Pentágono apresenta riscos e custos de intervenção dos EUA na guerra da Síria

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Pela primeira vez, presidente do Estado-Maior Conjunto detalha ao Congresso logística e custos de ação militar

Estabelecer uma zona de exclusão aérea para proteger os rebeldes sírios exigiria centenas de aviões dos EUA a um custo de mais de US$ 1 bilhão por mês, com nenhuma certeza de que isso mudaria o ritmo da guerra civil no país, informou na segunda-feira (22) o presidente do Estado-Maior Conjunto.

Síria: Posição neutra torna Crescente Vermelho alvo dos dois lados do conflito

AP
Presidente do Estado-Maior Conjunto, general Martin Dempsey, participa de comitê em Washington, EUA

Saiba mais: Veja o especial do iG sobre a Primavera Árabe

Em uma carta enviada a dois senadores, o general Martin Dempsey delineou os riscos, os custos e os benefícios de uma ação mais agressiva do Exército americano enquanto o governo Obama pesa os próximos passos no sentido de ajudar a oposição que luta contra as forças de segurança do presidente Bashar al-Assad.

O conflito sectário deixou cerca de 93 mil mortos, segundo estimativas da ONU, e milhões de desabrigados, o que levou a mais pedidos no Congresso por uma maior ação dos EUA.

Contagem: 5 mil morrem por mês; Londres protegerá rebeldes de armas químicas

Dempsey disse que a decisão de usar força na Síria não é uma daquelas que se pode fazer levemente. "Não é nada menos que um ato de guerra", ele escreveu. E uma vez que essa decisão for tomada, os EUA deve estar preparado para o que possa vir depois. "Um envolvimento mais profundo é difícil de evitar."

O senador Carl Levin, presidente do Comitê de Serviços Armados, e o senador John McCain pressionaram Dempsey para que ele desse sua avaliação pessoal antes de avançar com sua candidatura para um novo mandato de dois anos. McCain e Levin têm pressionado por uma resposta mais agressiva do governo Obama em relação à mortal guerra civil.

Refugiados sírios no Brasil:
Família síria paga US$ 10 mil para acelerar fuga de menino ao Brasil
No Brasil, refugiado sonha em voltar para Síria e 'começar do negativo'
Refugiado no Brasil teve unhas arrancadas em sessões de tortura na Síria

Dempsey listou os custos, que vão de milhões a bilhões de dólares, para opções que vão desde treinar e armar grupos rebeldes, até conduzir ataques limitados contra a defesa aérea síria, além de criar uma zona de exclusão aérea.

O líder do Exército disse que apesar de reconhecer que esses passos ajudariam a oposição e pressionariam o governo Assad, "aprendemos com os últimos dez anos, entretanto, que isso não é suficiente para simplesmente alterar o equilíbrio do poder militar sem considerar cuidadosamente o que é necessário para preservar um Estado em funcionamento".

Conversão: Guerra na Síria atrai jovens europeus sem relação com o país

Drama: Filho de brasileira deixa Bélgica para lutar na guerra civil da Síria

Dempsey fazia uma referência às guerras no Iraque e no Afeganistão. O presidente do Estado-Maior Conjunto também disse que a criação de uma zona de exclusão aérea neutralizaria as defesas da Síria. Isso exigiria "centenas de aviões baseados em terra e mar, inteligência e tecnologia e facilitadores para o reabastecimento e para as comunicações. Os custos estimados inicialmente são de US$ 500 milhões, chegando em média a US$ 1 bilhão por mês no curso de um ano".

Ele disse que enquanto essa ação provocaria o possível resultado de "quase total eliminação" da habilidade da Síria em bombardear redutos da oposição, os riscos seriam a perda de aviões dos EUA. Ele afirmou também que um passo como esse "poderia fracassar em reduzir a violência ou mudar o ritmo, porque o regime se mantém predominantemente com poder de fogo - morteiros, artilharia e mísseis".

NYT: Sedentos por armas, rebeldes sírios fabricam morteiros improvisados

Dempsey disse que deu ao presidente Barack Obama opções para o uso da força militar dos EUA na Síria, mas ele se recusou a detalhar essas opções. "Seria inapropriado para mim tentar incluenciar a decisão tornando pública uma opinião sobre o tipo de força que deveríamos usar", disse.

Com AP

Leia tudo sobre: síriamundo árabeprimavera árabeeuaestado maior conjunto

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas