Suposto ataque químico na Síria é 'evento de grave preocupação', diz Obama

Por iG São Paulo |

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Pressionado para agir, presidente americano alertou sobre importância de governo Assad permitir investigações

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse em entrevista à rede americana CNN que a comunidade internacional precisa saber mais informações sobre o possível ataque com armas químicas na Síria, e pediu ao governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, que autorize uma investigação completa. O suposto ataque, que segundo vários grupos de oposição teria deixado entre 100 e 1,3 mil mortos, provocou comparações com o uso de gás letal contra milhares de curdos iraquianos em Halabja, em 1988.

Resposta: Obama fica sob pressão para agir após suposto ataque na Síria

Galeria de fotos: Veja imagens do suposto ataque químico na Síria

AP
Corpos de crianças mortas em suposto ataque químico jazem na região de Ghouta, Síria

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"O que temos visto indica que esse é claramente um grande evento, de grave preocupação", disse o presidente, que, no ano passado, dissera que o uso de armas químicas na Síria representaria o cruzamento de uma "linha vermelha" e forçaria uma dura resposta dos EUA.

Autoridades do governo americano confirmaram em junho que agentes químicos haviam sido utilizados no país em abril, resultando em um pequeno incremento na ajuda militar oferecida aos rebeldes, mas que foi pouco para acalmar os críticos da Casa Branca.

Assista: Vídeos mostram vítimas de suposto ataque químico na Síria

Na entrevista, ele afirmou que "interesses americanos essenciais" estavam envolvidos no conflito sírio, "tanto em termos de garantirmos que armas de destruição em massa não estejam se proliferando, quanto a necessidade de proteger nossos aliados, nossas bases na região".

Apesar disso, Obama acrescentou que "a noção de que os EUA pode de alguma forma resolver o que é um problema sectário e complexo dentro da Síria, às vezes, é exagerada". "Não esperamos colaboração (do governo sírio) dado o seu histórico."

Imagens feitas após o suposto ataque mostraram dezenas de corpos dispostos no chão, sem sinais visíveis de ferimentos. Alguns tinham espuma no nariz e na boca.

No mesmo dia da transmissão da entrevista do presidente Obama, o principal aliado da Síria, a Rússia, pediu que o governo deixe a equipe de 20 membros da Organização das Nações Unidas (ONU), que está no país, investigue as acusações. "Agora cabe à oposição garantir acesso seguro à missão para o suposto local do incidente", disse o chanceler Serguei Lavrov em comunicado.

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Veja imagens do conflito sírio:

Família síria acena a parentes após entrar em ônibus em direção a aeroporto para ir à Alemanha, onde foram aceitos como asilados temporários, em Beirute, Líbano (10/10). Foto: APTanque velho sírio é cercado por fogo após explosão de morteiros nas Colinas do Golan, território controlado por Israel (16/07). Foto: APCombatentes do Exército Sírio Livre carregam suas armas e se preparam para ofensiva contra forças leais a Assad em Deir al-Zor (12/07). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria corre para buscar proteção perto de aeroporto militar de Nairab, em Aleppo (12/06). Foto: ReutersProtesto em Beirute contra a participação do Hezbollah na guerra síria (09/06). Foto: APFumaça é vista no vilarejo sírio de Quneitra perto da fronteira de Israel´(06/06). Foto: APLibanês foi ferido após segundo foguete de rebeldes sírios atingir sua casa em Hermel (29/05). Foto: APRefugiados sírios são abrigados em prédio da cidade turca de Reyhanli, perto da fronteira com a Síria (12/05). Foto: APHomens carregam ferido após explosão em cidade turca perto da fronteira síria (11/05). Foto: ReutersExplosão em cidade turca perto da fronteira com a Síria deixa dezenas de mortos (11/05). Foto: ReutersResidente caminha sobre destroços de prédios em rua de Deir al-Zor, Síria (09/05). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria descansa em pilha de sacos de areia em campo de refugiados (06/05). Foto: APIsrael atacou instalações militares na área de Damasco, acusa Síria (05/05). Foto: BBCReprodução de vídeo mostra fumaça e fogo no céu sobre Damasco na madrugada deste domingo (05/05). Foto: APPresidente da Síria, Bashar al-Assad (D), visita universidade em Damasco (04/05). Foto: APReprodução de vídeo mostra corpos em Bayda, Síria (03/05). Foto: APBombeiros apagam fogo de carro em chamas em cena de explosão no distrito central de Marjeh, Damasco, Síria (30/04). Foto: APReprodução de vídeo mostra bombardeio em Daraya, Síria (25/04). Foto: APDruso carrega retrato do presidente sírio em que se lê 'Síria, Deus protege você', nas, Colinas do Golan (17/04). Foto: APFumaça e carros destruídos na praça Sabaa Bahrat, em Damasco, após explosão de carro-bomba (08/04). Foto: APMembro de Exército da Libertação da Síria segura arma em rua de Deir al-Zor (02/04). Foto: ReutersReprodução de vídeo mostra militantes do Exército Livre da Síria durante combates em Damasco (25/03). Foto: APManifestantes protestam contra Bashar al-Assad em Aleppo, na Síria (23/03). Foto: ReutersMesa de xeque Mohammad Said Ramadan al-Buti, aliado de Assad, é vista após ataque em Damasco (21/03). Foto: APSírio vítima de suposto ataque químico recebe tratamento em Khan al-Assal, de acordo com agência estatal (19/03). Foto: APSírias são vistos perto de corpos retirados de rio perto de bairro de Aleppo (10/03). Foto: APReprodução de vídeo mostra soldado do governo sírio morto em academia de polícia em Khan al-Asal, Aleppo (03/03). Foto: APHomem chora em local atingido por míssil no bairro de Ard al-Hamra, em Aleppo, Síria (fevereiro). Foto: ReutersMembro do Exército Livre da Síria aponta arma durante supostos confrontos contra forças de Assad em Aleppo (26/02). Foto: ReutersMembros de grupo islâmico seguram armas durante protesto contra regime em Deir el-Zor (25/02). Foto: ReutersMorador escreve em lápide nome de neta morta em ataque contra vila em Idlib, Síria (24/02). Foto: APChamas e fumaça são vistas em local de ataque no centro de Damasco, Síria (21/02). Foto: APRebeldes do Exército Livre da Síria preparam munições perto do aeroporto militar de Menagh, no interior de Aleppo (25/01). Foto: ReutersRebeldes da Frente al-Nusra, afiliada à Al-Qaeda, seguram sua bandeira no topo de helicóptero da Força Aérea da Síria na base de Taftanaz (11/01). Foto: APCrianças sírias viajam em caminhonete em Aleppo (02/01). Foto: Reuters

