Diplomacia fracassou em superar crise, diz presidência do Egito

Por iG São Paulo |

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Premiê diz que governo não recuou da decisão de pôr fim a acampamentos pró-presidente deposto Morsi no Cairo

A presidência do Egito disse nesta quarta-feira que os esforços diplomáticos fracassaram na busca pelo fim da crise no país, e alertou que a Irmandade Muçulmana, grupo do presidente deposto Mohammed Morsi, será responsabilizada pelas consequências.

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AP
Partidários do deposto Mohammed Morsi seguram pôsteres em que se lê 'Sim para a legalidade, não para o golpe', em protesto do lado de fora da mesquita Rabaah al-Adawiya

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Em nota, o gabinete do presidente interino, Adly Mansour, disse que a iniciativa internacional de mediação iniciada há mais de dez dias "terminou hoje".

A Irmandade Muçulmana protesta há mais de um mês contra a intervenção militar que derrubou o islâmico Morsi, primeiro governante eleito democraticamente na história egípcia. Confrontos entre partidários do presidente deposto e as forças de segurança deixaram quase 300 mortos desde então.

Representantes dos EUA, União Europeia, Catar e Emirados Árabes Unidos vinham tentando mediar a crise e conter a violência no mais populoso país árabe.

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A nota do governo provisório diz que a Irmandade é completamente responsável "pelo fracasso desses esforços e pelos fatos posteriores que possam resultar desse fracasso, relacionados a violações da lei e de ameaças à paz civil".

A declaração foi vista como um sinal de que o governo está impaciente com os acampamentos e outros protestos da Irmandade. Nesta quarta, o primeiro-ministro interino do Egito, Hazem el-Beblawi, disse em pronunciamento televisivo que o governo não recuou da decisão de colocar fim a dois acampamentos pró-Morsi no Cairo, afirmando que a paciência das autoridades está quase acabando.

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Os manifestantes "quebraram todos os limites da paz", disse o primeiro-ministro, listando crimes incluindo incitação à violência, uso de armas, bloqueio de estradas e detenção de cidadãos. "A paciência do governo para suportar isso está quase no fim", afirmou.

Qualquer uso de armas contra policiais ou cidadãos "será confrontado com o máximo de força e determinação", disse. "Pedimos-lhes agora de novo, mais uma vez, para voltar rapidamente para suas casas e seus empregos", afirmou, acrescentando que aqueles cujas mãos "não estiverem manchadas de sangue" não enfrentarão a Justiça.

Veja fotos da crise egípcia desde a queda de Morsi: 

