Obama buscará voto no Congresso para lançar ataque contra a Síria

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Líder dos EUA desafia legisladores a ver 'qual mensagem enviaremos a ditador' após suposto ataque químico

Em uma decisão surpreendente, o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou neste sábado que buscará autorização do Congresso para retaliar ao suposto uso de armas químicas lançado pelo regime de Bashar al-Assad contra rebeldes nos arredores de Damasco no dia 21.

Putin: Presidente da Rússia desafia EUA a apresentar à ONU provas sobre Síria

AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, faz pronunciamento sobre Síria na Casa Branca

Obama: Ataque químico da Síria é ameaça ao mundo e aos interesses dos EUA

EUA: Ataque químico da Síria deixou 1.429 mortos, incluindo 426 crianças

Em pronunciamento na Casa Branca, o líder americano afirmou que, apesar de ter a autoridade para tomar essa decisão sozinho e acreditar que os EUA deveriam retaliar, é importante fazer um debate e uma votação no Congresso. O legisladores voltam do recesso em 9 de setembro.

Obama tomou a decisão apesar de, na quinta-feira, o Parlamento britânico ter rejeitado o pedido do prêmie David Cameron para que autorizasse uma ação militar.

O líder americano disse esperar que o Congresso endosse sua decisão de lançar um ataque. "Não podemos fingir que não vimos o que aconteceu na Síria", afirmou Obama, reiterando que uma ação é necessária pelo fato de Damasco ter descumprido normas internacionais sobre armas químicas.

Leia: Saiba os principais pontos de relatório dos EUA sobre o ataque químico

Ele também desafiou os legisladores a considerar "qual mensagem enviaremos a um ditador" se ele tiver a permissão de matar centenas de crianças com armas químicas sem sofrer nenhuma retaliação.

Na sexta-feira, os EUA divulgaram um relatório de inteligência afirmando que o ataque químico lançado pela Síria deixou 1.429 mortos, incluindo 426 crianças. O governo sírio nega ter realizado a ação e responsabiliza os rebeldes que há mais de dois anos e meio tentam depor o regime.

ONU: Inspetores deixam Síria com amostras de suposto ataque químico

AP
Reprodução de vídeo mostra membros da equipe de investigações da ONU coletando amostras em Zamalka, subúrbio de Damasco (30/8)

Dia 21: Oposição síria acusa governo de matar centenas em ataque químico

Para Obama, o ataque químico é uma ameaça ao mundo e aos interesses dos EUA na região, afirmando que o uso de armamento não convencional pela Síria ameaça Israel e Jordânia - aliados americanos no Oriente Médio. Obama reiterou que qualquer ação militar contra a Síria seria limitada em duração e forte para deter quaiquer novos ataques químicos.

O pronunciamento de Obama foi feito no mesmo dia em que inspetores da ONU, que investigavam o suposto uso de armas químicas, deixaram a Síria. Eles já chegaram à Holanda, onde entregaram as amostras coletadas durante quatro inspeções no país árabe à Organização para Prevenção de Armas Químicas, em Haia.

Galeria de fotos: Veja imagens do suposto ataque químico na Síria

A ONU afirmou que seus inspetores realizaram uma ampla atividade de verificação de fatos, mas seu mandato é limitado à determinação de se armas químicas foram usadas ou não, e não sobre quem é o responsável.

Desafio russo

Previamente ao pronunciamento de Obama, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, desafiou os EUA a apresentar à ONU as provas de que a Síria era responsável pelo ataque. Putin afirmou que "não fazia nenhum sentido" o governo sírio provocar seus oponentes com ataques desse tipo.

Veja imagens da guerra na Síria desde o início deste ano:

