Ministro da Defesa acumula cargo de vice-premiê, sinal da influência do Exército no governo que sucedeu a islamita

O presidente interino do Egito, Adly Mansour , empossou nesta terça-feira a um novo gabinete, o primeiro desde a queda do presidente islamita Mohammed Morsi pelo Exército há quase duas semanas. A cerimônia foi feita depois de mais uma noite de violência entre forças de segurança e partidários de Morsi, que deixou sete mortos  e 400 presos.

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Imagem divulgada pela Presidência do Egito mostra o presidente interino, Adly Mansour (C), com seu gabinete ministerial no Cairo
AP
Imagem divulgada pela Presidência do Egito mostra o presidente interino, Adly Mansour (C), com seu gabinete ministerial no Cairo

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O novo governo é liderado pelo primeiro-ministro Hazem el-Beblawi , um economista, e caracteriza a promoção do ministro da Defesa egípcio, o general Abdel-Fattah el-Sissi, que depôs Morsi no dia 3, ao cargo de vice-primeiro-ministro. Sissi também mantém a pasta da Defesa. Segundo analistas, o novo cargo deve elevar a influência dos militares sobre as decisões políticas.

O ministro do Interior indicado por Morsi, Mohammed Ibrahim, continua no cargo, encarregado da polícia. Nabil Fahmy, que foi embaixador do Egito nos EUA entre 1999 e 2008, tornou-se ministro de Relações Exteriores.

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Partidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi jogam pedras em opositores de Morsi durante confrontos em uma ponte no centro do Cairo (15/7)
AP
Partidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi jogam pedras em opositores de Morsi durante confrontos em uma ponte no centro do Cairo (15/7)

O político liberal Mounir Fakhry Abdel Nour, um cristão, tomou posse como ministro interino da Indústria e Comércio. Há três mulheres no novo gabinete, incluindo Maha el-Rabat, que assume o Ministério da Saúde.

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Não há nenhum posto para qualquer membro de partidos islâmicos. Um porta-voz da Irmandade Muçulmana , de Morsi, caracterizou o governo interino de "ilegítimo", com o argumento de que a deposição do líder islamita foi um golpe militar. O Exército, por sua vez, justifica sua ação afirmando que cumpria o desejo popular após protestos em massa contra o ex-presidente.

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O plano de transição do governo interino prevê a formação de uma painel na próxima semana que elaborará emendas para a Constituição e um cronograma para novas eleições.

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Tensão

O derramamento de sangue na noite de segunda e madrugada desta terça, que aconteceu uma semana depois que as tropas do Exército e policiais mataram mais de 50 partidários de Morsi, deixa clara a determinação dos aliados do líder islamita de resistir contra a nova ordem política e manter a pressão sobre os militares e o governo interino para que ofereçam concessões.

Não houve uma explicação oficial sobre como os sete manifestantes morreram, mas autoridades de segurança disseram, em condição de anonimato, que quatro foram mortos em confrontos entre partidários de Morsi, que se manifestavam em frente ao principal campus da Universidade do Cairo, e residentes da região.

*Com AP e Reuters

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