Obama fica sob pressão para agir após suposto ataque químico na Síria

Por iG São Paulo |

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Apesar de relato de centenas de mortos, EUA não mostram apetite para outra intervenção militar no mundo islâmico

O presidente dos EUA, Barack Obama, está sendo pressionado dentro e fora de seu país para agir de forma incisiva diante das acusações de que o governo sírio matou centenas em um ataque com armas químicas. O suposto ataque provocou comparações com o uso de gás letal contra milhares de curdos iraquianos em Halabja, em 1988.

Quarta: Oposição síria acusa governo de matar centenas em ataque químico

AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, responde a saudação militar ao sair de helicóptero Marine One na Base da Força Aérea Andrews

Assista: Vídeos mostram vítimas de suposto ataque químico na Síria

A porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, disse nesta quinta que os EUA não têm condições de afirmar conclusivamente se gás foi usado na madrugada de quarta nos arredores de Damasco, afirmando que Obama apelou à comunidade de inteligência para reunir informações com urgência para ajudar a verificar as alegações.

"Isso significa reunir informações de testemunhas no terreno, significa coleta de inteligência, significa relatos abertos, significa dados científicos", disse Psaki, reconhecendo que pode ser uma tarefa difícil, já que os EUA não têm relações diplomáticas com a Síria.

Imagens mostraram dezenas de corpos dispostos no chão, sem sinais visíveis de ferimentos. Alguns tinham espuma no nariz e na boca.

Galeria de fotos: Veja imagens do suposto ataque químico na Síria

Apesar de a Casa Branca ter dito estar "abismada" com os relatos sobre o suposto ataque, deixou claro que a reação americana aguardará a confirmação do fato e voltou a exigir que o presidente sírio, Bashar al-Assad, garanta acesso imediato de inspetores da ONU ao local. Os especialistas da ONU chegaram a Damasco há quatro dias para investigar supostos três ataques lançados meses atrás.

O governo sírio, porém, não ofereceu nenhuma resposta pública imediata aos chamados para que a ONU tenha acesso às áreas dos ataques. Por enquanto, as autoridades sírias se limitaram a descrever as alegações contra suas forças de "ilógicas e fabricadas".

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Reuters
Ativistas sírios inspecionam corpos de supostas vítimas de ataque químico na região de Ghouta, no bairro de Duma, Damasco (21/8)

A resposta cautelosa dos EUA à denúncia condiz com a relutância de Washington em intervir na brutal guerra civil síria, que já deixou mais de 100 mil mortos em mais de dois anos e dividiu o Oriente Médio em amplas linhas sectárias.

Mas, se as acusações de um ataque com gás com centenas de mortos forem confirmadas, Obama certamente enfrentará uma forte pressão para agir mais agressivamente, possivelmente até com força militar, pois ele próprio já havia dito que o uso de armas químicas seria um limite inaceitável no conflito.

Junho: EUA confirmam uso de armas químicas por forças de Assad

Nesta quinta-feira, a porta-voz do Departamento de Estado disse que a linha tinha sido ultrapassada "um par de meses atrás" e havia uma gama de opções que Obama e sua equipe de segurança nacional estavam considerando. Ela se recusou a falar sobre o que essas ações poderiam ser, embora a Casa Branca tenha declarado em junho que ofereceria ajuda militar a grupos de rebeldes sírios.

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O consenso em Washington e nas capitais aliadas é de que uma resposta internacional organizada só pode dar certo se tiver os EUA na liderança. Mas Obama não demonstra apetite por uma intervenção, uma vez que a pesquisas mostram que a maioria dos americanos se opõe a novos envolvimentos militares no mundo islâmico.

Veja imagens da guerra na Síria desde o início deste ano:

