Senadores dos EUA exigem libertação de islamitas no Egito

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

McCain e Graham alertam autoridades egípcias para piora de relações se país 'não se direcionar para a democracia'

Dois senadores dos EUA conclamaram o governo egípcio apoiado pelo Exército a libertar os membros detidos da Irmandade Muçulmana antes de começar negociações com o grupo, alertando para a piora das relações "se o Egito não se direcionar para a democracia". Mas a presidência interina do Egito denunciou a "pressão estrangeira", em um sinal de sua crescente impaciência com as mediações internacionais.

Domingo: Mediação no Egito corre risco com julgamento de líderes da Irmandade

AP
Senadores americanos John McCain (E) e Lindsey Graham falam durante coletiva no Cairo, Egito

Dia 10: Egito ordena prisão de líder da Irmandade Muçulmana

Saiba mais: Leia todas as notícias sobre a queda de Morsi

Citando fontes oficiais, o jornal estatal Al-Ahram indicou que a presidência do Egito deve anunciar que os esforços da mediação internacional para acabar com a crise política no país fracassaram, declarando que os protestos da Irmandade Muçulmana contra a deposição do presidente Mohammed Morsi pelo Exército em 3 de junho não foram pacíficos.

Os senadores John McCain e Lindsey Graham falaram depois de se encontrar com líderes civis e militares no Cairo como parte de uma ofensiva de esforços internacional para resolver um impasse entre o governo e partidários de Morsi.

Dia 4: Exército reprime Irmandade Muçulmana após depor Morsi

McCain disse que "reivindicamos a libertação dos prisioneiros políticos", referindo-se aos membros da Irmandade que foram detidos depois da deposição do islamita Morsi há um mês. "Em uma democracia, nos sentamos e conversamos um com o outro", disse Graham, acrescentando: "É impossível conversar com alguém que está preso."

Graham alertou que as relações entre os EUA e o Egito podem ser prejudicadas. "Alguns no Congresso querem cortar a relação. Alguns querem suspender o auxílio", disse. "Temos de ser honestos sobre em que nível está o relacionamento... não podemos apoiar um Egito que não se direciona para a democracia."

Dia 9: Irmandade rejeita cronograma de líder interino para eleições no Egito

O novo governo egípcio tem cumprido à risca um mapa político anunciado em 3 de julho, dia da deposição de Morsi depois de protestos que pediam sua renúncia. Os EUA e outras autoridades internacionais pediram a inclusão da Irmandade Muçulmana de Morsi no processo político em andamento.

Autoridades egípcias graduadas disseram que a reconciliação é uma prioridade, mas apenas depois que a Irmandade renunciar à violência. Eles citam violência sectária no sul do Egito, casos de tortura de manifestantes contrários a Morsi e o bloqueio das principais estradas.

Ahmed el-Musalamani, um porta-voz do presidente interino Adly Mansour, disse que a "pressão estrangeira excedeu os padrões internacionais". Ele afirmou que o Egito protegerá "a revolução" - em referência a 30 de junho, quando centenas de milhares de egípcios se revoltaram contra o governo Morsi.

Apesar de El-Musalamani não ter entrado em detalhes, seus comentários foram feitos enquanto o poderoso chefe do Exército Abdel-Fatah el-Sissi e o vice-presidente Mohamed ElBaradei mantiveram reuniões separadas com Graham e McCain, que chegou ao Cairo na segunda a pedido do presidente Barack Obama para pressionar as autoridades do país a um rápido retorno a um governo civil.

Dia 3: Obama ordena revisão de auxílio ao Egito após deposição de Morsi

Dia 24: EUA atrasam entrega de jatos F-16 ao Egito após deposição de Morsi

A agência de notícias oficial Mena informou que os dois senadores americanos e Sissi discutiram esforços para pôr fim "ao estado de polarização política e à violência" ao mesmo tempo em que o Egito avança em seu plano político. Os planos pedem emendas à Constituição e a realização de novas eleições até o início do próximo ano "sem discriminação ou isolamento".

O vice-secretário de Estado dos EUA William Burns, que chegou na sexta, também se encontrou com Mansour e ElBaradei. Na manhã de segunda, Burns visitou Khairat el-Shater, um importante líder da Irmandade que está em uma prisão no Cairo. Ele estava acompanhado pelo enviado da União Europeia e por chanceleres do Golfo.

