Em pronunciamento, presidente dos EUA alerta que medidas adicionais podem ser tomadas contra aliado

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou nesta quinta-feira (15) o cancelamento de exercícios militares conjuntos com o Egito previstos para o próximo mês, um dia depois que uma violenta ação policial contra partidários do presidente deposto Mohammed Morsi provocou violentas batalhas nas ruas do Cairo e outras cidades, deixando  centenas de mortos .

Reação ao massacre: Partidários de Morsi invadem prédios do governo

Presidente Barack Obama faz pronunciamento à mídia sobre situação no Egito em Massachussetts, EUA
AP
Presidente Barack Obama faz pronunciamento à mídia sobre situação no Egito em Massachussetts, EUA

Dia 24 de julho: EUA atrasam entrega de jatos F-16 ao Egito

Violência:  Número de mortos em confrontos no Egito passa de 600

Essa é a segunda medida que os EUA tomam desde que o Exército do Egito depôs o líder islamita Morsi em 3 de julho. Em 24 de julho, Washington decidiu atrasar a entrega de jatos F-16 ao país. Posteriormente, ao pronunciamento de Obama, o Departamento de Estado alertou os americanos a não viajar ao Egito e aconselhou aqueles que moram no país a partir .

Em pronunciamento feito na da ilha de Martha's Vineyard, no Estado americano de Massachussetts, onde está em férias, o presidente americano também afirmou que o governo avalia medidas adicionais a ser tomadas em relação ao aliado.

Quarta: Egito defende repressão contra partidários de presidente deposto

Início: Polícia avança contra acampamentos pró-Morsi e violência se alastra

Obama condenou a brutal violência das tropas egípcias contra os civis e lembrou o direito que manifestantes têm de protestar. O presidente também destacou que o processo de transição democrática deve ser feito pelo próprio povo egípcio. "Os EUA não podem determinar o futuro do Egito. Só o Egito pode fazer isso", afirmou.

Egípcios choram perto de corpos de parentes na mesquita de El-Iman, em Nasr City, Cairo (15/8)
AP
Egípcios choram perto de corpos de parentes na mesquita de El-Iman, em Nasr City, Cairo (15/8)

O líder americano disse também que os EUA acreditam que o estado de emergência estabelecido pelo governo interino do país em meio aos episódios de violência de quarta-feira deveria ser imediatamente suspenso e que o país precisa, o quanto antes, estabelecer um processo de reconciliação nacional.

Galeria de fotos: Veja imagens da ação da polícia contra acampamentos

Golpe no Egito: Leia todas as notícias sobre a queda de Morsi

Quando o primeiro presidente eleito democraticamente no Egito foi deposto em julho, a Casa Branca evitou considerar a ação do Exército um golpe, pois, se fizesse isso, teria de colocar um fim na ajuda militar de US$ 1,3 bilhão que os EUA enviam todo ano ao país - alterando, portanto, o curso das relações com seu mais forte aliado na região.

Nesta quinta-feira a instabilidade voltou a reinar no Egito, um dia depois de batalhas de ruas se espalharem pela capital e outras cidades importantes, como Alexandria. Partidários do presidente deposto invadiram prédios do governo em Giza , cidade localizada perto do Cairo e onde ficam as famosas pirâmides do país, e atearam fogo contra as construções.

Clandestina por 85 anos: Entenda o que é a Irmandade Muçulmana

A Irmandade Muçulmana , grupo que apoia Morsi, prometeu mais protestos. "Continuaremos nossos acampamentos e nossas manifestações em todo o país até que a democracia e o governo legítimo sejam restabelecidos no Egito", disse Essam Elerian, um integrante sênior do movimento islamita.

Homem caminha do lado de fora da mesquita Rabaa Adawiya um dia depois de uma ação violenta da polícia egípcia no Cairo
AP
Homem caminha do lado de fora da mesquita Rabaa Adawiya um dia depois de uma ação violenta da polícia egípcia no Cairo

A violência de quarta-feira teve início com uma ação da tropa de choque da polícia do país para remover dois acampamentos de partidários de Morsi no Cairo, provocando confrontos no local e se espalhando pela capital egípcia e outras cidades. Os partidários estavam acampados no local desde que Morsi foi deposto, após milhões de egípcios tomarem as ruas exigindo sua renúncia .

Saiba mais: Entenda as causas dos conflitos no Egito

Vice-presidente: ElBaradei renuncia no Egito em protesto contra repressão

Cairo, uma cidade de 18 milhões de habitantes, estava estranhamente quieta nesta quinta-feira, com somente uma fração de seus costumeiros congestionamentos e muitas lojas e escritórios do governo fechados. Muitos moradores preferiram ficar em casa com medo de mais violência. O banco e o mercado de ações também estavam fechados.

Além de Obama, os últimos eventos no Egito atraíram  duras condenações de países do mundo muçulmano e do Ocidente. Mohamed ElBaradei, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, renunciou ao cargo de vice-presidente interino na noite de quarta-feira em protesto à repressão - um golpe para a credibilidade da nova liderança egípcia com o movimento pró-reforma.

Veja imagens da crise no Egito desde a deposição de Morsi:

Morsi está detido em uma localização desconhecida desde 3 de julho. Outros líderes da Irmandade foram indiciados por incitar a violência e conspirar no assassinato de manifestantes.

A Irmandade passou a maior parte dos seus 85 anos de existência na clandestinidade ou suportando repressões de governos sucessivos. Os mais recentes acontecimentos podem dar às autoridades razões para torná-la ilegal novamente.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.