Líderes ao redor do mundo reagem à violenta repressão aos acampamentos pró-Morsi e aos confrontos no país

Os EUA condenaram nesta quarta-feira (14) a violência que se alastrou pelo Egito após ação da polícia do país  contra os acampamentos de partidários do presidente deposto Mohammed Morsi, que deixou centenas de mortos.  A Casa Branca afirmou que a atitude só tornará mais difícil para que o Egito siga adiante. 

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Manifestantes do movimento islâmico em Israel seguram cartazes do presidente deposto Mohammed Mors durante ato de repúdio à violência no Egito
AP
Manifestantes do movimento islâmico em Israel seguram cartazes do presidente deposto Mohammed Mors durante ato de repúdio à violência no Egito

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O porta-voz da Casa Branca Josh Earnest disse que a violência contraria as promessas feitas pelo governo interino do país. Ele disse também que o "mundo está assistindo" ao que acontece no Cairo e pediu moderação. 

Países próximos ao Egito também compararam a situação do país à da Síria e alertaram para o risco de uma guerra civil. 

Saiba as reações de líderes ao redor do mundo:

ONU

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, denunciou a violência e exigiu que todos os lados do conflito reconsidere suas ações à luz das novas realidades políticas e da necessidade de prevenir mais perdas de vida.

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Ban disse lamentar que as autoridades egípcias tenham escolhido usar a força para responder às manifestações e está "bem ciente de que a vasta maioria do povo egípcio quer que seu país siga adiante pacificamente em um processo liderado pelos próprios egípcios em busca da prosperidade e da democracia".

Em comunicado, o secretário-geral pediu que todos os egípcios se concentrem na reconciliação, porque acredita que "a violência e a incitação de qualquer um dos lados não são respostas para os desafios que o Egito enfrenta".

União Europeia

A chanceler do bloco econômico, Catherine Ashton lamentou a violência e pediu para as forças de segurança do Egito "exercitem ao máximo a moderação". "Confrontação e violência não é o caminho para resolver os principais problemas políticos", disse.

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"O futuro democrático do país depende de diálogo entre todos os interessados em superar as diferenças em um processo inclusivo de reconciliação política, com um governo civil de plenos poderes e com o funcionamento de suas instituições democráticas."

Ela destacou alguns elementos importantes para seguir adiante com o processo, incluindo "protesto pacífico, protegendo todos os cidadãos e possibilitando a participação política plena".

Turquia

O governo turno, que se posicionou de forma crítica em relação à deposição do presidente Mohammed Morsi, condenou veementemente os confrontos. O gabinete do premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, considerou a violência um "sério golpe à esperança de retorno à deocracia".  Também responsabilizou outros países, sem citar nomes, por encorajar o governo aós a deposição de Morsi em 3 de julho.

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O presidente turco Abdullah Gul alertou que o Egito pode chegar ao caos, comparando os confrontos à guerra civil na Síria. Centenas de turcos em Ancara e Istambul protestaram contra a violência no Egito.

Partidários do Grupo Islâmico libanês penduram grande retrato do presidente deposto no Egito Mohammed Morsi em Beirute, Líbano
AP
Partidários do Grupo Islâmico libanês penduram grande retrato do presidente deposto no Egito Mohammed Morsi em Beirute, Líbano

Irã

O ministro das Relações Exteriores iraniano condenou a repressão contra os partidários de Morsi, alertando que a violência "fortalece a possibilidade de uma guerra civil". "Ao denunciar a violenta repressão e condenar o massacre do povo, o Ministério expressa sua profunda preocupação em relação a consequências indesejáveis (dos eventos)."

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Tunísia

Rachid Ghannouch, presidente do partido governista islâmico moderado Ennahda, caracterizou a violência como um "crime abjeto". "As autoridades golpistas no Egito cometeram um massacre contra manifestantes pacíficos", disse em comunicado. "O movimento Ennahda segue com dor e horror esse crime abjeto contra o povo e sua revolução", disse, expressando solidariedade com os partidários de Morsi em sua luta para "recuperar sua liberdade e se opor ao golpe de Estado".

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O presidente da Túnisia Moncef Mazouki expressou preocupação sobre as implicações da crise egípcia em seu próprio país, que está lutando para realizar sua transição em direção à democracia. "O que está acontecendo no Egito mostra a necessidade de todos os partidos políticos na Tunísia a sentarem-se à mesa de negociações e parar com os discursos que incitam o confronto", disse.

Reino Unido

O premiê britânico David Cameron disse que a violência no Egito "não vai resolver nada". "O que é necessário no Egito é uma genuína transição a uma genuína democracia. Isso significa comprometimento de todos os lados - os partidários de Morsi, mas também os militares. É isso que precisa acontecer", disse.

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"Não apoiamos essa violência, a condenamos completamente. Não vai resolver os problemas", acrescentou. Cameron disse que lamentava a morte do cinegrafista da rede britânica Sky News Mick Deane durante os confrontos no Egito, dizendo que seus pensamentos estão com sua família e amigos. 

"Ele fazia um trabalho incrivelmente corajoso e importante. É essencial que cinegrafistas estejam em lugares como o Egito, porque, de outra forma, nenhum de nós saberia o que está acontecendo."

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França

O chanceler francês disse que o país "lamenta muito vigorosamente" a violência durante as incursões policiais nos acampamentos de partidários de Morsi. "É essencial que essa violência pare e que uma lógica de tranquilidade prevaleça", disse o Ministério, pedindo moderação a todos e alertando contra um "desproporcional uso de força".

Laurent Fabius destacou que o diálogo e o compromisso são o caminho para resolver a crise do Egito.

Com AP

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