Forças de segurança do Egito fazem guarda em frente da Universidade Islâmica Al-Azhar no Cairo (30/10). Foto: APForças de segurança do Egito e civis seguram um partidário do presidente deposto Mohammed Morsi perto da Praça Ramsis, no Cairo (7/10). Foto: APConfrontos entre apoiadores e opositores do presidente deposto do Egito, Mohamed Mursi, deixam mortos e feridos (6/10). Foto: Amr Abdallah Dalsh/ReutersPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi gritaram palavras de ordem contra o ministro da Defesa do país durante marcha (4/10). Foto: APForças de segurança do Egito protegem o corpo do General Nabil Farrag morto por militantes que abriram fogo em Kerdasa  (19/9). Foto: APPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi protestam em Nasr City, no Cairo (13/9). Foto: APExército do Egito ataca militantes islâmicos no norte do Sinai (7/9). Foto: APPessoas observam carro queimando momentos depois que um atentado à bomba atingiu o comboio do ministro do Interior do Egito, Mohammed Ibrahim (5/9). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi cobram para se proteger de gás lacrimogêneo lançado por polícia no Cairo, Egito (30/8). Foto: APManifestantes que apoiam o líder deposto Mohammed Morsi ajudam ferido perto de Praça Ramsés, no Cairo (16/8). Foto: ReutersPartidário de Mohammed Morsi se desespera enquanto amigo que foi ferido pelas forças de segurança recebe tratamento em mesquita no Cairo, Egito (16/8). Foto: NYTEgípcios velam corpos de seus parentes mortos em massacre de quarta-feira na mesquita Al-Fath, no Cairo (16/8). Foto: APCivil carregando uma arma observa movimento da rua no bairro de Zamalek no Cairo, Egito (16/8). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi gritam palavras de ordem contra Exército durante confrontos no bairro de Mohandessin, no Egito (14/8). Foto: APForças de segurança do Egito prende manifestantes durante remoção de acampamento de partidários do islamita Mohammed Morsi em Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APHomem é ferido durante confronto no Egito (27/7). Foto: APPartidários do chefe do Exército egípcio, general Abdel-Fatah el-Sissi, se manifestam em ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APHomem de joelhos agita bandeiras do Egito  em uma ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APOpositores do presidente deposto Mohammed Morsi carregam amigo ferigo em confrontos com partidários de Morsi no Cairo (23/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi queimam pôsteres com sua foto durante confrontos no Cairo, Egito (22/03). Foto: APEgípcio com uma pistola e opositores do presidente Mohammed Morsi detêm um suposto partidário de Morsi que foi ferido em confrontos no Cairo (22/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi jogam pedras em opositores de Morsi durante confrontos em uma ponte no centro do Cairo (15/7). Foto: APMembros da Irmandade Muçulmana protestam com máscaras de Morsi no Cairo, no Egito (13/7) . Foto: ReutersPartidária de Mohammed Morsi coloca faixa na cabeça (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi rezam depois da quebra do jejum durante o mês sagrado do Ramadã em Nasr City, Cairo, Egito (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi seguram seus cartazes em protesto perto da Universidade do Cairo, no Egito (12/7). Foto: APVoluntários usando coletes amarelos protegem mulheres na praça Tahrir (8/7). Foto: APEgípcio chora do lado de fora de necrotério depois de carregar o corpo de seu irmão morto perto da Guarda Republicana no Cairo (8/7). Foto: APHomem mostra camiseta ensanguentada de partidário do presidente deposto Mohammed Morsi do lado de fora de hospital no Cairo (8/7). Foto: APMédico egípcio partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em hospital em Nassr City, Cairo (8/7). Foto: APCorpo de partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em ambulância no Cairo, Egito (8/7). Foto: APHomem chora em hospital improvisado depois de soldados e policiais abrirem fogo contra partidários de líder deposto Morsi (8/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi se manifestam na Praça Tahir, no Cairo, Egito (7/7). Foto: APOponentes de Mohammed Morsi se reunem na Praça Tahir, no Cairo, no domingo (7/7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (4/7). Foto: ReutersPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: Reuters

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Salientando a preocupação com a situação, a principal autoridade religiosa do Egito, a universidade e mesquita Al-Azhar, planeja promover um diálogo sobre a crise na semana que vem, reunindo pessoas que já propuseram soluções para superar o impasse, segundo relato da agência estatal de notícias Mena.

Os militares derrubaram Morsi depois de manifestações com milhões de participantes que exigiam a renúncia do presidente, acusando-o de estar tentando instaurar um regime islâmico no Egito.

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A nota da presidência informou que o governo havia autorizado os enviados internacionais a visitar líderes da Irmandade que estão presos, a fim de tentar convencer o grupo a "respeitar o desejo popular".

"Esses esforços não obtiveram o sucesso esperado, apesar do completo apoio que o governo egípcio ofereceu", disse o gabinete de Mansour, um juiz empossado pelos militares na presidência.

Não houve reação imediata por parte dos apoiadores de Morsi. Mohamed Ali Bishr, dirigente da Irmandade que representou o grupo em recentes contatos com diplomatas, disse à Reuters que precisa de tempo para conversar com seus correligionários antes de responder à declaração governamental.

*Com Reuters

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