Políticos de oposição na Tunísia foram mortos com a mesma arma, diz ministro

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Titular do Interior afirma que Al-Qaeda está por trás de assassinato de Brahmi; morte provoca protestos no país

O líder da oposição na Tunísia Mohammed Brahmi foi morto com a mesma arma usada no assassinato do político de esquerda Chokri Belaid, informou o ministro do Interior do país nesta sexta-feira (26). Segundo Loutfi Ben Jeddou, a célula extremista islâmica ligada à Al-Qaeda está por trás dos dois crimes.

Mohammed Brahmi: Político da oposição é assassinado na Tunísia

Reuters
Manifestantes gritam palavras de ordem durante marcha nas ruas da capital Túnis, Tunísia

Chokri Belaid: Assassinato de líder da oposição na Tunísia provoca protestos

Mohammed Brahmi foi atingido por 14 tiros em frente à sua casa e diante de sua família na quinta-feira. O assassinato desencadeou manifestações em várias regiões da Tunísia, lançando o país em uma nova crise política.

O ministro do Interior Loutfi Ben Jeddou afirmou a repórteres que testes balísticos nas balas de uma 9mm usada no ataque mostram que elas vieram da mesma arma utilizada no assassinato do opositor Chokri Belaid em fevereiro. Ele supôs que o atirador seja Boubakr Hakim, 30 anos, contrabandista de armas nascido na França, que, segundo ele, era conhecido por ser simpático à jihad.

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Ben Jeddou disse que chegou a essa conclusão baseado em evidências físicas e depoimentos de testemunhas. Hakim havia sido apontado como parte da célula formada por 14 membros por trás do assassinato de Belaid. O opositor foi morto em fevereiro por quatro membros do grupo ligado à Al-Qaeda que estão detidos, segundo o ministro.

A arma usada nos dois ataques, segundo o ministro, era um revólver semiautomático 9mm. A polícia recentemente efetuou uma busca na casa de Hakim e encontrou um outro revólver, explosivos e 90 cartuchos de munição.

AP
Legislador da Tunísia Mohammed Brahmi posa para fotógrafos durante reunião política em Túnis (foto de arquivo)

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A coletiva do ministro ocorreu após manifestações terem sido registradas em todo o país na noite de quinta-feira (25). Os manifestantes responsabilizavam o partido governista Ennahda pelo assassinato de Brahmi e atacaram sedes locais da legenda. A polícia usou gás lacrimogêneo no centro de Túnis e nas províncias para dispersar os protestos.

Nesta sexta-feira, milhares de manifestantes se concentraram em Túnis e bancos e lojas fecharam as portas. Segundo a agência Reuters, todos os voos com destino e origem no país foram cancelados.

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Manifestantes se reuniam em frente à sede do sindicato dos trabalhadores para sair em passeata pela principal avenida da cidade, onde havia forte mobilização policial. "Abaixo o regime da Irmandade Muçulmana", gritavam os manifestantes, em alusão ao governo de orientação islâmica.

O protesto ocorre depois de a oposição laica convocar protestos populares para tentar derrubar o governo do partido islâmico Ennahda. Os políticos islâmicos convocaram uma manifestação pró-governo a ser realizada depois das preces da sexta-feira.

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Em fevereiro, a morte de outro dirigente da Frente Popular, Chokri Belaid, desencadeou a maior onda de violência na Tunísia desde a rebelião popular que derrubou o ditador Zine al Abidine Ben Ali, em 2011, fato que inaugurou a chamada Primavera Árabe.

Brahmi, de 58 anos, fazia críticas à coalizão governista liderada pelo Ennahda, e participava da Assembleia Constituinte atualmente instalada na Tunísia.

Divisões entre grupos laicos e islâmicos se agravaram desde a deposição de Bem Ali, que desencadeou uma onda de rebeliões que acabaram por destituir líderes autocráticos no Egito, na Líbia e no Iêmen, além de levar a uma guerra civil na Síria.

Com AP e Reuters

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