Egito ordena à polícia pôr fim a acampamentos de protestos pró-Morsi

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ordem indica possível ação iminente. Governo também anuncia julgamento de líderes graduados da Irmandade

O governo egípcio apoiado pelo Exército ordenou que a polícia acabe com os acampamentos de protesto de partidários do presidente deposto Mohammed Morsi, dizendo que eles representam uma "ameaça inaceitável" à segurança nacional. Em uma medida paralela, três líderes graduados da Irmandade Muçulmana, de Morsi, foram remetidos à Justiça sob acusações de incitar a violência.

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AP
Partidário do presidente deposto Mohammed Morsi ergue punho durante marcha de mulheres contra o chefe do Exército Abdel-Fattah el-Sissi em Nasr City, Cairo (30/07)

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A ministra da Informação Dorreya Sharaf el-Din disse em um pronunciamento televisionado nesta quarta-feira que a polícia porá fim às manifestações "dentro da lei e da Constituição". "O gabinete ministerial decidiu tomar todas as medidas necessárias para confrontar esses riscos e acabar com eles", disse. Previamente, o governo interino havia alertado que qualquer violação da lei seria abordada de forma "firme".

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Apesar de não ter sido apresentado um cronograma, os comentários apontam para uma possível medida iminente para desmontar os dois principais protestos pró-Morsi no Cairo. Na semana passada, milhões de egípcios saíram às ruas atendendo a um chamado do chefe do Exército egípcio, Abdel-Fattah el-Sissi, que pediu um mandato popular para lidar com a violência e o "potencial terrorismo".

Morsi foi deposto pelo Exército em 3 de julho depois de protestos em massa pedindo sua renúncia. Desde então, seus partidários mantêm acampamentos reivindicando sua volta ao poder, com o argumento de que sua deposição foi um golpe, apesar de confrontos mortais com as forças de segurança.

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Os principais acampamentos de protesto estão localizado perto da mesquita Rabaa al-Adawiya, no nordeste da capital, onde choques fatais deixaram mais de 70 mortos no sábado, e na Praça Nahda perto do principal campus da Universidade do Cairo. Desde a deposição, a violência deixou mais de 260 mortos no país.

Veja imagens da crise no Egito desde a deposição de Morsi:

Forças de segurança do Egito fazem guarda em frente da Universidade Islâmica Al-Azhar no Cairo (30/10). Foto: APForças de segurança do Egito e civis seguram um partidário do presidente deposto Mohammed Morsi perto da Praça Ramsis, no Cairo (7/10). Foto: APConfrontos entre apoiadores e opositores do presidente deposto do Egito, Mohamed Mursi, deixam mortos e feridos (6/10). Foto: Amr Abdallah Dalsh/ReutersPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi gritaram palavras de ordem contra o ministro da Defesa do país durante marcha (4/10). Foto: APForças de segurança do Egito protegem o corpo do General Nabil Farrag morto por militantes que abriram fogo em Kerdasa  (19/9). Foto: APPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi protestam em Nasr City, no Cairo (13/9). Foto: APExército do Egito ataca militantes islâmicos no norte do Sinai (7/9). Foto: APPessoas observam carro queimando momentos depois que um atentado à bomba atingiu o comboio do ministro do Interior do Egito, Mohammed Ibrahim (5/9). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi cobram para se proteger de gás lacrimogêneo lançado por polícia no Cairo, Egito (30/8). Foto: APManifestantes que apoiam o líder deposto Mohammed Morsi ajudam ferido perto de Praça Ramsés, no Cairo (16/8). Foto: ReutersPartidário de Mohammed Morsi se desespera enquanto amigo que foi ferido pelas forças de segurança recebe tratamento em mesquita no Cairo, Egito (16/8). Foto: NYTEgípcios velam corpos de seus parentes mortos em massacre de quarta-feira na mesquita Al-Fath, no Cairo (16/8). Foto: APCivil carregando uma arma observa movimento da rua no bairro de Zamalek no Cairo, Egito (16/8). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi gritam palavras de ordem contra Exército durante confrontos no bairro de Mohandessin, no Egito (14/8). Foto: APForças de segurança do Egito prende manifestantes durante remoção de acampamento de partidários do islamita Mohammed Morsi em Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APHomem é ferido durante confronto no Egito (27/7). Foto: APPartidários do chefe do Exército egípcio, general Abdel-Fatah el-Sissi, se manifestam em ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APHomem de joelhos agita bandeiras do Egito  em uma ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APOpositores do presidente deposto Mohammed Morsi carregam amigo ferigo em confrontos com partidários de Morsi no Cairo (23/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi queimam pôsteres com sua foto durante confrontos no Cairo, Egito (22/03). Foto: APEgípcio com uma pistola e opositores do presidente Mohammed Morsi detêm um suposto partidário de Morsi que foi ferido em confrontos no Cairo (22/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi jogam pedras em opositores de Morsi durante confrontos em uma ponte no centro do Cairo (15/7). Foto: APMembros da Irmandade Muçulmana protestam com máscaras de Morsi no Cairo, no Egito (13/7) . Foto: ReutersPartidária de Mohammed Morsi coloca faixa na cabeça (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi rezam depois da quebra do jejum durante o mês sagrado do Ramadã em Nasr City, Cairo, Egito (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi seguram seus cartazes em protesto perto da Universidade do Cairo, no Egito (12/7). Foto: APVoluntários usando coletes amarelos protegem mulheres na praça Tahrir (8/7). Foto: APEgípcio chora do lado de fora de necrotério depois de carregar o corpo de seu irmão morto perto da Guarda Republicana no Cairo (8/7). Foto: APHomem mostra camiseta ensanguentada de partidário do presidente deposto Mohammed Morsi do lado de fora de hospital no Cairo (8/7). Foto: APMédico egípcio partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em hospital em Nassr City, Cairo (8/7). Foto: APCorpo de partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em ambulância no Cairo, Egito (8/7). Foto: APHomem chora em hospital improvisado depois de soldados e policiais abrirem fogo contra partidários de líder deposto Morsi (8/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi se manifestam na Praça Tahir, no Cairo, Egito (7/7). Foto: APOponentes de Mohammed Morsi se reunem na Praça Tahir, no Cairo, no domingo (7/7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (4/7). Foto: ReutersPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: Reuters

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"A continuidade dessa situação perigosa nas praças Rabaa al-Adawiya e Nahda, e os consequentes terrorismo e bloqueios de rua, não são mais aceitáveis dada a ameaça à segurança nacional", afirmou a ministra.

Dia 10: Egito ordena prisão de líder da Irmandade Muçulmana

Também nesta quarta, os promotores egípcios remeteram o líder foragido da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie, seu vice, Khairat al-Shater, e o líder graduado Rashad Bayoum a julgamento sob alegações de incitar a morte ao menos oito manifestantes do lado de fora da sede da Irmandade Muçulmana no Cairo na noite de 30 de junho e na madrugada do dia seguinte. Nenhuma data foi anunciada para o julgamento, que ocorrerá perante uma corte criminal.

*Com AP e BBC

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