Família Morsi acusa Exército egípcio de sequestro em meio a confrontos nas ruas

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ao menos quatro manifestantes foram mortos em conflitos no Cairo e em Qalioub e dezenas ficaram feridos

A família do presidente deposto do Egito atacou o Exército nesta segunda-feira (22), acusando os generais de sequestrar Mohammed Morsi, que está detido e incomunicável em uma localização desconhecida há quase três semanas.

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Egípcio com uma pistola e opositores do presidente Mohammed Morsi detêm um suposto partidário de Morsi que foi ferido em confrontos no Cairo

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Episódios de violência foram registrados em protestos de partidários de Morsi, que exigem seu restabelecimento, deixando ao menos quatro mortos. Os partidários do líder islamita marcharam perto da Praça Tahrir, no Cairo, e entraram em confronto com opositores acampados na praça, trocando pedras e tiros, enquanto outros conflitos surgiram em uma cidade ao norte do Cairo.

O comunicado da família de Morsi foi divulgado em uma coletiva de imprensa no Cairo e destacou o destino desconhecido do primeiro presidente eleito democraticamente no país. Morsi não foi visto nem entrou em contato com seus advogados, familiares ou partidários desde que foi deposto pelo Exército em 3 de julho após protestos nacionais que exigiam sua queda.

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Desde sua deposição, o líder islâmico se tornou uma arma para os dois lados da disputa. O novo governo apoiado pelo Exército usa Morsi para pressionar a Irmandade Muçulmana, lançando investigações criminais sem de fato indiciar o presidente deposto. Autoridades do governo dizem apenas que ele está seguro e é mantido detido por sua própria proteção.

Por outro lado, a Irmandade tenta angariar empatia do público, afirmando que a detenção de Morsi prova que os militares deram um golpe e estão levando o país rumo a uma ditadura. Ao mesmo tempo, o grupo tenta expandir os protestos nas ruas exigindo o restabelecimento de Morsi como presidente.

Os chanceleres da União Europeia (UE), assim como os EUA, pediram nesta segunda-feira a libertação de Morsi e todos "os presos políticos". Além de Morsi outros cinco líderes da Irmandade estão detidos.

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Na coletiva, a irmã de Morsi Shaimaa leu um comunicado feito pela família. Osama, um dos filhos de Morsi, descreveu a prisão do pai como a "personificação do sequestro da vontade popular e de toda a nação", e afirmou que a família tomará "medidas legais" para colocar fim à sua detenção. "O que aconteceu é crime de sequestro", disse Osama, que é advogado. "Eu não consigo encontrar meios legais para ter acesso a ele."

Ele disse que a família se encontrou com Morsi pela última vez em 3 de julho, pouco antes que o chefe do Exército Abdel-Fattah el-Sissi anunciasse a queda do presidente. Desde então, eles não tiveram mais nenhum contato com o líder.

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Os procuradores do Egito dizem que estão investigando acusações de que Morsi e autoridades da Irmandade conspiraram com o grupo palestino Hamas para lançar um ataque em 2011 em prisões libertando Morsi e outros líderes da Irmandade durante os 18 dias de revolta contra o regime autocrático de Hosni Mubarak. Entretanto, os procuradores não ordenaram formalmente a prisão de Morsi para investigação - o que significa que sua detenção atual continua fora do sistema legal.

Na segunda-feira, um líder importante da Irmandade Muçulmana engrossou a campanha contra os EUA, convocando os manifestantes a "sitiar" a embaixada e expulsar o embaixador do país. Essam el-Erian, vice-líder do partido político da Irmandade, disse nesta segunda-feira que o "papel americano no golpe é muito claro e ninguém pode esconder". Ele falou a uma plateia de 100 ex-legisladores.

Horas depois, centenas de islamitas tentaram marchar em direção à Embaixada dos EUA, passando próximo à Praça Tahrir, onde opositores de Morsi estavam acampados. Foram registrados conflitos entre os dois lados, e tiros puderam ser ouvidos.

Forças de segurança do Egito fazem guarda em frente da Universidade Islâmica Al-Azhar no Cairo (30/10). Foto: APForças de segurança do Egito e civis seguram um partidário do presidente deposto Mohammed Morsi perto da Praça Ramsis, no Cairo (7/10). Foto: APConfrontos entre apoiadores e opositores do presidente deposto do Egito, Mohamed Mursi, deixam mortos e feridos (6/10). Foto: Amr Abdallah Dalsh/ReutersPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi gritaram palavras de ordem contra o ministro da Defesa do país durante marcha (4/10). Foto: APForças de segurança do Egito protegem o corpo do General Nabil Farrag morto por militantes que abriram fogo em Kerdasa  (19/9). Foto: APPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi protestam em Nasr City, no Cairo (13/9). Foto: APExército do Egito ataca militantes islâmicos no norte do Sinai (7/9). 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Foto: APForças de segurança do Egito prende manifestantes durante remoção de acampamento de partidários do islamita Mohammed Morsi em Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APHomem é ferido durante confronto no Egito (27/7). Foto: APPartidários do chefe do Exército egípcio, general Abdel-Fatah el-Sissi, se manifestam em ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APHomem de joelhos agita bandeiras do Egito  em uma ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APOpositores do presidente deposto Mohammed Morsi carregam amigo ferigo em confrontos com partidários de Morsi no Cairo (23/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi queimam pôsteres com sua foto durante confrontos no Cairo, Egito (22/03). Foto: APEgípcio com uma pistola e opositores do presidente Mohammed Morsi detêm um suposto partidário de Morsi que foi ferido em confrontos no Cairo (22/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi jogam pedras em opositores de Morsi durante confrontos em uma ponte no centro do Cairo (15/7). Foto: APMembros da Irmandade Muçulmana protestam com máscaras de Morsi no Cairo, no Egito (13/7) . Foto: ReutersPartidária de Mohammed Morsi coloca faixa na cabeça (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi rezam depois da quebra do jejum durante o mês sagrado do Ramadã em Nasr City, Cairo, Egito (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi seguram seus cartazes em protesto perto da Universidade do Cairo, no Egito (12/7). Foto: APVoluntários usando coletes amarelos protegem mulheres na praça Tahrir (8/7). Foto: APEgípcio chora do lado de fora de necrotério depois de carregar o corpo de seu irmão morto perto da Guarda Republicana no Cairo (8/7). 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Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (4/7). Foto: ReutersPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: Reuters

Um opositor de Morsi morreu e dezenas ficaram feridos, alguns por tiros de estilingue, outros com munição real, segundo informou George Ihab, médico que está no acampamento prestando socorro.

Ao mesmo tempo, a cidade de Qalioub foi palco de confrontos, quando partidários de Morsi bloquearam uma rodovia entre a capital e a cidade de Alexandria, segundo informaram autoridades de segurança.

Forças de segurança exigiram que eles se retirassem do local, e manifestantes atiraram para o ar. Ao menos três foram mortos nos confrontos, incluindo um garoto de 15 anos e outro de 18.

Com AP e Reuters

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