EUA, Reino Unido e França buscam opção fora da ONU para justificar ação na Síria

Por iG São Paulo | - Atualizada às

Texto

Aliados ocidentais terão de recorrer à Otan e à doutrina da 'Responsabilidade de Proteger' para evitar veto russo

Os EUA e seus aliados avaliam opções além do dividido Conselho de Segurança da ONU para legitimar uma ação militar contra a Síria, tentando construir uma justificativa coesa para um ataque e obter amplo apoio internacional.

Secretário da Defesa: EUA estão prontos para lançar ataque contra a Síria

AP
Sírios tentam identificar corpos depois de suposto ataque químico em Arbeen, subúrbio da Síria (21/8)

Nesta quarta: Reino Unido apresentará à ONU resolução condenando Síria

Os EUA, o Reino Unido e a França deixaram claro acreditar que o governo de Bashar al-Assad esteve por trás de um recente suposto ataque mortal com armas químicas nos arredores de Damasco, afirmando que isso pede uma mudança da resposta internacional.

Dia 22: França defende uso da força caso ataque químico seja provado

Entenda: De que lado ficam os países na crise da Síria

É quase certo que isso demanda agir sem a aprovação do conselho, onde a Rússia e a China consistentemente usaram seu poder de veto para impedir uma ação mais forte para o conflito de quase dois anos e meio. Isso também significaria agir bem antes de inspetores de armas químicas da ONU na Síria entregarem uma avaliação se o tal ataque aconteceu.

Dia 21: Oposição síria acusa governo de matar centenas em ataque químico

Galeria de fotos: Veja imagens do suposto ataque químico na Síria

Apesar da possibilidade de outro veto da Rússia e da China, o Reino Unido disse que apresentará nesta quarta uma resolução ao Conselho de Segurança da ONU condenando o governo sírio pelo suposto ataque.

Em Genebra, o enviado especial da ONU para a Síria, Lakhdar Brahimi, disse que qualquer ataque tem de ter a aprovação do Conselho de Segurança. A tarefa em mãos para qualquer coalizão liderada pelos EUA para uma ação militar será conseguir apoio de organizações internacionais importantes fora da ONU.

Assista: Vídeos mostram vítimas de suposto ataque químico na Síria

AP
Reprodução de vídeo amador mostra suposto membro da ONU medindo e fotografando lata no subúrbio de Moadamiyeh, Damasco, Síria (26/8)

Entenda: Saiba o que é o sarin, arma química supostamente usada na Síria

Um caminho pode ser persuadir a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) a se envolver ou mesmo liderar uma operação militar. Isso ajudou o governo de Bill Clinton (1993-2001) a projetar legitimidade na guerra do Kosovo no fim dos anos de 1990 apesar de o Conselho de Segurança, com forte oposição da Rússia, nunca ter permitido a campanha de bombardeios contra Belgrado, disse Ken Pollack, um especialista em questões político-militares no Brookings Institute.

"De forma muito famosa, a guerra do Kosovo não foi legal", disse Pollack. "Apesar disso, não se veem pessoas correndo por aí e gritando que ela foi ilegal. O motivo é que os EUA fizeram um bom trabalho em construir uma justificativa."

Após suposto ataque químico: EUA deslocam navio para possível ação na Síria

Uma coalizão liderada pelos EUA provavelmente invocará uma doutrina internacional conhecida como "Responsabilidade de Proteger", que declara que a comunidade internacional tem um obrigação de agir para evitar crimes contra a humanidade não importa onde tenham acontecido, disse Stephen Biddle, um especialista em política militar e externa dos EUA na Universidade George Washington. Biddle apontou que a doutrina está sendo cada vez mais vista como algo que supera a necessidade de respeitar a soberania de um país.

"As duas vias naturais (para uma ação militar) são a ONU e a doutrina da responsabilidade de proteger", disse.

MSF: Hospitais na Síria atenderam 3,6 mil com sintomas neurotóxicos

Um empurrão para o apoio internacional ganhou força na terça, quando a Liga Árabe pareceu apoiar uma ação militar, depositando a culpa pelo suposto ataque químico no regime de Assad e conclamando o Conselho de Segurança a concordar com medidas "dissuasórias" contra aqueles que cometeram "esse crime hediondo".

Veja imagens da guerra na Síria desde o início deste ano:

Família síria acena a parentes após entrar em ônibus em direção a aeroporto para ir à Alemanha, onde foram aceitos como asilados temporários, em Beirute, Líbano (10/10). Foto: APTanque velho sírio é cercado por fogo após explosão de morteiros nas Colinas do Golan, território controlado por Israel (16/07). Foto: APCombatentes do Exército Sírio Livre carregam suas armas e se preparam para ofensiva contra forças leais a Assad em Deir al-Zor (12/07). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria corre para buscar proteção perto de aeroporto militar de Nairab, em Aleppo (12/06). Foto: ReutersProtesto em Beirute contra a participação do Hezbollah na guerra síria (09/06). Foto: APFumaça é vista no vilarejo sírio de Quneitra perto da fronteira de Israel´(06/06). Foto: APLibanês foi ferido após segundo foguete de rebeldes sírios atingir sua casa em Hermel (29/05). Foto: APRefugiados sírios são abrigados em prédio da cidade turca de Reyhanli, perto da fronteira com a Síria (12/05). Foto: APHomens carregam ferido após explosão em cidade turca perto da fronteira síria (11/05). Foto: ReutersExplosão em cidade turca perto da fronteira com a Síria deixa dezenas de mortos (11/05). Foto: ReutersResidente caminha sobre destroços de prédios em rua de Deir al-Zor, Síria (09/05). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria descansa em pilha de sacos de areia em campo de refugiados (06/05). Foto: APIsrael atacou instalações militares na área de Damasco, acusa Síria (05/05). Foto: BBCReprodução de vídeo mostra fumaça e fogo no céu sobre Damasco na madrugada deste domingo (05/05). Foto: APPresidente da Síria, Bashar al-Assad (D), visita universidade em Damasco (04/05). Foto: APReprodução de vídeo mostra corpos em Bayda, Síria (03/05). Foto: APBombeiros apagam fogo de carro em chamas em cena de explosão no distrito central de Marjeh, Damasco, Síria (30/04). Foto: APReprodução de vídeo mostra bombardeio em Daraya, Síria (25/04). Foto: APDruso carrega retrato do presidente sírio em que se lê 'Síria, Deus protege você', nas, Colinas do Golan (17/04). Foto: APFumaça e carros destruídos na praça Sabaa Bahrat, em Damasco, após explosão de carro-bomba (08/04). Foto: APMembro de Exército da Libertação da Síria segura arma em rua de Deir al-Zor (02/04). Foto: ReutersReprodução de vídeo mostra militantes do Exército Livre da Síria durante combates em Damasco (25/03). Foto: APManifestantes protestam contra Bashar al-Assad em Aleppo, na Síria (23/03). Foto: ReutersMesa de xeque Mohammad Said Ramadan al-Buti, aliado de Assad, é vista após ataque em Damasco (21/03). Foto: APSírio vítima de suposto ataque químico recebe tratamento em Khan al-Assal, de acordo com agência estatal (19/03). Foto: APSírias são vistos perto de corpos retirados de rio perto de bairro de Aleppo (10/03). Foto: APReprodução de vídeo mostra soldado do governo sírio morto em academia de polícia em Khan al-Asal, Aleppo (03/03). Foto: APHomem chora em local atingido por míssil no bairro de Ard al-Hamra, em Aleppo, Síria (fevereiro). Foto: ReutersMembro do Exército Livre da Síria aponta arma durante supostos confrontos contra forças de Assad em Aleppo (26/02). Foto: ReutersMembros de grupo islâmico seguram armas durante protesto contra regime em Deir el-Zor (25/02). Foto: ReutersMorador escreve em lápide nome de neta morta em ataque contra vila em Idlib, Síria (24/02). Foto: APChamas e fumaça são vistas em local de ataque no centro de Damasco, Síria (21/02). Foto: APRebeldes do Exército Livre da Síria preparam munições perto do aeroporto militar de Menagh, no interior de Aleppo (25/01). Foto: ReutersRebeldes da Frente al-Nusra, afiliada à Al-Qaeda, seguram sua bandeira no topo de helicóptero da Força Aérea da Síria na base de Taftanaz (11/01). Foto: APCrianças sírias viajam em caminhonete em Aleppo (02/01). Foto: Reuters

Retaliação: Obama considera ataque limitado contra Síria

Com pouco apetite entre os americanos para mergulhar em outro conflito no Oriente Médio, o governo Obama avalia atacar a Síria de forma limitada. O objetivo não seria uma mudança de regime - como foi o caso no Iraque -, mas pressionar a Síria por suas violações de tratados internacionais de armas químicas, disse o porta-voz da Casa Branca Jay Carney.

Obter o envolvimento da Otan não é certo: a coalizão militar requer consenso para uma ação desse tipo, e há sinais de relutância. Catherine Ashton, a chefe de política externa da União Europeia, disse que o apoio do Conselho de Segurança para o uso da força contra a Síria continua "extremamente importante".

Isso levanta a questão sobre se os EUA e seus aliados, se decidirem lançar um ataque militar, tentarão conseguir a aprovação da ONU. Pollack disse que forçar os russos e os chineses a votar "não" poderia ajudar a persuadir países relutantes. "Você demonstra que tentou e, esperançosamente, isola os russos ao fazê-lo", disse. Por outro lado, se muitos membros do Conselho de Segurança aderirem ao "não", poderia prejudicar a impressão de um forte apoio internacional. "Poderia ser constrangedor", disse Pollack.

*Com AP

Texto

notícias relacionadas