Egito avalia dissolver Irmandade e há troca de tiros em mesquita

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Premiê avalia colocar grupo de volta à clandestinidade enquanto tensões aumentam no Cairo

Reuters
Policiais ficam de guarda dentro da mesquita al-Fatah no Cairo, onde partidário pró-Morsi se encontram abrigados

O primeiro-ministro egípcio propôs dissolver a Irmandade Muçulmana, grupo do presidente deposto Mohammed Morsi, anunciou o governo neste sábado, aumentando o risco de um sangrento confronto entre Estado e islamitas pelo controle do país.

Imagens ao vivo de uma emissora de televisão mostraram um homem atirando contra soldados e policiais do minarete de uma importante mesquita do Cairo, enquanto forças de segurança devolviam fogo contra o prédio no qual os partidários de Morsi se abrigavam. Testemunhas da Reuters disseram que os defensores do ex-premiê também trocaram tiros com as forças de segurança dentro da mesquita.

O Ministério do Interior afirmou que 173 pessoas morreram em confrontos em todo o Egito na sexta-feira, levando o número total de mortos nos três dias de massacre para quase 800.

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Entre os mortos está o filho do líder da Irmandade Muçulmana Mohammed Badie, atingido por um tiro durante um protesto na Praça Ramsés, no Cairo, onde cerca de 95 pessoas morreram em uma tarde de tiroteios e destruição na sexta-feira.

Neste sábado também foi preso Mohammed al-Zawahri, irmão do líder da A-Qaeda Ayman al-Zawahri, em um ponto de segurança em Gizé, cidade vizinha ao Cairo. Mohammed chegia no Egito o grupo salafista Jihadi, de tendência ultraconservadora e aliado de Morsi.

Autoridades egípcias afirmaram que prenderam mais de mil islamitas e cercaram a Praça Ramsés após o "Dia de Fúria" na sexta-feira, nome dado pela Irmandade para denunciar a letal repressão a seus partidários na quarta.

AP
Grupo se reúne na frente da mesquita Al-Fatah, no Cairo, dentro de onde defensores do ex-presidente Mohammed Morsi se encontram. Já houve confronto com o exército

Manifestantes disseram que gás lacrimogêneo foi disparado dentro da sala de orações da mesquita para tentar fazer todos saírem do local, enquanto tiros eram ouvidos.

Com a insatisfação aumentando de ambos os lados, e nenhum sinal de acordo em vista, o primeiro-ministro, Hazem el-Beblawi, propôs a dissolução legal da Irmandade, uma medida que pode fazer o grupo se esconder e levar a uma repressão ainda maior.

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"Isso está sendo estudado atualmente", afirmou o porta-voz do governo, Sherif Shawky.

A Irmandade foi oficialmente dissolvida pelos militares em 1954, mas se registrou como uma organização não-governamental em março, em resposta a um processo promovido por seus oponentes, que questionavam sua legalidade.

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Fundado em 1928, o movimento também tem um braço político legal, o Partido Liberdade e Justiça, que foi lançado em 2011 depois da revolta que derrubou o presidente autocrático Hosni Mubarak.

"A reconciliação está aí para aqueles cujas mãos não estão sujas de sangue", afirmou Shawky.

A Irmandade venceu todas as cinco eleições ocorridas após a queda de Mubarak, e Morsi governou o país por um ano até ser minado por grandes manifestações convocadas por seus críticos, que consideravam seu governo incompetente e partidário.

O chefe do Exército, Abdel Fattah al-Sisi, diz que tirou Mursi do poder em 3 de julho para proteger o país de uma possível guerra civil.

(Com informações da Reuters e AP)

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