Morsi agora está formalmente detido; ele é mantido preso em local desconhecido desde sua deposição, em 3 de julho

Procuradores do Egito acusaram o presidente deposto do país Mohammed Morsi nesta sexta-feira (26) por conspiração com o grupo militante palestino Hamas e homicídio em sua fuga da prisão em 2011, que deixou 14 guardas mortos, informaram agência de notícias estatais.

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Homem de joelhos agita bandeiras do Egito  em uma ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo
AP
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O anúncio ocorreu horas antes do início dos protestos em massa, marcados para tomar todo o país em resposta à convocação do chefe do Exército, general Abdel-Fatah el-Sissi, para uma demonstração de apoio popular aos militares

A Irmandade Muçulmana , o grupo islâmico que apoia Morsi, também convocou protestos em massa para esta sexta. As marchas rivais e o anúncio de que Morsi enfrenta acusações que poderiam levar à pena de morte em caso de condenação devem provocar novos episódios de violência e confrontos dos dois lados.

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A agência de notícias Mena disse que Morsi está agora formalmente detido por 15 dias dependendo da conclusão da investigação das acusações, mas não informou se Morsi seria transferido para um centro de detenções comum, onde poderia receber a visita de seus familiares. Sua detenção também pode ser prolongada conforme o inquérito continuar. 

As acusações contra Morsi incluem incêndio criminoso, destruição de registros de prisões e "colaboração com o Hamas para tomar atos agressivos no país, atacar instalações da polícia, oficiais e soldados".

A decisão fornece bases legais para a manutenção da prisão de Morsi, que está detido pelos militares desde sua deposição .  A informação da agência estatal disse que o juiz Hassan Samir, que investiga o caso, confrontou Morsi com evidências durante seu interrogatório. Não foi informado nem onde nem quando ele foi interrogado.

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Um porta-voz da Irmandade Muçulmana, que disse que o Exército realizou um golpe contra o chefe de Estado democraticamente eleito, descreveu as acusações como "ridículas". Gehad El-Haddad disse que a deposição marca o retorno do antigo regime.

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O porta-voz do Hamas Sami Abu Zuhri disse que o inquérito marca um "desdobramento grave", acrescentando que o novo governo egípcio "vê a causa palestina como hostil".

"Desafiamos os atuais governantes do Egito a trazer uma única prova de sua alegação de que o Hamas interferiu em assuntos internos do Egito", disse ele à Reuters.

Com AP e Reuters

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