Premiê britânico perde votação no Parlamento sobre ação militar na Síria

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ao reconhecer que ficou claro que população rejeita ataque, Cameron afirma que 'governo agirá de acordo'

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, perdeu uma votação de uma possível ação militar na Síria por 285 a 272, uma maioria de 13 votos que representa uma forte derrota para um governo que parecia estar a poucos dias de se unir aos EUA em possíveis ataques para punir o regime de Bashar Assad por um suposto ataque com armas químicas.

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AP
Primeiro ministro britânico, David Cameron, fala durante debate no Parlamento sobre Síria

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A votação desta quinta-feira é não vinculante, mas, na prática, a rejeição da ação militar indica que as mãos de Cameron estão atadas. Em uma concisa declaração no Parlamento, Cameron disse que ficou claro para ele que a população não quer ver uma ação militar e "o governo agirá de acordo".

O resultado da votação representa um golpe à autoridade de Cameron, que já havia amenizado a moção do governo propondo uma ação militar em resposta às demandas do opositor Partido Trabalhista por mais evidências da culpa de Assad.

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Os trabalhistas viram sua própria emenda - que pediu por evidências "indubitáveis" - rejeitada por 114 votos. Mas, em uma inesperada mudança de curso, os parlamentares também rejeitaram a moção do governo em apoio à ação militar na Síria se ela tivesse como base os inspetores de armas da ONU, que estão investigando alegações de que as forças de Assad usaram armas químicas contra civis em 21 de agosto.

Durante o debate prévio à votação no Parlamento, Cameron afirmou que não havia "100% de certeza sobre quem é responsável (pelo ataque)", mas que o Parlamento "teria de tomar uma decisão" sobre a ação militar. Cameron também disse que seria "impensável" prosseguir se o Conselho de Segurança da ONU estivesse totalmente contrário ao ataque - embora a declaração não parecesse ter se referido às costumazes objeções russas e chinesas.

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Apesar disso, ele afirmou que uma ação militar era necessária por acreditar que um ataque teria de ser lançado para impedir que Assad voltasse a usar armas químicas contra civis. 

AP
Homem e mulher velam corpos de sírios após suposta ataque com gás venenoso lançado pelas forças do regime de Assad (21/8)

Antes do debate no Parlamento, o gabinete de Cameron divulgou documentos legais e de inteligência com o objetivo de impulsionar o caso de que armas químicas foram usadas pelo governo sírio e uma retaliação seria necessária. Segundo o documento, a intervenção seria legal sob a doutrina humanitária, mesmo sem o aval do Conselho de Segurança da ONU.

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Além do resumo legal, Downing Street (sede oficial do governo britânico) divulgou a análise da Comissão Conjunta de Inteligência que conclui ser "muito provável" que o governo sírio foi responsável pelo ataque químico, que matou ao menos centenas.

Jon Day, presidente da comissão, afirmou em seu relatório que as análises indicaram que o governo sírio já havia usado armas químicas em uma escala menor desde que os confrontos escalaram em 2012. "Um padrão claro de uso pelo regime, portanto, foi estabelecido", disse.

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Antes do debate parlamentar, o gabinete de Cameron afirmou: "O julgamento da Comissão Conjunta de Inteligência é de que um ataque químico realmente aconteceu na semana passada; é altamente provável que o regime sírio tenha sido responsável; há algumas informações de inteligência para sugerir a culpa do regime; nenhum grupo opositor tem a capacidade de conduzir um ataque com armas químicas nessa escala", diz um resumo divulgado pelo governo britânico. Autoridades sírias negaram responsabilidade pelo ataque.

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"A posição do governo sobre a legalidade de qualquer ação deixa claro que, se a operação for bloqueada no Conselho de Segurança da ONU, o Reino Unido ainda teria permissão sob a doutrina da intervenção humanitária de adotar medidas excepcionais com o objetivo de aliviar o amplo sofrimento na Síria", indica o documento.

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Mas os argumentos foram rejeitados na votação do Parlamento nesta quinta. Assim, se os EUA mantiverem sua determinação de atacar a Síria, terão de fazê-lo sem o apoio do Reino Unido.

*Com AP e BBC

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