Presidente da Rússia desafia EUA a apresentar à ONU provas sobre Síria

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Para Putin, o fracasso dos EUA em mostrar provas de um ataque químico na Síria é 'simplesmente um desrespeito'

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, desafiou os EUA a apresentar à ONU as provas de que a Síria lançou no dia 21 um ataque químico contra opositores do regime perto da Damasco. Putin afirmou que "não fazia nenhum sentido" o governo sírio provocar seus oponentes com ataques desse tipo.

ONU: Inspetores deixam Síria com amostras de suposto ataque químico

AP
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, fala na cidade de Vladivostok, leste russo

Obama: Ataque químico da Síria é ameaça ao mundo e aos interesses dos EUA

"Se há provas, deveriam ser mostradas. Se elas não são mostradas, não existem", disse, acrescentando que o fracasso americano em expô-las à comunidade internacional era "simplesmente um desrespeito".

Aliado-chave da Síria, a Rússia também alertou que "qualquer ação militar unilateral ignorando o Conselho de Segurança da ONU" seria uma "violação direta do direito internacional".

Galeria de fotos: Veja imagens do suposto ataque químico na Síria

Falando de Vladivostok, no leste da Rússia, Putin conclamou Obama, como um ganhador do Nobel da Paz, a pensar sobre as vítimas futuras da Síria antes de recorrer ao uso da força. Ele também disse que era ridículo sugerir que Damasco seria o responsável pelo ataque, classificando-o de uma "provocação daqueles que querem arrastar outros países ao conflito sírio".

"As tropas do governo sírio estão na ofensiva e cercaram a oposição em várias regiões", disse. "Nessas condições, dar uma vantagem àqueles que pedem uma intervenção militar é totalmente sem sentido."

Leia: Saiba os principais pontos de relatório dos EUA sobre o ataque químico

AP
Inspetores da ONU chegam à entrada de terminal de jatos privados no aeroporto internacional de Beirute, Líbano, para partir para Europa com amostras coletadas na Síria

Dia 21: Oposição síria acusa governo de matar centenas em ataque químico

Na quinta, o presidente dos EUA, Barack Obama, deixou claro que considera uma ação militar contra a Síria depois de um relatório da inteligência americana ter indicado que o suposto ataque deixou 1.429 mortos. Ele, no entanto, garantiu que a ação será específica para impedir a repetição do uso de armas químicas, que caracterizou como uma ameaça à segurança nacional americana.

WPost: Obama considera ataque limitado contra Síria após armas químicas

"Não estamos considerando de forma alguma uma ação militar que envolva soldados no local, nem que signifique uma campanha longa", disse. "Mas estamos analisando a possibilidade de uma ação limitada que ajudaria a garantir que não só a Síria, mas outros no resto do mundo entendam que a comunidade internacional quer manter a proibição do uso de armas químicas", afirmou.

Galeria de fotos: Veja imagens do suposto ataque químico na Síria

Inspetores da ONU, que investigavam o suposto uso de armas químicas, deixaram a Síria na manhã deste sábado e já chegaram à Holanda, onde entregarão as amostras coletadas durante quatro inspeções no país árabe à Organização para Prevenção de Armas Químicas, em Haia.

A ONU afirmou que seus inspetores realizaram uma ampla atividade de verificação de fatos, mas seu mandato é limitado à determinação de se armas químicas foram usadas ou não, e não sobre quem é o responsável.

Veja imagens da guerra na Síria desde o início deste ano:

