Em carta ao presidente, Nobel da Paz diz: 'Não posso carregar a responsabilidade por uma única gota de sangue'

O vice-presidente interino do Egito , Mohamed ElBaradei, renunciou ao cargo nesta quarta-feira depois de forças de segurança do país dispersarem com violência os acampamentos montados por partidários do presidente deposto Mohammed Morsi , desatando confrontos no Cairo e em outras cidades do Egito que deixaram centenas de mortos.

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Força de segurança do Egito chuta partidário do presidente deposto Mohammed Morsi ao desmontar acampamento de protesto perto de universidade no Cairo (14/3)
AP
Força de segurança do Egito chuta partidário do presidente deposto Mohammed Morsi ao desmontar acampamento de protesto perto de universidade no Cairo (14/3)

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Em carta-renúncia enviada ao presidente interino, Adly Mansour , ElBaradei disse que "os beneficiários do que aconteceu hoje são aqueles que pedem por violência, terrorismo e os grupos mais extremistas".

"Como você sabe, acreditava que havia maneiras pacíficas de encerrar esse confronto na sociedade, havia soluções propostas e aceitáveis que nos levariam ao consenso nacional", escreveu. "Ficou difícil para mim continuar a ter responsabilidade por decisões com as quais não concordo e cujas consequências temo. Não posso carregar a responsabilidade por uma única gota de sangue."

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Em sua carta, o Nobel da Paz e ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) também alertou que a violência abrirá caminho para mais violência, afirmando que o país está agora mais polarizado do que quando tomou posse, no mês passado.

Os EUA condenaram a violência , afirmando que a situação só tornará mais difícil para que o Egito siga adiante e dizendo que o mundo observa o que acontece no país. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, conclamou "todos os egípcios a concentrar seus esforços em promover uma reconciliação genuinamente inclusiva", disse o porta-voz Martin Nesirky.

Por causa da violência, presidência interina do Egito declarou um mês de Estado de emergência e um toque de recolher entre às 19 horas e 6 horas locais no Cairo e outras dez províncias. Segundo uma fonte de segurança, 200 manifestantes nos dois acampamentos desmontados foram presos.

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Partidários do presidente deposto Mohammed Morsi fogem de forças de segurança que disparavam contra eles durante confrontos no distrito de Nasr City, Cairo (14/8)
AP
Partidários do presidente deposto Mohammed Morsi fogem de forças de segurança que disparavam contra eles durante confrontos no distrito de Nasr City, Cairo (14/8)

Ofensiva militar

Logo depois do amanhecer desta quarta, escavadeiras blindadas avançaram contra o principal acampamento de protesto localizado do lado de fora da mesquita de Rabaa al-Adawiya, no leste do Cairo. Autoridades disseram que o outro acampamento de protesto, na Praça Nahda, também foi liberado.

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Há relatos de manifestantes feridos sendo tratados perto dos mortos em hospitais de campanha improvisados. A filha de 17 anos de Mohamed el-Beltagy, importante membro da Irmandade Muçulmana, está entre os mortos. Segundo seu irmão, Asmaa el-Beltagy foi atingida por disparos nas costas e no peito. Mick Deane, cinegrafista que trabalhava para Sky News, também foi morto, assim como a repórter Habiba Ahmed Abd Elaziz, Gulf News.

Confrontos também aconteceram em outros pontos da capital e em províncias em todo o país, à medida que a raiva entre os islamitas se espalhou, com estações de polícia, prédios do governo e igrejas cristãs coptas atacadas ou incendiadas.

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A ofensiva militar foi lançada depois de dias de alertas do governo interino apoiado pelo Exército que substituiu Morsi após sua deposição. Os dois acampamentos em duas grandes intersecções em lados opostos da capital egípcia começaram no final de junho em mostra de apoio a Morsi. Manifestantes - muitos da Irmandade Muçulmana , de Morsi - reivindicavam sua volta ao poder.

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O tumulto foi o mais recente capítulo em um impasse entre os partidários de Morsi e a liderança interina que tomou o controle do país mais populoso do mundo árabe. O Exército depôr Morsi depois de milhões de egípcios terem saído às ruas para pedir sua renúncia, acusando-o de dar à Irmandade muito influência e de fracassar em implementar reformas vitais ou em estimular a economia em crise.

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O golpe provocou protestos similares de partidários de Morsi depois que ele e outros líderes da Irmandade foram detidos enquanto as divisões se aprofundaram, dando um grande golpe às esperanças de retorno à estabilidade depois da revolução de 2011, que derrubou o líder autocrático Hosni Mubarak .

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Morsi é mantido detido em uma localização desconhecida . Outros líderes da Irmandade foram indiciados por supostamente incitar violência. "O mundo não pode assistir sentado enquanto homens, mulheres e crianças inocentes são mortos indiscriminadamente. O mundo deve se levantar contra o crime da junta militar antes que seja tarde", disse em comunicado a Irmandade.

*Com AP e Reuters

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