Segundo Ministério da Saúde, episódios de violência entre policiais e partidários de Morsi deixaram 3.717 feridos

Autoridades egípcias elevaram significativamente o número de mortos dos confrontos de quarta-feira entre policiais e partidários do presidente islamita deposto, dizendo que mais de 500 morreram, deixando evidente a violência que varreu grande parte do país e levou o governo a declarar estado de emergência nacional e toque de recolher.

Quarta: Egito defende repressão contra partidários de presidente deposto

Egípcios velam os corpos de seus parentes e amigos na mesquita El-Iman em Nasr City, Cairo (15/8)
AP
Egípcios velam os corpos de seus parentes e amigos na mesquita El-Iman em Nasr City, Cairo (15/8)

Início: Polícia avança contra acampamentos pró-Morsi e violência se alastra

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O número de mortos, registrado em 525, segundo o último boletim do Ministério da Saúde, faz de quarta-feira, de longe, o dia mais mortal no país desde a revolta popular que derrubou o líder autocrata Hosni Mubarak . Segundo Khaled el-Khateeb, porta-voz do Ministério da Saúde, os confrontos deixaram 3.717 feridos.

Próximo ao local onde ficava um acampamento de partidários do presidente Mohammed Morsi, no subúrbio de Nasr City, um repórter da agência Associated Press nesta quinta viu dezenas de corpos ensanguentados empilhados dentro de uma mesquita. Os corpos estavam enrolados em lençóis e ainda não haviam sido identificados pelas famílias.

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Parentes no local descobriam os rostos dos corpos na tentativa de encontrar seus entes queridos. Muitos reclamaram que as autoridades estavam evitando conceder a permissão para enterrá-los.

El-Khateeb disse que 202 das 525 mortes aconteceram no acampamento de protesto de Nasr City, mas não estava imediatamente claro se os corpos na mesquita estavam incluídos nessa contagem.

A violência na quarta-feira teve início com uma ação da tropa de choque da polícia para remover dois acampamentos, provocando confrontos no local e se espalhando pela capital egípcia e outras cidades.

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Cairo, uma cidade de 18 milhões de habitantes, estava estranhamente quieta nesta quinta-feira, com somente uma fração de seus costumeiros congestionamentos e muitas lojas e escritórios do governo fechados. Muitos moradores preferiram ficar em casa com medo de mais violência. O banco e o mercado de ações também estavam fechados.

Os últimos eventos no Egito foram condenados por países do mundo muçulmano e do Ocidente , incluindo os EUA, o principal apoiador externo do Egito por mais de 30 anos.

Mohamed ElBaradei, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, renunciou ao cargo de vice-presidente interino na noite de quarta-feira em protesto à repressão - um golpe para a credibilidade da nova liderança egípcia com o movimento pró-reforma.

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Funcionários limpam local perto de mesquita Rabaah al-Adawiya, onde ficava um acampamento de partidários do presidente Mohammed Morsi em Nasr City, Egito (15/8)
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Funcionários limpam local perto de mesquita Rabaah al-Adawiya, onde ficava um acampamento de partidários do presidente Mohammed Morsi em Nasr City, Egito (15/8)

O premiê interino Hazem el-Beblawi disse em um pronunciamento à nação na quarta que aquele era "um dia difícil" e que lamentava o derramamento de sangue, mas não pediria desculpas por avançar contra os partidários de MOrsi, dizendo que o governo enviou uma série de alertas para que eles deixassem os locais e tentou uma mediação diplomática estrangeira.

Os líderes da Irmandade Muçulmana caracterizaram os episódios de violência de "massacre". Vários líderes importantes da Irmandade foram presos enquanto a polícia realizava incursões dentro dos dois acampamentos, vários islamitas foram levados sob custódia e o futuro do movimento é incerto.

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Apoiados por helicópteros, policiais dispararam gás lacrimogêneo e usou tratores blindados para derrubar as barricadas nos dois acampamento de protestos, localizados em lados opostos do Cairo. Os partidários estavam acampados no local desde que Morsi foi deposto em 3 de julho, após milhões de egípcios tomarem as ruas exigindo sua renúncia .

O acampamento menor - perto da Universidade de Giza - foi removido relativamente rápido, mas levou 12 horas para que a polícia tomasse o controle do principal acampamento perto da mesquita Rabaah al-Adawiya em Nasr City, que serviu como epicentro para a campanha pró-Morsi.

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Depois que a polícia removeu os acampamentos, batalhas foram registradas nas ruas do Cairo e de outras cidades pelo país. Prédios do governo e delegacias foram atacados e estradas bloqueadas. Alguns manifestantes atearam fogo em igrejas cristãs, segundo informou o ministro do Interior Mohammed Ibrahim.

Três jornalistas estavam entre os mortos: Mick Deane, 61 anos, cinegrafista da rede britânica Sky News; Habiba Ahmed Abd Elaziz, 26 anos, uma repórter do Gulf News, um jornal estatal dos Emirados Árabes Unidos. e Ahmed Abdel Gawad, que escreve para o jornal estatal do Egito Al Akhbar. Deane e Elaziz morreram vítimas de tiros, segundo informaram os veículos para os quais trabalhavam, enquanto o Sindicato dos Jornalistas do Egito não souberam dizer a causa da morte de Gawad.

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O distúrbio foi o episódio mais recente em um amargo impasse entre os partidários de Morsi e a liderança interina que assumiu o poder do país mais populoso do mundo árabe. O Exército depôs Morsi depois que milhões foram às ruas acusando-o de dar poderes ilimitados à Irmandade Muçulmana e de fracassar na implementação de reformas vitais para a recuperação econômica.

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Morsi está detido em uma localização desconhecida desde 3 de julho. Outros líderes da Irmandade foram indiciados por incitar a violência e conspirar no assassinato de manifestantes.

Uma autoridade de segurança disse que 200 manifestantes foram presos nos dois acampamentos do Cairo. Muitos homens foram vistos com as mãos para cima em fila enquanto eram levados por um carro da polícia.

A Irmandade passou a maior parte dos seus 85 anos de existência na clandestinidade ou suportando repressões de governos sucessivos. Os mais recentes acontecimentos pode dar às autoridades razões para torná-la ilegal novamente.

Com AP

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