Família síria acena a parentes após entrar em ônibus em direção a aeroporto para ir à Alemanha, onde foram aceitos como asilados temporários, em Beirute, Líbano (10/10). Foto: APTanque velho sírio é cercado por fogo após explosão de morteiros nas Colinas do Golan, território controlado por Israel (16/07). Foto: APCombatentes do Exército Sírio Livre carregam suas armas e se preparam para ofensiva contra forças leais a Assad em Deir al-Zor (12/07). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria corre para buscar proteção perto de aeroporto militar de Nairab, em Aleppo (12/06). Foto: ReutersProtesto em Beirute contra a participação do Hezbollah na guerra síria (09/06). Foto: APFumaça é vista no vilarejo sírio de Quneitra perto da fronteira de Israel´(06/06). Foto: APLibanês foi ferido após segundo foguete de rebeldes sírios atingir sua casa em Hermel (29/05). Foto: APRefugiados sírios são abrigados em prédio da cidade turca de Reyhanli, perto da fronteira com a Síria (12/05). Foto: APHomens carregam ferido após explosão em cidade turca perto da fronteira síria (11/05). Foto: ReutersExplosão em cidade turca perto da fronteira com a Síria deixa dezenas de mortos (11/05). Foto: ReutersResidente caminha sobre destroços de prédios em rua de Deir al-Zor, Síria (09/05). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria descansa em pilha de sacos de areia em campo de refugiados (06/05). Foto: APIsrael atacou instalações militares na área de Damasco, acusa Síria (05/05). Foto: BBCReprodução de vídeo mostra fumaça e fogo no céu sobre Damasco na madrugada deste domingo (05/05). Foto: APPresidente da Síria, Bashar al-Assad (D), visita universidade em Damasco (04/05). Foto: APReprodução de vídeo mostra corpos em Bayda, Síria (03/05). Foto: APBombeiros apagam fogo de carro em chamas em cena de explosão no distrito central de Marjeh, Damasco, Síria (30/04). Foto: APReprodução de vídeo mostra bombardeio em Daraya, Síria (25/04). Foto: APDruso carrega retrato do presidente sírio em que se lê 'Síria, Deus protege você', nas, Colinas do Golan (17/04). Foto: APFumaça e carros destruídos na praça Sabaa Bahrat, em Damasco, após explosão de carro-bomba (08/04). Foto: APMembro de Exército da Libertação da Síria segura arma em rua de Deir al-Zor (02/04). Foto: ReutersReprodução de vídeo mostra militantes do Exército Livre da Síria durante combates em Damasco (25/03). Foto: APManifestantes protestam contra Bashar al-Assad em Aleppo, na Síria (23/03). Foto: ReutersMesa de xeque Mohammad Said Ramadan al-Buti, aliado de Assad, é vista após ataque em Damasco (21/03). Foto: APSírio vítima de suposto ataque químico recebe tratamento em Khan al-Assal, de acordo com agência estatal (19/03). Foto: APSírias são vistos perto de corpos retirados de rio perto de bairro de Aleppo (10/03). Foto: APReprodução de vídeo mostra soldado do governo sírio morto em academia de polícia em Khan al-Asal, Aleppo (03/03). Foto: APHomem chora em local atingido por míssil no bairro de Ard al-Hamra, em Aleppo, Síria (fevereiro). Foto: ReutersMembro do Exército Livre da Síria aponta arma durante supostos confrontos contra forças de Assad em Aleppo (26/02). Foto: ReutersMembros de grupo islâmico seguram armas durante protesto contra regime em Deir el-Zor (25/02). Foto: ReutersMorador escreve em lápide nome de neta morta em ataque contra vila em Idlib, Síria (24/02). Foto: APChamas e fumaça são vistas em local de ataque no centro de Damasco, Síria (21/02). Foto: APRebeldes do Exército Livre da Síria preparam munições perto do aeroporto militar de Menagh, no interior de Aleppo (25/01). Foto: ReutersRebeldes da Frente al-Nusra, afiliada à Al-Qaeda, seguram sua bandeira no topo de helicóptero da Força Aérea da Síria na base de Taftanaz (11/01). Foto: APCrianças sírias viajam em caminhonete em Aleppo (02/01). Foto: Reuters

As potências ocidentais apoiam a oposição síria, mas estão relutantes em se comprometer totalmente com uma revolta cada vez mais dominada por islâmicos ligados à Al-Qaeda. Apesar disso, a difusão pela internet de terríveis fotos e vídeos mostrando vítimas do massacre está pressionando Obama.

Reação: França defende uso da força caso ataque químico na Síria seja provado

O chanceler francês, Laurent Fabius, disse que as potências mundiais devem responder com força se for comprovada a responsabilidade do governo sírio no que teria sido o mais grave ataque com armas químicas contra civis em um quarto de século. Mas mesmo Fabius salientou que não há hipótese de enviar tropas terrestres.

O Reino Unido disse que nenhuma opção "que pudesse salvar vidas inocentes na Síria" deveria ser descartada. Mas as forças europeias pouco podem fazer sem a ajuda dos EUA.

Reação: ONU faz reunião de emergência sobre suposto ataque químico

AP
Imagem fornecida pelo Gabinete de Mídia da Douma mostra sírio ao lado de corpos de vítimas mortas por suposto ataque químico em Douma (21/8)

Israel afirmou acreditar que as forças do governo tenham usado armas químicas para matar centenas em subúrbios de Damasco controlados por rebeldes e acusou o mundo de fechar os olhos para isso.

Já Obama, que faz uma viagem de dois dias pelo nordeste dos EUA para discutir questões econômicas, não fez nesta quinta-feira nenhuma menção à situação na Síria.

NYT: Procedimentos complexos dificultam averiguação de uso de armas químicas

"O fato de estarmos fazendo essa viagem de ônibus é uma indicação de que o presidente mantém suas prioridades enquanto continua monitorando o que é uma situação cada vez mais trágica na Síria", disse o porta-voz presidencial Josh Earnest.

No Capitólio, o influente senador republicano John McCain disse que "relatos confiáveis" vindos da Síria sobre o uso de armas químicas pelas forças de Assad "deveriam chocar nossa consciência coletiva".

"Já passa muito da hora de os EUA e nossos amigos e aliados respondermos às continuadas atrocidades em massa de Assad na Síria, com ações decisivas, incluindo ataques militares limitados para degradar o poderio aéreo e as capacidades de mísseis balísticos de Assad", disse em nota.

*Com Reuters

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