Família síria acena a parentes após entrar em ônibus em direção a aeroporto para ir à Alemanha, onde foram aceitos como asilados temporários, em Beirute, Líbano (10/10). Foto: APTanque velho sírio é cercado por fogo após explosão de morteiros nas Colinas do Golan, território controlado por Israel (16/07). Foto: APCombatentes do Exército Sírio Livre carregam suas armas e se preparam para ofensiva contra forças leais a Assad em Deir al-Zor (12/07). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria corre para buscar proteção perto de aeroporto militar de Nairab, em Aleppo (12/06). Foto: ReutersProtesto em Beirute contra a participação do Hezbollah na guerra síria (09/06). Foto: APFumaça é vista no vilarejo sírio de Quneitra perto da fronteira de Israel´(06/06). Foto: APLibanês foi ferido após segundo foguete de rebeldes sírios atingir sua casa em Hermel (29/05). Foto: APRefugiados sírios são abrigados em prédio da cidade turca de Reyhanli, perto da fronteira com a Síria (12/05). Foto: APHomens carregam ferido após explosão em cidade turca perto da fronteira síria (11/05). Foto: ReutersExplosão em cidade turca perto da fronteira com a Síria deixa dezenas de mortos (11/05). Foto: ReutersResidente caminha sobre destroços de prédios em rua de Deir al-Zor, Síria (09/05). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria descansa em pilha de sacos de areia em campo de refugiados (06/05). Foto: APIsrael atacou instalações militares na área de Damasco, acusa Síria (05/05). Foto: BBCReprodução de vídeo mostra fumaça e fogo no céu sobre Damasco na madrugada deste domingo (05/05). Foto: APPresidente da Síria, Bashar al-Assad (D), visita universidade em Damasco (04/05). Foto: APReprodução de vídeo mostra corpos em Bayda, Síria (03/05). Foto: APBombeiros apagam fogo de carro em chamas em cena de explosão no distrito central de Marjeh, Damasco, Síria (30/04). Foto: APReprodução de vídeo mostra bombardeio em Daraya, Síria (25/04). Foto: APDruso carrega retrato do presidente sírio em que se lê 'Síria, Deus protege você', nas, Colinas do Golan (17/04). Foto: APFumaça e carros destruídos na praça Sabaa Bahrat, em Damasco, após explosão de carro-bomba (08/04). Foto: APMembro de Exército da Libertação da Síria segura arma em rua de Deir al-Zor (02/04). Foto: ReutersReprodução de vídeo mostra militantes do Exército Livre da Síria durante combates em Damasco (25/03). Foto: APManifestantes protestam contra Bashar al-Assad em Aleppo, na Síria (23/03). Foto: ReutersMesa de xeque Mohammad Said Ramadan al-Buti, aliado de Assad, é vista após ataque em Damasco (21/03). Foto: APSírio vítima de suposto ataque químico recebe tratamento em Khan al-Assal, de acordo com agência estatal (19/03). Foto: APSírias são vistos perto de corpos retirados de rio perto de bairro de Aleppo (10/03). Foto: APReprodução de vídeo mostra soldado do governo sírio morto em academia de polícia em Khan al-Asal, Aleppo (03/03). Foto: APHomem chora em local atingido por míssil no bairro de Ard al-Hamra, em Aleppo, Síria (fevereiro). Foto: ReutersMembro do Exército Livre da Síria aponta arma durante supostos confrontos contra forças de Assad em Aleppo (26/02). Foto: ReutersMembros de grupo islâmico seguram armas durante protesto contra regime em Deir el-Zor (25/02). Foto: ReutersMorador escreve em lápide nome de neta morta em ataque contra vila em Idlib, Síria (24/02). Foto: APChamas e fumaça são vistas em local de ataque no centro de Damasco, Síria (21/02). Foto: APRebeldes do Exército Livre da Síria preparam munições perto do aeroporto militar de Menagh, no interior de Aleppo (25/01). Foto: ReutersRebeldes da Frente al-Nusra, afiliada à Al-Qaeda, seguram sua bandeira no topo de helicóptero da Força Aérea da Síria na base de Taftanaz (11/01). Foto: APCrianças sírias viajam em caminhonete em Aleppo (02/01). Foto: Reuters

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"Se há provas, deveriam ser mostradas. Se elas não são mostradas, não existem", disse, acrescentando que o fracasso americano em expô-las à comunidade internacional era "simplesmente um desrespeito".

Aliado-chave da Síria, a Rússia também alertou que "qualquer ação militar unilateral ignorando o Conselho de Segurança da ONU" seria uma "violação direta do direito internacional".

Alerta: Assad diz que eventual intervenção militar dos EUA fracassaria na Síria

Falando de Vladivostok, no leste da Rússia, Putin conclamou Obama, como um ganhador do Nobel da Paz, a pensar sobre as vítimas futuras da Síria antes de recorrer ao uso da força. Ele também disse que era ridículo sugerir que Damasco seria o responsável pelo ataque, classificando-o de uma "provocação daqueles que querem arrastar outros países ao conflito sírio".

Entenda: Saiba o que é o sarin, arma química que teria sido usada na Síria

"As tropas do governo sírio estão na ofensiva e cercaram a oposição em várias regiões", disse. "Nessas condições, dar uma vantagem àqueles que pedem uma intervenção militar é totalmente sem sentido."

*Com BBC

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