Veja imagens da crise no Egito desde a queda de Morsi:

Forças de segurança do Egito fazem guarda em frente da Universidade Islâmica Al-Azhar no Cairo (30/10). Foto: APForças de segurança do Egito e civis seguram um partidário do presidente deposto Mohammed Morsi perto da Praça Ramsis, no Cairo (7/10). Foto: APConfrontos entre apoiadores e opositores do presidente deposto do Egito, Mohamed Mursi, deixam mortos e feridos (6/10). Foto: Amr Abdallah Dalsh/ReutersPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi gritaram palavras de ordem contra o ministro da Defesa do país durante marcha (4/10). Foto: APForças de segurança do Egito protegem o corpo do General Nabil Farrag morto por militantes que abriram fogo em Kerdasa  (19/9). Foto: APPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi protestam em Nasr City, no Cairo (13/9). Foto: APExército do Egito ataca militantes islâmicos no norte do Sinai (7/9). Foto: APPessoas observam carro queimando momentos depois que um atentado à bomba atingiu o comboio do ministro do Interior do Egito, Mohammed Ibrahim (5/9). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi cobram para se proteger de gás lacrimogêneo lançado por polícia no Cairo, Egito (30/8). Foto: APManifestantes que apoiam o líder deposto Mohammed Morsi ajudam ferido perto de Praça Ramsés, no Cairo (16/8). Foto: ReutersPartidário de Mohammed Morsi se desespera enquanto amigo que foi ferido pelas forças de segurança recebe tratamento em mesquita no Cairo, Egito (16/8). Foto: NYTEgípcios velam corpos de seus parentes mortos em massacre de quarta-feira na mesquita Al-Fath, no Cairo (16/8). Foto: APCivil carregando uma arma observa movimento da rua no bairro de Zamalek no Cairo, Egito (16/8). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi gritam palavras de ordem contra Exército durante confrontos no bairro de Mohandessin, no Egito (14/8). Foto: APForças de segurança do Egito prende manifestantes durante remoção de acampamento de partidários do islamita Mohammed Morsi em Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APHomem é ferido durante confronto no Egito (27/7). Foto: APPartidários do chefe do Exército egípcio, general Abdel-Fatah el-Sissi, se manifestam em ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APHomem de joelhos agita bandeiras do Egito  em uma ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APOpositores do presidente deposto Mohammed Morsi carregam amigo ferigo em confrontos com partidários de Morsi no Cairo (23/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi queimam pôsteres com sua foto durante confrontos no Cairo, Egito (22/03). Foto: APEgípcio com uma pistola e opositores do presidente Mohammed Morsi detêm um suposto partidário de Morsi que foi ferido em confrontos no Cairo (22/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi jogam pedras em opositores de Morsi durante confrontos em uma ponte no centro do Cairo (15/7). Foto: APMembros da Irmandade Muçulmana protestam com máscaras de Morsi no Cairo, no Egito (13/7) . Foto: ReutersPartidária de Mohammed Morsi coloca faixa na cabeça (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi rezam depois da quebra do jejum durante o mês sagrado do Ramadã em Nasr City, Cairo, Egito (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi seguram seus cartazes em protesto perto da Universidade do Cairo, no Egito (12/7). Foto: APVoluntários usando coletes amarelos protegem mulheres na praça Tahrir (8/7). Foto: APEgípcio chora do lado de fora de necrotério depois de carregar o corpo de seu irmão morto perto da Guarda Republicana no Cairo (8/7). Foto: APHomem mostra camiseta ensanguentada de partidário do presidente deposto Mohammed Morsi do lado de fora de hospital no Cairo (8/7). Foto: APMédico egípcio partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em hospital em Nassr City, Cairo (8/7). Foto: APCorpo de partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em ambulância no Cairo, Egito (8/7). Foto: APHomem chora em hospital improvisado depois de soldados e policiais abrirem fogo contra partidários de líder deposto Morsi (8/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi se manifestam na Praça Tahir, no Cairo, Egito (7/7). Foto: APOponentes de Mohammed Morsi se reunem na Praça Tahir, no Cairo, no domingo (7/7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (4/7). Foto: ReutersPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: Reuters

Chanceler da União Europeia: Líder deposto no Egito está bem

Morsi, o primeiro presidente eleito livremente no Egito que chegou ao poder quase um ano e meio depois da deposição de Hosni Mubarak no levante popular de 2011, tem sido mantido preso em um local secreto desde sua queda. Na semana passada, ele recebeu a visita da chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, e de um grupo de políticos africanos, mas o governo disse que não permitirá que mais nenhum enviado o encontre.

Mais: Egito acusa Morsi de conspirar com Hamas em fuga de prisão

Todas as negociações têm o objetivo de evitar uma colisão entre o governo apoiado pelo Exército e os partidários da Irmandade Muçulmana. Eles estão acampados no Cairo e na cidade de Giza há mais de um mês reivindicando a volta de Morsi ao poder, assim como o retorno da Constituição e do Parlamento.

Dia 27: Ataque no Cairo deixa ao menos 72 mortos

Os acampamentos de protesto têm sido usados como área de concentração para marchas de rua e bloqueios de trânsito, e algumas vezes desataram violência de rua com as forças de segurança ou com oponentes de Morsi. Em dois incidentes neste mês, mais de 130 pessoas, a maioria de partidários de Morsi, foram mortas em choques perto do principal acampamento no Cairo.

Dia 8: Choques entre Exército e partidários de Morsi deixam 54 mortos

Na semana passada, o governo ordenou às forças de segurança que limpem os acampamentos de protesto porque eles representam uma "ameaça de segurança nacional".

*Com AP

Leia tudo sobre: egitomorsiqueda de morsimundo árabeprimavera árabe

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas