Chanceler cobra comunidade internacional por posicionamento, mas descarta envio de tropas ao país

O ministro das Relações Exteriores da França defendeu nesta quinta-feira (22) o uso da força pela comunidade internacional caso fique provado que o regime de Bashar al-Assad usou armas químicas em um ataque relatado pela oposição . Segundo vários grupos opositores, o ataque deixou entre 100 e 1,3 mil mortos, entre eles crianças. Não há como confirmar de forma independente as informações e o governo negou ter usado armas químicas.

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Ativistas sírios inspecionam corpos de supostas vítimas de ataque químico na região de Ghouta region, no bairro de Duma, Damasco (21/8)
Reuters
Ativistas sírios inspecionam corpos de supostas vítimas de ataque químico na região de Ghouta region, no bairro de Duma, Damasco (21/8)

Galeria de fotos: Veja imagens do suposto ataque químico na Síria

Assista: Vídeos mostram vítimas de suposto ataque químico na Síria

Laurent Fabius falou um dia depois que o Conselho de Segurança da ONU pediu uma "investigação profunda, imparcial e minuciosa" das recentes acusações contra o regime, em um comunicado que, segundo os diplomatas, foi revestido de objeções por parte da Rússia e da China, aliados históricos de Assad.

Também nesta quinta-feira, segundo ativistas, forças do regime sírio bombardearam subúrbios de Damasco controlados por rebeldes, mantendo a pressão na área atingida pelo suposto ataque químico de quarta.

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Falando à rádio RMC, Fabius não deixou claro como o uso de armas químicas pelo regime sírio pode ser provado. Mas, segundo ele, se houver provas de um ataque com armas químicas pelo regime, "precisamos de uma reação da comunidade internacional...uma reação de força".

"Se o Conselho de Segurança da ONU não fizer isso, as decisões serão tomadas de outra forma", disse. Fabius descartou, entretanto, enviar tropas francesas ao país.

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O chanceler afirmou que conversou por horas com o presidente da opositora Coalizão Nacional Síria, Ahmad al-Jarba, que "absolutamente confirmou" que o regime estava atrás do ataque químico.

O ataque coincide com a visita à Síria de uma equipe de 20 membros da ONU que possui permissão para investigar apenas três acusações anteriores de uso de armas químicas na guerra. Sem um mandato, que só expedido com a aprovação da Síria, os investigadores não seriam capazes de visitar o local do ataque.

Crianças afetadas por suposto ataque químico respiram com máscaras de oxigênio no subúrbio de Saqba, Damasco
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Crianças afetadas por suposto ataque químico respiram com máscaras de oxigênio no subúrbio de Saqba, Damasco

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Os chanceleres da Turquia e da Alemanha destacaram demandas para o regime sírio para permitir que inspetores da ONU investiguem, mas foram vagos sobre as consequências caso isso não aconteça, apesar de renovar o pedido por sanções. "Muitas linhas vermelhas foram cruzadas - se as sanções não forem impostas imediatamente, vamos perder nosso poder de deter", disse Ahmet Davutoglu.

Seu colega alemão foi mais hesitoso sobre uma eventual resposta. "Eu não estou especulando sobre o que deveria acontecer se esses relatos se provarem verdadeiros", disse Guido Westerwele. "Essas acusações são tão sérias, tão monstruosas, que é necessário fazer um exame real antes de conversar ou especular sobre consequências."

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Davutoglu, falando através de um intérprete, disse que as acusações "devem ser esclarecidas de forma objetiva". Ele disse que falou com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e disse a ele que "a ONU não deve mais se comportar de forma hesitosa; sanções devem ser impostas."

O vice-primeiro-ministro da Turquia, Bekir Bozdag, insistiu que estava claro que o regime Assad usou armas químicas. "Está claro que armas químicas foram usadas. Está claro que na Síria somente o governo Assad tem acesso a essas armas", disse. "O mundo inteiro sabe quem tem armas químicas, quantas têm, onde estão essas armas e para onde elas vão. Isso é claro como o dia. Todo mundo sabe quem usou armas químicas."

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Veja imagens do conflito sírio:

Assim como Bozdag, o ministro de Inteligência e Negócios Estratégicos de Israel, Yuval Steinitz, disse que armas químicas foram usadas na Síria na quarta-feira e sinalizou que a utilização se deu por parte do regime. Segundo ele, suas conclusões são baseadas em "estimativas da inteligência".

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Nesta quinta, foguetes disparados de lançadores múltiplos e disparos de morteiros pesados atingiram os bairros de Jobar e Zamalka, localizados na periferia leste de Damasco, segundo ativistas. Foguetes também teriam atingido o distrito vizinho de Qaboun, ao norte, onde os combatentes rebeldes têm repelido tentativas por parte das forças leais ao presidente de tomar a área, e também áreas do campo de refugiados palestinos de Yarmouk, ao sul.

Com AP e Reuters

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