Prisão de líder não fará Irmandade Muçulmana perder o rumo no Egito, diz grupo

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Guia espiritual e pregador estão em lista de quase cem integrantes do movimento islâmico presos nesta terça

A Irmandade Muçulmana condenou a prisão de seu líder espirirual, Mohammad Badie, por alegações de incitamento à violência e ao assassinato de oito manifestantes contrários ao movimento islâmico do lado de fora da sede do grupo no Cairo em julho. 

Badie: Egito prende principal líder espiritual da Irmandade Muçulmana

AP
Egípcio segura jornal Al-Ahram no Cairo, com foto de líder espiritual da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie (E), depois de prisão

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Além de Badie, o pregador Safwat Hegazy, outra figura importante do grupo, também foi preso, compondo uma lista de quase cem membros da Irmandade postos sob custódia nesta terça-feira. Desde a deposição do presidente islamita Mohammed Morsi em 3 de julho, centenas de integrantes da Irmandade foram presos no Egito.

Em uma coletiva, Khaled Hanafi, membro do Partido Liberdade e Justiça - o braço político da Irmandade -, disse que a prisão de Badie fazia parte de uma conspiração contra a revolução que depôs o autocrata Hosni Mubarak em 2011. Hanafi também afirmou que a organização não perderia o rumo por causa da prisão de seu líder espiritual.

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"Ele tem muito valor para nós, e estamos sofrendo. Mas a Irmandade opera como uma coalizão em todos os níveis da sociedade, e sua prisão não afetará nossas operações e nosso direito pacífico de protestar contra o que quisermos", disse. Nesta terça, a Irmandade conclamou seu partidários a manter os protestos reivindicando o retorno de Morsi a poder.

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AP
Partidários do presidente deposto Mohammed Morsi (visto no pôster) participam de manifestação no distrito de Maadi, Cairo (19/8)

Há informações de que Badie foi temporariamente substituído "como guia geral" pelo vice-líder do movimento, Mahmoud Ezzat, sobre quem também pesa um mandado de prisão. 

Inicialmente presente em acampamentos de protesto contra a deposição de Morsi, Badie, 70, passou a se esconder à medida que o governo interino apoiado pelo Exército aumentou os esforços para pôr fim às manifestações.

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Autoridades disseram que ele foi detido em um apartamento em Nasr City, nordeste do Cairo, perto de um dos acampamentos violentamente desmontados pelas forças de segurança na quarta passada. A ação policial desatou confrontos de rua na capital egípcia e em várias outras cidades do país, deixando um total de mais de 600 mortos. Em meio à sua repressão contra os partidários de Morsi, o governo impôs um estado de emergência e um toque de recolher noturno no país.

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Ammar, filho de 38 anos de Badie, morreu na violência da semana passada, que deixou um total de quase 900 mortos, incluindo 173 vítimas por batalhas de rua no chamado "Dia da Ira" e 36 manifestantes islâmicos que morreram em uma van de uma prisão no Cairo no domingo.

Ex-vice em julgamento

Também nesta terça-feira, surgiu a informação de que o ex-vice-presidente Mohamed ElBaradei será julgado sob acusações de romper a confiança nacional. ElBaradei, que está fora do país, renunciou em 14 de agosto depois da ação das forças de segurança contra os acampamentos pró-Morsi. O caso, movido por um professor de direito egípcio, será ouvido no tribunal do Cairo em 19 de setembro, informaram fontes judiciais.

Veja imagens do massacre de quarta-feira no Egito:

Egípcios choram perto de corpos de parentes na mesquita de El-Iman, em Nasr City, Cairo (15/8). Foto: APEgípcios choram sobre corpos de parentes mortos em repressão militar no dia anterior no Cairo (15/8). Foto: APEgípcios velam os corpos de seus parentes e amigos na mesquita El-Iman em Nasr City, Cairo (15/8). Foto: APHomem caminha do lado de fora da mesquita Rabaa Adawiya um dia depois de uma ação violenta da polícia egípcia no Cairo. Foto: APHomem segura corpo de partidário de Mohammed Morsi em mesquita de Nasr City, no Egito (15/8). Foto: APPartidários feridos do presidente deposto Mohammed Morsi são vistos deitados em hospital improvisado no distrito de Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APPartidário do presidente deposto Mohammed Morsi pega madeira para transformá-la em uma barricada em chamas na praça Rabaa Al-Adawiya, no Cairo (14/8)
. Foto: APPartidário ferido do líder deposto Mohammed Morsi é visto no chão enquanto forças de segurança desmontavam acampamento de protesto perto da Universidade do Cairo (14/8). Foto: APMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de Mohammed Morsi fogem do gás lacrimogêneo durante confrontos em praça que leva à praça Rabba el-Adwia, Cairo (14/8). Foto: ReutersPartidários do presidente deposto  Mohammed Morsi carregam manifestante ferido durante confrontos com a polícia e o Exército na área da praça Rabaa Adawiya, Cairo (14/8)
. Foto: ReutersPartidários do presidente deposto  Mohammed Morsi carregam manifestante ferido durante confrontos com a polícia e o Exército na área da praça Rabaa Adawiya, Cairo (14/8). Foto: ReutersDois meninos abraçam partidário do presidente Mohammed Morsi, enquanto policiais removiam acampamento perto da Universidade de Giza, no Egito (14/8). Foto: APCorpos de partidários do presidente deposto Mohammed Morsi são vistos no chão de hospital improvisado no distrito de Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APForça de segurança do Egito chuta partidário do presidente deposto Mohammed Morsi ao desmontar acampamento de protesto perto de universidade no Cairo (14/3). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi fogem de forças de segurança que disparavam contra eles durante confrontos no distrito de Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APPartidário de Mohammed Morsi se senta próximo à mulher morta enquanto forças de segurança do Egito removiam acampamento perto da Universidade Giza, no Cairo (14/8). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto com forças de segurança no distrito de Nasr City, no Cairo (14/8). Foto: APPartidário de Mohammed Morsi segura colega ferido enquanto forças de segurança avançam contra acampamento em Nasr City (14/8). Foto: APManifestante carrega cópias do Corão enquanto forças do Egito avançam contra acampamento em Nasr City (14/8). Foto: APPartidários de Morsi feridos repousam no chão após forças de segurança egípcias avançarem contra acampamento em Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APForças de segurança egípcias avançam contra acampamento em Nasr City, no Cairo (14/8). Foto: APMembro das forças de segurança do Egito fala com partidária do presidente deposto Mohammed Morsi em acampamento perto da Universidade Giza (14/8). Foto: APForças de segurança do Egito prende manifestantes durante remoção de acampamento de partidários do islamita Mohammed Morsi em Nasr City, Cairo (14/8) . Foto: APForças de segurança do Egito dispersam acampamento de partidários de Mohammed Morsi em Nasr City, no Cairo (14/8). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi gritam palavras de ordem contra Exército durante confrontos no bairro de Mohandessin, no Egito (14/8). Foto: AP

Vice-presidente: ElBaradei renuncia em protesto contra repressão

Em outro acontecimento nesta terça, autoridades dos EUA disseram que a Casa Branca realiza nesta noite uma reunião para discutir e revisar a ajuda que envia ao Egito. Os EUA já cancelaram exercícios militares conjuntos bienais com o Egito em resposta à atual violência e estão sob pressão para fazer cortes no auxílio de US$ 1,3 bilhão que dá ao país.

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Na quarta, os chanceleres da União Europeia se encontrarão para decidir se cortam parte dos bilhões de euro em ajuda prometida ao Egito.

*Com BBC

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