Outros líderes mundiais também pressionam por uma investigação urgente. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu um exame detalhado "sem atraso". "Eu não consigo pensar em uma boa razão por que algum partido - ou governo ou forças de oposição - recusariam essa oportunidade de se chegar à verdade da questão", disse.

Ele afirmou que qualquer uso de armas químicas violaria as leis internacionais e resultariam em "sérias consequências ao responsável". O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, disse que está discutindo com Ban, com o secretário de Estado americano, John Kerry, e com o chanceler do Catar para pressionar por um acesso imediato à equipe da ONU.

Junho: EUA confirmam uso de armas químicas por forças de Assad

"Cada dia sem acesso da ONU é um dia no qual as evidências podem se deteriorar ou ser escondidas pelos responsáveis", disse Hague.

O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, alertou que a comunidade internacional deveria reagir "com força" caso o uso de armas químicas seja confirmado.

De acordo com a agência Reuters, ativistas da oposição no país estão tentando contrabandear amostras de tecidos dos corpos das vítimas para levar aos inspetores da ONU para provar suas acusações.

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Reação: França defende uso da força caso ataque químico na Síria seja provado

"A equipe da ONU falou com a gente e desde então preparamos amostras de cabelo, bele e sangue e contrabandeamos essas amostras para Damasco através de mensageiros de confiança", disse o ativista Abu Nidal à agência.

Os especialistas da ONU chegaram a Damasco há quatro dias para investigar supostos três ataques lançados meses atrás. O governo sírio, porém, não ofereceu nenhuma resposta pública imediata aos chamados para que a ONU tenha acesso às áreas dos ataques. Até o momento, o regime Assad descreveu as acusações relacionadas ao uso de armas químicas como "ilógicas e fabricadas".

AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, faz pausa durante coletiva na Casa Branca, Washington (foto de arquivo)

A brutal guerra civil síria, que já deixou mais de 100 mil mortos em mais de dois anos e dividiu o Oriente Médio em amplas linhas sectárias. Também nesta sexta-feira, a ONU afimrou que o npumero de crianças refugiadas da Síria alcançou um milhão, o que corresponde a metade de todos os refugiados. Cerca de três quartos dessas crianças têm menos de 11 anos.

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"A juventude da Síria está perdendo suas casas, seus parentes e seus futuros", destacou o chefe do Alto Comissariado da ONU para Refugiados António Gutérres. A maioria das crianças foi para o Líbano, a Jordânia, a Turquia, o Iraque e o Egito, segundo a ONU.

Com AP, Reuters e BBC

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