Partidários e oponentes de líder deposto protagonizam protestos rivais no Egito

Por iG São Paulo |

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No dia em que Morsi é acusado de conspirar com Hamas, confrontos em Alexandria deixam dois mortos e 19 feridos

Partidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi saíram em massa às ruas em manifestações rivais nesta sexta-feira, lotando as ruas e levantando as tensões ainda mais depois de uma semana de violência que deixou mais de dez mortos.

Detenção: Egito acusa Morsi de conspirar com Hamas em fuga em 2011

AP
Partidários do chefe do Exército egípcio, general Abdel-Fatah el-Sissi, se manifestam em ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo

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Enquanto o Exército estabelecia postos de controle no Cairo, dezenas de milhares de pessoas empunhando bandeiras na Praça Tahrir elogiaram a tomada de poder pelos militares, com muitos na multidão segurando pôsteres do general que depôs Morsi e pediu na quarta demonstrações populares que lhe dessem um "mandato" para combater o terrorismo. Helicópteros sobrevoaram a baixa altitude a multidão, e famílias posaram para fotos com soldados perto de veículos blindados.

Ao mesmo tempo, partidários islamitas de Morsi marcharam ao longo de dezenas de rotas planejadas. Segundo a mídia estatal egípcia, confrontos entre os grupos opostos deixaram dois mortos e 19 feridos na cidade de Alexandria, e há temores de que aconteçam mais enfrentamentos.

Mais cedo, um juiz ordenou a detenção de Morsi por uma investigação sob acusações de que ele conspirou com o grupo palestino Hamas para fugir da prisão em 2011.

Dia 11: Egito investiga líder deposto por fuga da prisão durante levante de 2011

AP
Homem de joelhos agita bandeiras do Egito em uma ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo

Os líderes militares do Egito ficaram sob pressão internacional crescente para permitir acesso a Morsi, que está detido sem direito à comunicação em um local desconhecido desde que foi destituído pelo general Abdul-Fattah el-Sissi, o ministro da Defesa, em 3 de julho.

Em vez disso, o juiz de investigação Hassan Samir ordenou que ele fique detido por 15 dias para uma investigação sob acusações de espionagem, que advogados de direitos humanos dizem ter natureza política. Morsi fugiu da prisão de Wadi Natroun depois de ficar preso por dois dias pelo presidente Hosni Mubarak durante o levante de 2011 contra seu governo, segundo a mídia estatal.

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Morsi é acusado de conspirar com o Hamas — que governa a Faixa de Gaza e é aliado ao movimento de Morsi, a Irmandade Muçulmana — para lançar "atos hostis" assim como o assassinato e sequestro premeditados de soldados e policiais.

Depois de sua fuga, Morsi disse em uma entrevista de TV que estava entre 30 membros da Irmandade Muçulmana que foram soltos da prisão por homens que não conheciam.

Durante o um ano de Morsi como presidente, seus oponentes repetidamente o acusaram de conspirar com o Hamas, um braço da Irmandade. O caso de Wadi Natroun nunca teve andamento até que Morsi fosse deposto e os promotores começassem uma investigação agressiva.

Veja as fotos da crise no Egito desde a queda de Morsi:

