Governo egípcio se reúne para discutir confrontos com Irmandade

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Número de mortos desde quarta-feira subiu para 830, segundo agência estatal de notícias

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Egípcios assistem pronunciamento de Abdel Fattah al-Sisi em café no Cairo

Governantes apoiados pelo Exército do Egito se reuniram neste domingo para discutir o confronto sangrento com a Irmandade Muçulmana do presidente deposto Mohammed Morsi, em meio a propostas contrastantes de compromisso e luta até a morte.

Em discurso exibido na TV a militares e membros da polícia, o chefe do Exército Abdel Fattah el-Sisi prometeu tomar medidas enérgicas sobre qualquer indivíduo que utilizar a violência, mas também emitiu uma nota de aparente inclusão, dizendo aos defensores de Morsi: "Há lugar para todos no Egito".

A Irmandade, sob enorme pressão desde que a polícia atacou seus acampamentos de protesto no Cairo e matou centenas de seus partidários, informou que planeja mais protestos para exigir a reintegração de Mursi, deposto pelo Exército em 3 de julho.

O Egito, o país árabe mais populoso, está enfrentando a pior eclosão de violência interna em sua história moderna, apenas 30 meses depois que a deposição do presidente Hosni Mubarak foi saudada como anúncio de mudança democrática em uma região governada por autocratas.

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Setenta e nove pessoas morreram e 549 ficaram feridas na violência política em todo o país no sábado, informou a agência estatal de notícias MENA neste domingo, citando o governo. Isso levou a contagem de mortos desde quarta-feira para 830, incluindo 70 policiais e soldados.

Não ficou imediatamente claro como as mortes de sábado ocorreram. Anteriormente, apenas uma pessoa havia sido relatada morta.

Antes da reunião do gabinete, o liberal vice-primeiro-ministro do Egito, Ziad Bahaa el-Din, tinha feito uma proposta de conciliação, vista pela Reuters, defendendo o fim ao estado de emergência declarado na semana passada, participação política para todos os partidos e garantias de direitos humanos, incluindo o direito de livre associação.

Mas sua iniciativa parece ir contra a posição do primeiro-ministro, Hazem el-Beblawi, que sugeriu a dissolução da Irmandade de 85 anos de existência, o que iria forçá-la efetivamente a ficar na irregularidade.

"Não haverá reconciliação com aqueles cujas mãos estão manchadas de sangue e com aqueles que voltaram suas armas contra o Estado e suas instituições", disse Beblawi a repórteres no sábado.

As frenéticas ruas da capital, excepcionalmente vazias nos últimos dias, voltavam ao normal neste domingo, apesar de o Exército manter várias grandes praças fechadas e determinado toque de recolher durante a noite.

Parlamentares dos EUA querem cortar ajuda ao Egito
Um coro crescente bipartidário de parlamentares dos Estados Unidos defendeu neste domingo que os Estados Unidos deveriam suspender a ajuda militar e econômica de 1,5 bilhão de dólares ao Egito..

O senador John McCain, importante republicano no Comitê das Forças Armadas do Senado, disse que ele agora apoia a suspensão da ajuda, mesmo inicialmente acreditando que ele deveria continuar após os militares egípcios terem removido o presidente democraticamente eleito, Mohammed Morsi, do cargo no mês passado.

"Eu queria dar (aos líderes militares do Egito) uma oportunidade de fazerem a coisa certa após o golpe, disse McCain à CNN. Mas, após a repressão, a ajuda deve ser retirada, disse ele.

McCain disse ainda que existem várias outras medidas que os Estados Unidos também poderiam tomar, como o suporte de empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Há muitas áreas em que podemos exercer influência sobre os generais, e nós não estamos fazendo nada disso. Não estamos honrando com os nossos valores", disse o republicano do Arizona.

O presidente Barack Obama, um democrata, na quinta-feira anunciou que a cooperação normal com o Cairo não poderia continuar em meio à repressão e anunciou o cancelamento de exercícios militares com o Egito no próximo mês.

A Casa Branca não comentou neste domingo sobre os crescentes apelos de parlamentares para a suspensão da ajuda.

A senadora Kelly Ayotte, também republicana do Comitê de Forças Armadas do Senado, disse que tinha mudado seu ponto de vista e acreditava que era chegado o momento de cortar a ajuda ao Egito.

"Com a recente repressão violenta, não vejo como podemos continuar dando ajuda. Acredito que ela deve ser suspensa", afirmou ela à NBC.

O senador Jack Reed, membro democrata do comitê, disse que o Congresso deveria aprovar uma legislação que corte a ajuda, dando Obama a flexibilidade para mantê-lo se ele acredita que é do interesse da segurança nacional dos Estados Unidos.

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