Irmandade Muçulmana convoca mais protestos depois que violência em todo o país deixou centenas de mortos

Partidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi invadiram e atearam fogo em dois prédios que abrigam o governo local de Giza, cidade próxima ao Cairo famosa por abrigar as pirâmides do país, informou a TV estatal. A ação aconteceu um dia depois de uma violenta ação policial contra partidários de Morsi ter desatado violentas batalhas nas ruas do Cairo e de outras cidades egípcias, deixando centenas de mortos no Egito .

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Homem caminha do lado de fora da mesquita Rabaa Adawiya um dia depois de uma ação violenta da polícia egípcia no Cairo
AP
Homem caminha do lado de fora da mesquita Rabaa Adawiya um dia depois de uma ação violenta da polícia egípcia no Cairo

Quarta: Egito defende repressão contra partidários de presidente deposto

Em reação à violência, o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou nesta quinta-feira o cancelamento de exercícios militares conjuntos com o Egito . Essa é a segunda medida que os EUA tomam desde que o Exército egípcio depôs o líder islamita em 3 de julho. Em 24 de julho, Washington decidiu atrasar a entrega de jatos F-16 ao país. Obama acrescentou nesta quinta que novas medidas estão sendo avaliadas.

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Repórteres da Associated Press viram os prédios - um de dois andares e outro de quatro - em chamas nesta quinta-feira. Os escritórios do governo de Giza estão localizados na Estrada das Pirâmides, na margem oeste do rio Nilo. A televisão estatal responsabilizou partidários de Morsi pela invasão.

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Reprodução de imagens de vídeos mostrou as duas estruturas queimando enquanto bombeiros esvaziavam os empregados do prédio maior.  Tamarod , o movimento jovem que organizou as marchas e protestos que culminaram na queda de Morsi em 3 de julho, convocou a criação de comitês populares para proteger propriedades privadas e públicas.

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Homem segura corpo de partidário de Mohammed Morsi em mesquita de Nasr City, no Egito (15/8)
AP
Homem segura corpo de partidário de Mohammed Morsi em mesquita de Nasr City, no Egito (15/8)

Após dias de violência, que deixou centenas de mortos, a Irmandade Muçulmana , grupo do líder deposto, prometeu mais protestos nesta quinta-feira.

"Continuaremos nossos acampamentos e nossas manifestações em todo o país até que a democracia e o governo legítimo seja restabelecido no Egito", disse Essam Elerian, um integrante sênior do movimento islamita.

A violência de quarta-feira teve início com uma ação da tropa de choque da polícia do país para remover dois acampamentos de partidários de Morsi, provocando confrontos no local e se espalhando pela capital egípcia e outras cidades. Os partidários estavam acampados no local desde que Morsi foi deposto, após milhões de egípcios tomarem as ruas exigindo sua renúncia .

Clandestina por 85 anos: Entenda o que é a Irmandade Muçulmana

Cairo, uma cidade de 18 milhões de habitantes, estava estranhamente quieta nesta quinta-feira, com somente uma fração de seus costumeiros congestionamentos e muitas lojas e escritórios do governo fechados. Muitos moradores preferiram ficar em casa com medo de mais violência. O banco e o mercado de ações também estavam fechados.

Os últimos eventos no Egito provocaram duras condenações de países do mundo muçulmano e do Ocidente. Mohamed ElBaradei, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, renunciou ao cargo de vice-presidente interino na noite de quarta-feira em protesto à repressão - um golpe para a credibilidade da nova liderança egípcia com o movimento pró-reforma.

Veja imagens da crise no Egito após a queda de Morsi:

Morsi está detido em uma localização desconhecida desde 3 de julho. Outros líderes da Irmandade foram indiciados por incitar a violência e conspirar no assassinato de manifestantes.

A Irmandade passou a maior parte dos seus 85 anos de existência na clandestinidade ou suportando repressões de governos sucessivos. Os mais recentes acontecimentos pode dar às autoridades razões para torná-la ilegal novamente.

Com AP

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