Família síria acena a parentes após entrar em ônibus em direção a aeroporto para ir à Alemanha, onde foram aceitos como asilados temporários, em Beirute, Líbano (10/10). Foto: APTanque velho sírio é cercado por fogo após explosão de morteiros nas Colinas do Golan, território controlado por Israel (16/07). Foto: APCombatentes do Exército Sírio Livre carregam suas armas e se preparam para ofensiva contra forças leais a Assad em Deir al-Zor (12/07). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria corre para buscar proteção perto de aeroporto militar de Nairab, em Aleppo (12/06). Foto: ReutersProtesto em Beirute contra a participação do Hezbollah na guerra síria (09/06). Foto: APFumaça é vista no vilarejo sírio de Quneitra perto da fronteira de Israel´(06/06). Foto: APLibanês foi ferido após segundo foguete de rebeldes sírios atingir sua casa em Hermel (29/05). Foto: APRefugiados sírios são abrigados em prédio da cidade turca de Reyhanli, perto da fronteira com a Síria (12/05). Foto: APHomens carregam ferido após explosão em cidade turca perto da fronteira síria (11/05). Foto: ReutersExplosão em cidade turca perto da fronteira com a Síria deixa dezenas de mortos (11/05). Foto: ReutersResidente caminha sobre destroços de prédios em rua de Deir al-Zor, Síria (09/05). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria descansa em pilha de sacos de areia em campo de refugiados (06/05). Foto: APIsrael atacou instalações militares na área de Damasco, acusa Síria (05/05). Foto: BBCReprodução de vídeo mostra fumaça e fogo no céu sobre Damasco na madrugada deste domingo (05/05). Foto: APPresidente da Síria, Bashar al-Assad (D), visita universidade em Damasco (04/05). Foto: APReprodução de vídeo mostra corpos em Bayda, Síria (03/05). Foto: APBombeiros apagam fogo de carro em chamas em cena de explosão no distrito central de Marjeh, Damasco, Síria (30/04). Foto: APReprodução de vídeo mostra bombardeio em Daraya, Síria (25/04). Foto: APDruso carrega retrato do presidente sírio em que se lê 'Síria, Deus protege você', nas, Colinas do Golan (17/04). Foto: APFumaça e carros destruídos na praça Sabaa Bahrat, em Damasco, após explosão de carro-bomba (08/04). Foto: APMembro de Exército da Libertação da Síria segura arma em rua de Deir al-Zor (02/04). Foto: ReutersReprodução de vídeo mostra militantes do Exército Livre da Síria durante combates em Damasco (25/03). Foto: APManifestantes protestam contra Bashar al-Assad em Aleppo, na Síria (23/03). Foto: ReutersMesa de xeque Mohammad Said Ramadan al-Buti, aliado de Assad, é vista após ataque em Damasco (21/03). Foto: APSírio vítima de suposto ataque químico recebe tratamento em Khan al-Assal, de acordo com agência estatal (19/03). Foto: APSírias são vistos perto de corpos retirados de rio perto de bairro de Aleppo (10/03). Foto: APReprodução de vídeo mostra soldado do governo sírio morto em academia de polícia em Khan al-Asal, Aleppo (03/03). Foto: APHomem chora em local atingido por míssil no bairro de Ard al-Hamra, em Aleppo, Síria (fevereiro). Foto: ReutersMembro do Exército Livre da Síria aponta arma durante supostos confrontos contra forças de Assad em Aleppo (26/02). Foto: ReutersMembros de grupo islâmico seguram armas durante protesto contra regime em Deir el-Zor (25/02). Foto: ReutersMorador escreve em lápide nome de neta morta em ataque contra vila em Idlib, Síria (24/02). Foto: APChamas e fumaça são vistas em local de ataque no centro de Damasco, Síria (21/02). Foto: APRebeldes do Exército Livre da Síria preparam munições perto do aeroporto militar de Menagh, no interior de Aleppo (25/01). Foto: ReutersRebeldes da Frente al-Nusra, afiliada à Al-Qaeda, seguram sua bandeira no topo de helicóptero da Força Aérea da Síria na base de Taftanaz (11/01). Foto: APCrianças sírias viajam em caminhonete em Aleppo (02/01). Foto: Reuters

Saiba mais sobre as armas químicas da Síria: Irã ajudou a produzir arsenal

Citando uma avaliação feita pela inteligência americana, o secretário de Estado John Kerry disse que entre os mortos deixados pelo ataque há 426 crianças . Após a rejeição do Parlamento britânico a uma ação militar, o presidente francês, François Hollande, reafirmou seu apoio à posição dos EUA.

A Síria disse que a alegação dos EUA era "cheia de mentiras", e que os rebeldes eram os culpados pelos ataques. O presidente sírio, Bashar al-Assad, disse que seu país vai se defender contra qualquer "agressão" ocidental. 

Alerta: Assad diz que eventual intervenção militar dos EUA fracassaria na Síria

Os EUA têm defendido uma ofensiva internacional na Síria para impedir que o governo de Damasco volte a usar armas químicas. No entanto, é improvável que o Conselho de Segurança da ONU aprove uma moção prevendo a intervenção militar, já que a Rússia já vetou três resoluções anteriores.

*Com BBC

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