Líder interino ordena Exército a apoiar esforços da polícia em restaurar a ordem e impõe toque de recolher noturno

A presidência interina do Egito declarou estado de emergência depois de 278 morrerem, incluindo 235 civis e 43 policiais, e mais de 2 mil ficarem feridos em confrontos desatados no Cairo e em outras cidades do país após as forças de segurança terem invadido acampamentos de protesto na capital egípcia . Os acampamentos eram ocupados por partidários do islamita Mohammed Morsi, presidente que foi deposto em 3 de julho . Um toque de recolher entre às 19 horas e 6 horas locais também foi imposto no Cairo e outras dez províncias.

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Partidários do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto com forças de segurança no distrito de Nasr City, no Cairo
AP
Partidários do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto com forças de segurança no distrito de Nasr City, no Cairo

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O presidente interino do Egito, Adly Mansour , declarou que o estado de emergência durará um mês e ordenou as Forças Armadas a apoiar os esforços da polícia em restaurar a lei e a ordem e proteger as instalações do Estado. 
Segundo uma fonte de segurança, 200 manifestantes foram presos.

Em um discurso televisionado, o premiê interino Hazem Beblawi defendeu a operação mortal contra os dois acampamentos, dizendo que as autoridades tinham de "restaurar a segurança".

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Em reação à repressão violenta do governo, o vice-presidente egípcio, Mohamed ElBaradei, renunciou ao cargo . "Ficou difícil para mim continuar a ter responsabilidade por decisões com as quais não concordo e cujas consequências temo. Não posso carregar a responsabilidade por uma única gota de sangue", escreveu em sua carta de renúncia a Mansour. 

Partidários feridos do presidente deposto Mohammed Morsi são vistos deitados em hospital improvisado no distrito de Nasr City, Cairo (14/8)
AP
Partidários feridos do presidente deposto Mohammed Morsi são vistos deitados em hospital improvisado no distrito de Nasr City, Cairo (14/8)

Logo depois do amanhecer desta quarta, escavadeiras blindadas avançaram contra o principal acampamento de protesto localizado do lado de fora da mesquita de Rabaa al-Adawiya, no leste do Cairo. Autoridades disseram que o outro acampamento de protesto, na Praça Nahda, também foi liberado.

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Há relatos de manifestantes feridos sendo tratados perto dos mortos em hospitais de campanha improvisados. A filha de 17 anos de Mohamed el-Beltagy, importante membro da Irmandade Muçulmana, está entre os mortos. Segundo seu irmão, Asmaa el-Beltagy foi atingida por disparos nas costas e no peito. Mick Deane, cinegrafista que trabalhava para Sky News, também foi morto, assim como a repórter Habiba Ahmed Abd Elaziz, Gulf News.

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Os EUA condenaram a violência , afirmando que a situação só tornará mais difícil para que o Egito siga adiante e dizendo que o mundo observa o que acontece no país. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, conclamou "todos os egípcios a concentrar seus esforços em promover uma reconciliação genuinamente inclusiva", disse o porta-voz Martin Nesirky.

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Confrontos também aconteceram em outros pontos da capital e em províncias em todo o país, à medida que a raiva entre os islamitas se espalhou, com estações de polícia, prédios do governo e igrejas cristãs coptas atacadas ou incendiadas.

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O Banco Central Egípcio instruiu os bancos comerciais a fechar suas agências nas regiões afetadas pelo caos, um sinal de alerta de que a violência poderia ficar fora de controle. O Ministério das Antiguidades também ordenou que as pirâmides Giza ficassem fechadas para visitantes, bem como o museu egípcio. Os fechamentos são uma precaução válida apenas para quarta-feira.

A ofensiva militar foi lançada depois de dias de alertas do governo interino apoiado pelo Exército que substituiu Morsi após sua deposição. Os dois acampamentos em duas grandes intersecções em lados opostos da capital egípcia começaram no final de junho em mostra de apoio a Morsi. Manifestantes - muitos da Irmandade Muçulmana , de Morsi - reivindicavam sua volta ao poder.

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O tumulto foi o mais recente capítulo em um impasse entre os partidários de Morsi e a liderança interina que tomou o controle do país mais populoso do mundo árabe. O Exército depôr Morsi depois de milhões de egípcios terem saído às ruas para pedir sua renúncia, acusando-o de dar à Irmandade muito influência e de fracassar em implementar reformas vitais ou em estimular a economia em crise.

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Corpos de partidários do presidente deposto Mohammed Morsi são vistos no chão de hospital improvisado no distrito de Nasr City, Cairo
AP
Corpos de partidários do presidente deposto Mohammed Morsi são vistos no chão de hospital improvisado no distrito de Nasr City, Cairo

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O golpe provocou protestos similares de partidários de Morsi depois que ele e outros líderes da Irmandade foram detidos enquanto as divisões se aprofundaram, dando um grande golpe às esperanças de retorno à estabilidade depois da revolução de 2011, que derrubou o líder autocrático Hosni Mubarak .

Morsi é mantido detido em uma localização desconhecida. Outros líderes da Irmandade foram indiciados por incitar violência. "O mundo não pode assistir sentado enquanto homens, mulheres e crianças inocentes são mortos indiscriminadamente. O mundo deve se levantar contra o crime da junta militar antes que seja tarde", disse em comunicado a Irmandade Muçulmana.

*Com AP e BBC

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