh, Damasco, Síria (30/04). Foto: APReprodução de vídeo mostra bombardeio em Daraya, Síria (25/04). Foto: APDruso carrega retrato do presidente sírio em que se lê 'Síria, Deus protege você', nas, Colinas do Golan (17/04). Foto: APFumaça e carros destruídos na praça Sabaa Bahrat, em Damasco, após explosão de carro-bomba (08/04). Foto: APMembro de Exército da Libertação da Síria segura arma em rua de Deir al-Zor (02/04). Foto: ReutersReprodução de vídeo mostra militantes do Exército Livre da Síria durante combates em Damasco (25/03). Foto: APManifestantes protestam contra Bashar al-Assad em Aleppo, na Síria (23/03). Foto: ReutersMesa de xeque Mohammad Said Ramadan al-Buti, aliado de Assad, é vista após ataque em Damasco (21/03). Foto: APSírio vítima de suposto ataque químico recebe tratamento em Khan al-Assal, de acordo com agência estatal (19/03). Foto: APSírias são vistos perto de corpos retirados de rio perto de bairro de Aleppo (10/03). Foto: APReprodução de vídeo mostra soldado do governo sírio morto em academia de polícia em Khan al-Asal, Aleppo (03/03). Foto: APHomem chora em local atingido por míssil no bairro de Ard al-Hamra, em Aleppo, Síria (fevereiro). Foto: ReutersMembro do Exército Livre da Síria aponta arma durante supostos confrontos contra forças de Assad em Aleppo (26/02). Foto: ReutersMembros de grupo islâmico seguram armas durante protesto contra regime em Deir el-Zor (25/02). Foto: ReutersMorador escreve em lápide nome de neta morta em ataque contra vila em Idlib, Síria (24/02). Foto: APChamas e fumaça são vistas em local de ataque no centro de Damasco, Síria (21/02). Foto: APRebeldes do Exército Livre da Síria preparam munições perto do aeroporto militar de Menagh, no interior de Aleppo (25/01). Foto: ReutersRebeldes da Frente al-Nusra, afiliada à Al-Qaeda, seguram sua bandeira no topo de helicóptero da Força Aérea da Síria na base de Taftanaz (11/01). Foto: APCrianças sírias viajam em caminhonete em Aleppo (02/01). Foto: Reuters

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Obama, que previamente havia dito que o uso de armas químicas cruzaria uma "linha vermelha", disse não ter sido ele que impôs esse limite, mas o mundo, "quando governo representando 98% da população mundial disseram que o uso de armas químicas é abominável e aprovaram um tratado proibindo seu uso quando países travam guerras". "O Congresso impôs uma linha vermelha quando ratificou esse tratado", acrescentou.

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Obama disse acreditar que o Congresso daria seu apoio, porque reconheceu que o mundo ficaria "menos seguro" se for permitido que as armas químicas se tornem a norma. Mas ele também ressalvou que, como comandante-chefe, ele tem o direito de agir de pelo interesse nacional de seu país.

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