Choques da oposição com forças de segurança marcam protestos convocados em resposta a massacre de quarta

Convocados pela Irmandade Muçulmana para o " Dia da Ira ", partidários do presidente deposto Mohammed Morsi saíram às ruas do Cairo e de outras cidades do Egito nesta sexta-feira, desatando novos confrontos com as forças de segurança e grupos rivais que deixaram ao menos 64 mortos em todo o país, segundo fontes de segurança citadas pela Associated Press.

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Partidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de protesto perto da mesquita de Ennour, no Cairo (16/8)
Reuters
Partidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de protesto perto da mesquita de Ennour, no Cairo (16/8)



As novas manifestações acontecem em protesto ao massacre de mais de 600 pessoas durante ação da polícia e do Exército para remover dois acampamentos de protesto pró-Morsi no Cairo. Lançada na quarta, a brutal ofensiva militar acabou por desencadear episódios de violência em outras cidades do país, fazendo o Ministério do Interior autorizar o uso de força letal contra qualquer um que atacasse delegacias ou instituições estatais.

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Sob condição de anonimato, autoridades disseram que, entre os 64 mortos, há 52 civis e oito policiais. As cidades com os piores episódios de violência são Damietta, Ismailia, Fayoum, Tanta e Alexandria. Por causa da contínua repressão, a Irmandade convocou protestos diários de uma semana no Egito.

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No Cairo, tiros foram disparados na Praça Ramsés, local de encontro dos manifestantes da Irmandade nesta sexta, e a polícia lançou gás lacrimogêneo contra os manifestantes.

Manifestante ferido que apoia o presidente deposto Mohammed Morsi deita dentro de mesquita na Praça Ramsés, no Cairo (16/8)
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Manifestante ferido que apoia o presidente deposto Mohammed Morsi deita dentro de mesquita na Praça Ramsés, no Cairo (16/8)

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A TV Nilo mostrou imagens de um homem armado entre os manifestantes islamitas atirando de uma ponte no centro da cidade. Homens feridos, um deles com um sangramento no peito, foram levados em uma caminhonete.

A Praça Tahrir no Cairo, onde dezenas de partidários anti-Irmandade Muçulmana acamparam por semanas, estava bloqueada por tanques e barricadas para evitar que manifestantes islamitas chegassem ao local. A Irmandade pediu aos seus apoiadores que fossem em direção à Praça Ramsés, que não fica distante da Tahrir e é próxima a uma estação de trem.

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Mais cedo, milhares de manifestantes saíram das mesquitas após as tradicionais orações do meio-dia, em resposta à convocação da Irmandade Muçulmana por um "Dia da Ira", enquanto tanques blindados e tropas se posicionavam em instalações estatais importantes .

Também nesta sexta, autoridades de segurança afirmaram que homens desconhecidos detonaram explosivos nos trilhos do trem entre Alexandria e a província de Marsa Matrouh. Ninguém ficou ferido e nenhum trem foi danificado pelo ataque.

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Egito, o país mais populoso do mundo árabe, enfrenta uma profunda polarização desde que o Exército derrubou o governo de Morsi em julho, após dias de protestos contra o presidente e a Irmandade.

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Mas os partidários de Morsi permanecem desafiantes, exigindo que o líder islamita seja reinstalado no poder. A comunidade internacional vem pedindo que os dois lados do conflito sejam moderados para pôr fim aos distúrbios que se alastraram pelo país.

Tensão

Mais de 40 policiais estão entre os mais de 600 mortos do massacre de quarta, quando dezenas de igrejas foram atacadas enquanto a violência se espalhava por várias províncias. Muitos dos partidários de Morsi criticaram a minoria cristã egípcia por apoiar a decisão militar de tirar o presidente democraticamente eleito do poder.

O braço político da Irmandade, o Partido Liberdade e Justiça, disse em comunicado nesta sexta que o grupo não recuará e "continuará a mobilizar o povo a tomar as ruas sem recorrer à violência ou ao vandalismo". "A luta para derrubar esse regime ilegítimo é uma obrigação islâmica, nacional, moral e humana da qual não vamos fugir até que prevaleçam a justiça e a liberdade e até que a repressão seja derrotada", disse o comunicado.

Manifestantes que apoiam Mohammed Morsi entram em confronto com rivais do lado de fora da delegacia de Azbkya, perto da Praça Ramsés, no Cairo (16/8)
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Manifestantes que apoiam Mohammed Morsi entram em confronto com rivais do lado de fora da delegacia de Azbkya, perto da Praça Ramsés, no Cairo (16/8)

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O guia supremo da Irmandade, Mohammed Badie, procurado pela polícia por supostamente incitar atos de violência, alertou em comunicado nesta sexta que retirar Morsi do poder foi uma tentativa do Exército para assumir e estabelecer uma "ditadura".

Com AP

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