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Jornal estatal caracteriza decisão de presidente anunciada no sábado de 'início do histórico recuo americano'

Um jornal estatal sírio classificou a decisão do presidente dos EUA, Barack Obama, de buscar aval do Congresso para uma ação militar contra o líder Bashar al-Assad de "início do histórico recuo americano".

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O tom de júbilo no artigo de primeira página do diário Al-Thawra se seguiu ao pronunciamento feito por Obama no sábado, quando afirmou que os EUA deveriam retaliar o suposto uso de armas químicas pelo regime sírio, mas que era importante haver um debate no Congresso sobre a questão. A decisão marcou uma mudança de posição da Casa Branca, que parecia à beira de um ataque iminente.

"Independentemente de o Congresso aprovar ou não uma agressão e de as perspectivas de guerra terem sido aumentadas ou diminuídas, o que o presidente Obama anunciou ontem, por falta à verdade ou por insinuação, é o início do histórico recuo americano", disse Al-Thawra.

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O jornal, que como braço do governo reflete o pensamento do governo, também alegou que a relutância de Obama de lançar um ataque se baseia em "seu sentimento de derrota implícita e no desaparecimento de seus aliados". O jornal disse que a preocupação do líder americano de que uma intervenção limitada acabe se tornando "uma guerra aberta o empurrou a recorrer ao Congresso."

O ministro sírio para Questões de reconciliação, Ali Haidar, ecoou esse pensamento. "Obama deu a si mesmo a chance de recuar ao falar sobre uma autorização do Congresso e sobre conversas com outros partidos para lançar o ataque", disse Haidar à Associated Press por telefone. "Em outras palavras, ele quer continuar brandindo a espada da agressão contra a Síria sem desistir totalmente da ideia de um ataque, mas sem determinar uma data definitiva para a agressão."

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AP
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Para o vice-ministro das Relações Exteriores da Síria, Faisal Mekdad, o discurso de Obama sobre o Congresso foi cheio de hesitação e confusão.

O Congresso está programado para voltar de seu recesso de verão em 9 de setembro e, antecipando o debate, Obama desafio os legisladores a avaliar "qual mensagem enviaremos se um ditador pode matar com gás centenas de crianças a olhos vistos e não pagar nenhum preço".

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A Casa Branca enviou ao Congresso um esboço de resolução buscando aprovação para "deter, quebrar e desintegrar" a habilidade do regime de Assad de usar armas químicas futuramente. O Senado realizará audiência na próxima semana com o objetivo de que uma votação ocorra quando o Congresso sair do recesso.

A estratégia de Obama traz enormes riscos para a credibilidade dele e da nação, com o próprio governo afirmando estar em jogo na questão síria. No ano passado, Obama disse que o uso de armas químicas era uma "linha vermelha" que Assad não poderia cruzar sem ser punido.

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O primeiro-ministro britânico, David Cameron, adotou um caminho similar na semana passada ao pedir à Câmara dos Comuns que apoiasse uma ação militar contra a Síria, mas sofreu uma forte derrota .

O discurso de Obama desatou pedidos para que o presidente fracês, François Hollande, que apoia uma resposta armada contra a Síria , busque aprovação do Parlamento. Hollande não é obrigado a fazer isso pela Constituição. O Parlamento francês está programado para debater a questão na quarta, mas nenhuma votação está prevista.

*Com AP

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