Político da oposição é assassinado na Tunísia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Multidões saem às ruas após morte de Mohammed Brahmi, segundo político assassinado no país este ano

Homens armados mataram a tiros o líder de um partido esquerdista da oposição da Tunísia na manhã desta quinta-feira (25). Mohammed Brahmi, 58 anos, é o segundo político assassinado no local onde nasceu a Primavera Árabe em 2011 e sua morte representa um novo golpe para a difícil transição democrática no país.

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Partidária da Frente Popular da Tunísia reage no hospital Mahmoud Materi após morte de Mohammed Brahmi em Túnis

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Brahmi, líder de um partido nacionalista árabe, estava dentro do carro do lado de fora de sua casa, quando homens armados dispararam diversas vezes contra ele, informou Ali Aroui, porta-voz do Ministério do Interior.

Os dois autores dos tiros, então, deixaram o local rapidamente em uma motocicleta, segundo um vizinho citado por uma agência estatal de notícias. A mídia local informou que Brahmi foi atingido 11 vezes.

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É a segunda morte de um opositor esse ano, depois do assassinato de Chokri Belaid, membro da mesma coalizão de esquerda Frente Popular que Brahmi. Belaid também foi atingido por tiros em seu carro do lado de fora da sua casa em fevereiro. Seu assassinato provocou uma crise política intensa que quase refreou a transição no país.

A Tunísia é liderada pelo partido moderado islamita Ennahda, que dominou as eleições em outubro de 2011 e liderou uma coalizão com outros dois partidos seculares.

A oposição criticou o Ennahda por não impedir o avanço de extremistas islâmicos, e muitos integrantes do partido de Belaid acusam o governo como responsável por seu assassinato.

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Legislador da Tunísia Mohammed Brahmi posa para fotógrafos durante reunião política em Túnis (foto de arquivo)

Pouco depois da notícia ser divulgada, multidões se reuniram do lado de fora do Ministério do Interior no centro de Túnis pedindo a derrubada do governo. Também houve manifestações em várias partes do país, incluindo Sidi Bouzid, cidade natal de Brahmi que foi também o local de nascimento da revolta contra a ditadura em 2011. Multidões na cidade de Meknassi queimaram a sede local do Ennahda.

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"Esse dia significa a morte do processo democrático na Tunísia", disse Nejib Chebbi do partido de oposição liberal Jomhouri (Republicano) a uma rádio local. "O governo deve sair."

Multidões se reuniram também do lado de fora do hospital no subúrbio de Ariana em Túnis, onde o corpo de Brahmi foi colocado após o ataque, antes de seguir de ambulância para uma autópsia oficial.

O líder do Ennahda, Rachid Ghannouchi, disse à agência Associated Press que estava "muito chocado" com o assassinato do opositor, que ocorre no  momento em que o país precisa se estabilizar para concluir sua nova constituição e sua transição política. "A Tunísia estava se preparando para coroar seus esforços completando sua transição, era a última vela acesa", disse, se referindo a outros países árabes que se revoltaram contra ditaduras, mas enfrentaram instabilidade política desde então.

"Os inimigos da democracia querem apagar (essa vela) para envolver a Tunísia nos problemas que ocorrem nos outros países da Primavera Árabe."

Em 3 de julho, o presidente islamita eleito no Egito foi deposto pelo Exército - um evento acompanhado de perto por outros partidos islâmicos que tomaram o poder através de eleições após a Primavera Árabe.

Com AP

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