Apesar de ainda não ter decidido sobre intervenção, líder diz ser necessária resposta internacional a ataque químico

O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que uma retaliação militar americana ao suposto uso de armas químicas pela Síria enviaria um "aviso muito forte de que é melhor não (esse tipo de armamento) novamente". Apesar disso, ele afirmou que ainda não tomou uma decisão sobre intervir militarmente no conflito. 

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Crianças afetadas por suposto ataque químico respiram com máscaras de oxigênio no subúrbio de Saqba, Damasco (21/8)
Reuters
Crianças afetadas por suposto ataque químico respiram com máscaras de oxigênio no subúrbio de Saqba, Damasco (21/8)

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Segundo o líder americano, os EUA concluíram que o regime de Assad lançou o ataque de 21 de agosto nos arredores de Damasco. De acordo com os Médicos Sem Fronteiras, 355 morreram por fogo de artilharia das forças do regime no ataque, que incluiu o uso de gás tóxico. Ativistas e líderes da oposição disseram que entre 322 e 1,3 mil teriam morrido no suposto ataque químico.

"E, se isso é verdade", disse Obama durante uma entrevista ao "NewsHour", da PBS, "então tem de haver consequências internacionais, por isso estamos consultando nossos aliados". Obama não apresentou nenhuma prova específica para balizar sua afirmação.

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Obama afirmou que não buscava um conflito longo ou sem previsão de fim na Síria. Mas argumentou que o uso de armas químicas pela Síria não apenas viola as normas internacionais, como também ameaça os "próprios interesses americanos". "Temos de assegurar que os países prestam contas quando desrespeitam normas internacionais sobre armas como as químicas, que podem nos ameaçar", afirmou.

Coalizão internacional

Nesta quinta, o secretário de Defesa americano, Chuck Hagel, disse que, "se qualquer ação for tomada contra a Síria, será uma colaboração internacional". Mas novos obstáculos parecem atrasar a formação de uma coalizão internacional para levar adiante a ação militar. Além disso, continuam questões sobre a força do caso contra Assad.

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A Rússia, aliada da Síria, impediu esforços britânicos de tentar uma resolução de uso da força na ONU . Juntamente com a China, a Rússia consistentemente usou seu poder de veto para impedir uma ação mais forte para o conflito de quase dois anos e meio. O Departamento de Estado dos EUA criticou a "intransigência russa" e disse que não poderia permitir que a paralisia diplomática servisse como um escudo para o regime sírio.

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Presidente dos EUA, Barack Obama, é visto durante evento em Washington (28/8)
AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, é visto durante evento em Washington (28/8)

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Posteriormente, o ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que o uso da força sem a sanção do Conselho de Segurança seria uma "violação brutal " do direito internacional e "levaria à desestabilização a longo prazo da situação no país e na região".

Aliado dos EUA, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, baixou um pouco o tom na quarta e disse que seu país esperaria para se unir a quaisquer esforços militares até que uma equipe de inspeções da ONU divulgue suas descobertas. Ele também concordou em submeter a questão a duas votações do Parlamento.

Apesar disso, nesta quinta, o governo divulgou um relatório que diz que uma intervenção humanitária justificaria o ataque mesmo com os vetos da Rússia e da China no Conselho de Segurança da ONU.

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Segundo o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, espera-se que os inspetores concluam suas inspeções na sexta e lhe informem sobre as conclusões no sábado. Eles as compartilharão com os membros do Conselho de Segurança, disse Ban, mas não especificou quando isso acontecerá.

Autoridades americanas buscam informações de inteligência adicionais para o apoiar a intenção da Casa Branca de lançar um ataque contra a infraestrutura militar de Assad. A inteligência americana interceptou comunicações de comandantes sírios de baixa patente discutindo o ataque químico, mas as mensagens não especificamente vinculam o ataque a uma autoridade suficientemente graduada para vincular as mortes ao próprio Assad, de acordo com três funcionários da inteligência dos EUA.

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No cenário ideal, a Casa Branca quer que a inteligência vincule o ataque diretamente a Assad ou a alguém em seu círculo próximo para descartar a possibilidade de que alguém do Exército tenha decidido usar armas químicas sem a autorização do líder sírio.

A CIA e o Pentágono têm trabalhado para coletar mais inteligência humana vinculando Assad ao ataque contando com os serviços de inteligência da Jordânia, Arábia Saudita e Israel.

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A Síria nega o uso de armas químicas e culpa a oposição pelo ataque de 21 de agosto. Damasco também acusou o Ocidente de "inventar" desculpas para lançar um ataque.

Em resposta ao crescente temor de um ataque iminente entre sírios, a agência de notícias Associated Press citou autoridades libanesas dizendo que pelo menos 6 mil sírios cruzaram a fronteira para o Líbano em um período de 24 horas, através da principal travessia, Masnaa - em comparação a uma contagem diária normal de entre 500 e 1 mil refugiados.

Estimativas mostram que mais de 100 mil morreram desde que o conflito eclodiu na Síria, em março de 2011, e pelo menos 1,7 milhão de sírios estão refugiados.

*Com AP e BBC

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