Forças de segurança do Egito fazem guarda em frente da Universidade Islâmica Al-Azhar no Cairo (30/10). Foto: APForças de segurança do Egito e civis seguram um partidário do presidente deposto Mohammed Morsi perto da Praça Ramsis, no Cairo (7/10). Foto: APConfrontos entre apoiadores e opositores do presidente deposto do Egito, Mohamed Mursi, deixam mortos e feridos (6/10). Foto: Amr Abdallah Dalsh/ReutersPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi gritaram palavras de ordem contra o ministro da Defesa do país durante marcha (4/10). Foto: APForças de segurança do Egito protegem o corpo do General Nabil Farrag morto por militantes que abriram fogo em Kerdasa  (19/9). Foto: APPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi protestam em Nasr City, no Cairo (13/9). Foto: APExército do Egito ataca militantes islâmicos no norte do Sinai (7/9). Foto: APPessoas observam carro queimando momentos depois que um atentado à bomba atingiu o comboio do ministro do Interior do Egito, Mohammed Ibrahim (5/9). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi cobram para se proteger de gás lacrimogêneo lançado por polícia no Cairo, Egito (30/8). Foto: APManifestantes que apoiam o líder deposto Mohammed Morsi ajudam ferido perto de Praça Ramsés, no Cairo (16/8). Foto: ReutersPartidário de Mohammed Morsi se desespera enquanto amigo que foi ferido pelas forças de segurança recebe tratamento em mesquita no Cairo, Egito (16/8). Foto: NYTEgípcios velam corpos de seus parentes mortos em massacre de quarta-feira na mesquita Al-Fath, no Cairo (16/8). Foto: APCivil carregando uma arma observa movimento da rua no bairro de Zamalek no Cairo, Egito (16/8). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi gritam palavras de ordem contra Exército durante confrontos no bairro de Mohandessin, no Egito (14/8). Foto: APForças de segurança do Egito prende manifestantes durante remoção de acampamento de partidários do islamita Mohammed Morsi em Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APHomem é ferido durante confronto no Egito (27/7). Foto: APPartidários do chefe do Exército egípcio, general Abdel-Fatah el-Sissi, se manifestam em ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APHomem de joelhos agita bandeiras do Egito  em uma ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APOpositores do presidente deposto Mohammed Morsi carregam amigo ferigo em confrontos com partidários de Morsi no Cairo (23/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi queimam pôsteres com sua foto durante confrontos no Cairo, Egito (22/03). Foto: APEgípcio com uma pistola e opositores do presidente Mohammed Morsi detêm um suposto partidário de Morsi que foi ferido em confrontos no Cairo (22/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi jogam pedras em opositores de Morsi durante confrontos em uma ponte no centro do Cairo (15/7). Foto: APMembros da Irmandade Muçulmana protestam com máscaras de Morsi no Cairo, no Egito (13/7) . Foto: ReutersPartidária de Mohammed Morsi coloca faixa na cabeça (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi rezam depois da quebra do jejum durante o mês sagrado do Ramadã em Nasr City, Cairo, Egito (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi seguram seus cartazes em protesto perto da Universidade do Cairo, no Egito (12/7). Foto: APVoluntários usando coletes amarelos protegem mulheres na praça Tahrir (8/7). Foto: APEgípcio chora do lado de fora de necrotério depois de carregar o corpo de seu irmão morto perto da Guarda Republicana no Cairo (8/7). Foto: APHomem mostra camiseta ensanguentada de partidário do presidente deposto Mohammed Morsi do lado de fora de hospital no Cairo (8/7). Foto: APMédico egípcio partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em hospital em Nassr City, Cairo (8/7). Foto: APCorpo de partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em ambulância no Cairo, Egito (8/7). Foto: APHomem chora em hospital improvisado depois de soldados e policiais abrirem fogo contra partidários de líder deposto Morsi (8/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi se manifestam na Praça Tahir, no Cairo, Egito (7/7). Foto: APOponentes de Mohammed Morsi se reunem na Praça Tahir, no Cairo, no domingo (7/7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (4/7). Foto: ReutersPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: Reuters

Em uma declaração, Salah al-Bardawil, porta-voz do Hamas, denunciou as acusações e desafiou os promotores egípcios a apresentar provas de que o grupo teve qualquer envolvimento com a invasão da prisão.

Gehad el-Haddad, um porta-voz da Irmandade, disse nesta sexta que as acusações eram mais uma mostra de repúdio à revolta que depôs Mubarak e “deveriam aumentar o número de pessoas com raiva nas ruas". "Isso apenas reforça a percepção de que o Estado de Mubarak está de volta", disse.

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