Relatório atribui 281 mortes ao ataque de 21 de agosto; parlamento francês debaterá situação da Síria na quarta

Um relatório da inteligência francesa divulgado nesta segunda-feira (2) afirmou que o regime da Síria lançou um ataque em 21 de agosto envolvendo "uso pesado de agentes químicos". Segundo o relatório, o governo do país poderia realizar ataques similares no futuro.

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AP
Primeiro-ministro francês Jean-Marc Ayrault faz pronunciamento após reunião sobre a crise síria em Matignon, Paris

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O governo, em sua página na internet, publicou uma síntese de nove páginas sobre o programa sírio de armas químicas, que revelou que ao menos 281 mortes poderiam ser atribuídas ao ataque lançado nos redutos rebeldes próximos a Damasco.

Segundo o governo Obama, o ataque deixou 1.429 mortos , incluindo mais de 400 crianças, total bem maior do que estimativas anteriores que apontavam centenas de mortos. A inteligência britânica informa que o número de mortos ultrapassaria os 350, número similar aos 355 apontados pelos Médicos Sem Fronteiras .

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Um trecho do relatório francês afirmou que "a análise da inteligência que nós possuímos hoje nos leva a estimar que em 21 de agosto de 2013, o regime sírio lançou um ataque em algumas regiões dos subúrbios de Damasco capturadas por unidades da oposição, reunindo meios convencionais e o uso pesado de agentes químicos".

O presidente François Hollande apoiou um pedido do presidente americano Barack Obama por uma ação militar contra o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, em retaliação ao uso de armas químicas.

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O primeiro-ministro do país Jean-Marc Ayrault reuniu legisladores, ministros da Defesa e das Relações Exteriores, além de autoridades de segurança e de inteligência, para discutir a crise na Síria nesta segunda-feira.

A França "está determinada a tomar ação contra o uso de armas químicas pelo regime de Bashar al-Assad e para dissuadi-lo de fazer isso novamente", disse Ayrault após o encontro. "Essa ação não pode ser tomada sem uma resposta."

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O ministro acrescentou que a França não agirá sozinha e que Hollande estava "dando continuidade a seu trabalho de persuasão para reunir uma coalizão o mais breve possível".

A inteligência estimou também que esta não foi a primeira vez que armas químicas foram utilizadas na Síria este ano. Segundo o relatório, a inteligência do país coletou urina, sangue e amostras de solo e munição de dois ataques em abril - em Saraqeb e Jobar - que confirmaram o uso do gás nervoso sarin .

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"Esses eventos passados e o uso pesado e simultâneo de agentes químicos na noite de 21 de agosto de 2013 nos subúrbios de Damasco confirmam que o regime sírio ultrapassou os limites deliberadamente", disse.

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O Parlamento da França debaterá a intervenção militar na Síria na quarta-feira, mas nenhuma votação está programada. A constituição da França não requer aprovação parlamentar para que Hollande lance uma ação militar. Na quinta-feira, o Parlamento britânico rejeitou o pedido do prêmie David Cameron para que autorizasse a intervenção.

Com AP

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