McCain e Graham alertam autoridades egípcias para piora de relações se país 'não se direcionar para a democracia'

Dois senadores dos EUA conclamaram o governo egípcio apoiado pelo Exército a libertar os membros detidos da Irmandade Muçulmana antes de começar negociações com o grupo, alertando para a piora das relações "se o Egito não se direcionar para a democracia". Mas a presidência interina do Egito denunciou a "pressão estrangeira", em um sinal de sua crescente impaciência com as mediações internacionais.

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Senadores americanos John McCain (E) e Lindsey Graham falam durante coletiva no Cairo, Egito
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Senadores americanos John McCain (E) e Lindsey Graham falam durante coletiva no Cairo, Egito

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Citando fontes oficiais, o jornal estatal Al-Ahram indicou que a presidência do Egito deve anunciar que os esforços da mediação internacional para acabar com a crise política no país fracassaram, declarando que os protestos da Irmandade Muçulmana contra a deposição do presidente Mohammed Morsi pelo Exército em 3 de junho não foram pacíficos.

Os senadores John McCain e Lindsey Graham falaram depois de se encontrar com líderes civis e militares no Cairo como parte de uma ofensiva de esforços internacional para resolver um impasse entre o governo e partidários de Morsi.

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McCain disse que "reivindicamos a libertação dos prisioneiros políticos", referindo-se aos membros da Irmandade que foram detidos depois da deposição do islamita Morsi há um mês. "Em uma democracia, nos sentamos e conversamos um com o outro", disse Graham, acrescentando: "É impossível conversar com alguém que está preso."

Graham alertou que as relações entre os EUA e o Egito podem ser prejudicadas. "Alguns no Congresso querem cortar a relação. Alguns querem suspender o auxílio", disse. "Temos de ser honestos sobre em que nível está o relacionamento... não podemos apoiar um Egito que não se direciona para a democracia."

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O novo governo egípcio tem cumprido à risca um mapa político anunciado em 3 de julho, dia da deposição de Morsi depois de protestos que pediam sua renúncia. Os EUA e outras autoridades internacionais pediram a inclusão da Irmandade Muçulmana de Morsi no processo político em andamento.

Autoridades egípcias graduadas disseram que a reconciliação é uma prioridade, mas apenas depois que a Irmandade renunciar à violência. Eles citam violência sectária no sul do Egito, casos de tortura de manifestantes contrários a Morsi e o bloqueio das principais estradas.

Ahmed el-Musalamani, um porta-voz do presidente interino Adly Mansour, disse que a "pressão estrangeira excedeu os padrões internacionais". Ele afirmou que o Egito protegerá "a revolução" - em referência a 30 de junho, quando centenas de milhares de egípcios se revoltaram contra o governo Morsi .

Apesar de El-Musalamani não ter entrado em detalhes, seus comentários foram feitos enquanto o poderoso chefe do Exército Abdel-Fatah el-Sissi e o vice-presidente Mohamed ElBaradei mantiveram reuniões separadas com Graham e McCain, que chegou ao Cairo na segunda a pedido do presidente Barack Obama para pressionar as autoridades do país a um rápido retorno a um governo civil.

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A agência de notícias oficial Mena informou que os dois senadores americanos e Sissi discutiram esforços para pôr fim "ao estado de polarização política e à violência" ao mesmo tempo em que o Egito avança em seu plano político. Os planos pedem emendas à Constituição e a realização de novas eleições até o início do próximo ano "sem discriminação ou isolamento".

O vice-secretário de Estado dos EUA William Burns, que chegou na sexta, também se encontrou com Mansour e ElBaradei. Na manhã de segunda, Burns visitou Khairat el-Shater, um importante líder da Irmandade que está em uma prisão no Cairo. Ele estava acompanhado pelo enviado da União Europeia e por chanceleres do Golfo.

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Morsi, o primeiro presidente eleito livremente no Egito que chegou ao poder quase um ano e meio depois da deposição de Hosni Mubarak no levante popular de 2011, tem sido mantido preso em um local secreto desde sua queda. Na semana passada, ele recebeu a visita da chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, e de um grupo de políticos africanos, mas o governo disse que não permitirá que mais nenhum enviado o encontre.

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Todas as negociações têm o objetivo de evitar uma colisão entre o governo apoiado pelo Exército e os partidários da Irmandade Muçulmana. Eles estão acampados no Cairo e na cidade de Giza há mais de um mês reivindicando a volta de Morsi ao poder, assim como o retorno da Constituição e do Parlamento.

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Os acampamentos de protesto têm sido usados como área de concentração para marchas de rua e bloqueios de trânsito, e algumas vezes desataram violência de rua com as forças de segurança ou com oponentes de Morsi. Em dois incidentes neste mês, mais de 130 pessoas, a maioria de partidários de Morsi, foram mortas em choques perto do principal acampamento no Cairo.

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Na semana passada, o governo ordenou às forças de segurança que limpem os acampamentos de protesto porque eles representam uma "ameaça de segurança nacional".

*Com AP

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