ONU faz reunião de emergência sobre denúncia de ataque químico na Síria

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Organização tenta obter com governo acesso a local onde ataque supostamente matou entre 100 e 1,3 mil sírios

O Conselho de Segurança da ONU manteve consultas de emergência nesta quarta-feira sobre o mais recente relato de uso de armas químicas na Síria, e o secretário-geral da organização, Ban ki-moon, disse estar determinado em assegurar uma "investigação completa" de todos os incidentes relatados.

Galeria de fotos: Veja imagens do suposto ataque químico na Síria

AP
Homem e mulher velam corpos de sírios após suposta ataque com gás venenoso lançado pelas forças do regime de Assad

Assista: Vídeos mostram vítimas de suposto ataque químico na Síria

O vice-porta-voz da ONU, Eduardo del Buey, disse que o secretário-geral está "chocado" com o relato do suposto uso de armas químicas nos subúrbios a leste de Damasco.

Ativistas antigoverno da Síria acusam o regime de Bashar al-Assad de lançar um ataque com um gás tóxico, deixando entre 100 e mais de 1,3 mil mortos, incluindo muitas crianças enquanto dormiam. Não há como confirmar de forma independente as informações. O governo negou ter usado armas químicas.

Plano: ONU investigará três supostos ataques com armas químicas na Síria

O ataque coincide com a visita de 20 especialistas de armas químicas da ONU, que estão na Síria para investigar três locais onde supostamente houve ataques químicos no ano passado. Sua presença levanta a questão de por que o regime - que classificou as acusações desta quarta de "absolutamente infudadas" - usaria armamento não convencional neste momento.

Entenda: Saiba o que é o sarin, arma química supostamente usada na Síria

O vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, informou o conselho nesta quarta sobre o incidente. Os membros do principal órgão da ONU disseram não saber se haveria uma declaração após seu encontro.

Uma carta esboçada pelo Reino Unido e França foi enviada ao secretário-geral requerendo que a equipe no país realizasse "uma investigação urgente o mais rápido possível" sobre o incidente desta quarta. Mais de metade dos 15 países do Conselho de Segurança, incluindo EUA, Austrália, Luxemburgo e Alemanha, também assinaram a correspondência, disseram diplomatas da ONU.

Junho: EUA confirmam uso de armas químicas por forças de Assad na Síria

Reuters
Sírios colocam corpos de vítimas de suposto ataque químico em vala comum em Hamoria, área nos subúrbios a leste de Damasco

Denúncias:
- França: Testes confirmam uso de sarin na Síria. ONU aponta possível utilização
- Israel acusa governo Assad de usar armas químicas contra rebeldes sírios
- Exames em sírios mostram sinais de uso de armas químicas, diz Turquia

A carta, obtida pela Associated Press, citou "informações críveis de uso de armas químicas" e conclamou o secretário-geral a "fazer tudo que puder para assegurar que a missão tenha acesso urgente a todos os locais relevantes e fontes de informação".

Um porta-voz da Casa Branca disse que os EUA pediram que a ONU investigue e querem um debate no Conselho de Segurança.

Sob os termos do acordo entre a ONU e o governo sírio, a equipe da ONU investigará um suposto ataque com armas químicas na vila de Khan al-Assal, perto da cidade de Aleppo, que foi capturada por rebeldes no mês passado. Também investigará outros dois locais de supostos ataques que estão sendo mantidos em segredo por questões de segurança.

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Especialistas de armas químicas levantaram dúvidas se os analistas encontrarão qualquer coisas nos três locais, já que os supostos ataques aconteceram há meses. Ainda não se sabe se a equipe da ONU terá permissão de ir ao local do suposto ataque desta quarta, pois, para isso, é necessária aprovação de Damasco.

Veja imagens da guerra na Síria desde o início deste ano:

Família síria acena a parentes após entrar em ônibus em direção a aeroporto para ir à Alemanha, onde foram aceitos como asilados temporários, em Beirute, Líbano (10/10). Foto: APTanque velho sírio é cercado por fogo após explosão de morteiros nas Colinas do Golan, território controlado por Israel (16/07). Foto: APCombatentes do Exército Sírio Livre carregam suas armas e se preparam para ofensiva contra forças leais a Assad em Deir al-Zor (12/07). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria corre para buscar proteção perto de aeroporto militar de Nairab, em Aleppo (12/06). Foto: ReutersProtesto em Beirute contra a participação do Hezbollah na guerra síria (09/06). Foto: APFumaça é vista no vilarejo sírio de Quneitra perto da fronteira de Israel´(06/06). Foto: APLibanês foi ferido após segundo foguete de rebeldes sírios atingir sua casa em Hermel (29/05). Foto: APRefugiados sírios são abrigados em prédio da cidade turca de Reyhanli, perto da fronteira com a Síria (12/05). Foto: APHomens carregam ferido após explosão em cidade turca perto da fronteira síria (11/05). Foto: ReutersExplosão em cidade turca perto da fronteira com a Síria deixa dezenas de mortos (11/05). Foto: ReutersResidente caminha sobre destroços de prédios em rua de Deir al-Zor, Síria (09/05). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria descansa em pilha de sacos de areia em campo de refugiados (06/05). Foto: APIsrael atacou instalações militares na área de Damasco, acusa Síria (05/05). Foto: BBCReprodução de vídeo mostra fumaça e fogo no céu sobre Damasco na madrugada deste domingo (05/05). Foto: APPresidente da Síria, Bashar al-Assad (D), visita universidade em Damasco (04/05). Foto: APReprodução de vídeo mostra corpos em Bayda, Síria (03/05). Foto: APBombeiros apagam fogo de carro em chamas em cena de explosão no distrito central de Marjeh, Damasco, Síria (30/04). Foto: APReprodução de vídeo mostra bombardeio em Daraya, Síria (25/04). Foto: APDruso carrega retrato do presidente sírio em que se lê 'Síria, Deus protege você', nas, Colinas do Golan (17/04). Foto: APFumaça e carros destruídos na praça Sabaa Bahrat, em Damasco, após explosão de carro-bomba (08/04). Foto: APMembro de Exército da Libertação da Síria segura arma em rua de Deir al-Zor (02/04). Foto: ReutersReprodução de vídeo mostra militantes do Exército Livre da Síria durante combates em Damasco (25/03). Foto: APManifestantes protestam contra Bashar al-Assad em Aleppo, na Síria (23/03). Foto: ReutersMesa de xeque Mohammad Said Ramadan al-Buti, aliado de Assad, é vista após ataque em Damasco (21/03). Foto: APSírio vítima de suposto ataque químico recebe tratamento em Khan al-Assal, de acordo com agência estatal (19/03). Foto: APSírias são vistos perto de corpos retirados de rio perto de bairro de Aleppo (10/03). Foto: APReprodução de vídeo mostra soldado do governo sírio morto em academia de polícia em Khan al-Asal, Aleppo (03/03). Foto: APHomem chora em local atingido por míssil no bairro de Ard al-Hamra, em Aleppo, Síria (fevereiro). Foto: ReutersMembro do Exército Livre da Síria aponta arma durante supostos confrontos contra forças de Assad em Aleppo (26/02). Foto: ReutersMembros de grupo islâmico seguram armas durante protesto contra regime em Deir el-Zor (25/02). Foto: ReutersMorador escreve em lápide nome de neta morta em ataque contra vila em Idlib, Síria (24/02). Foto: APChamas e fumaça são vistas em local de ataque no centro de Damasco, Síria (21/02). Foto: APRebeldes do Exército Livre da Síria preparam munições perto do aeroporto militar de Menagh, no interior de Aleppo (25/01). Foto: ReutersRebeldes da Frente al-Nusra, afiliada à Al-Qaeda, seguram sua bandeira no topo de helicóptero da Força Aérea da Síria na base de Taftanaz (11/01). Foto: APCrianças sírias viajam em caminhonete em Aleppo (02/01). Foto: Reuters

NYT: Procedimentos complexos dificultam averiguação de uso de armas químicas

Com o objetivo de conseguir o acesso, o chefe de inspetores de armas químicas da ONU, Ake Sellstrom, está em discussões com o governo sírio.

"O professor Sellstrom está em discussões com o governo sírio sobre todas as questões relativas à suposta utilização de armas químicas, incluindo este mais recente incidente relatado", disse o escritório de comunicação da ONU em comunicado.

Imagens: Vídeos e depoimentos indicam uso de armas químicas na Síria

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia pediu uma investigação justa e profissional sobre informações de que as tropas leais a Assad foram responsáveis pelo suposto ataque. Mas Moscou sugeriu que os rebeldes podem ter encenado a suposta agressão para provocar uma ação internacional.

Depoimento: Jornalista relata suposto ataque com armas químicas na Síria

Não ficou imediatamente claro como o governo sírio responderia às solicitações para permitir que a equipe de Sellstrom investigue o suposto incidente. A ONU e o governo de Assad estiveram em conversações durante meses antes de um acordo levar à chegada da equipe de Sellstrom a Damasco nesta semana.

*Com AP e Reuters

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