Mohamed ElBaradei toma posse como vice-presidente do Egito

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Prêmio Nobel da Paz será encarregado das relações internacionais do governo interino no Egito

O vencedor do Prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, um dos líderes da oposição ao presidente deposto Mohamed Morsi, tomou posse neste domingo (14) como vice-presidente do Egito, declarou a presidência interina. Defensor das reforma no país, sua posse reforça o papel da nova liderança dos liberais que se opõem fortemente a Irmandade Muçulmana.

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AP
Elbaradei foi nomeado para o posto de vice-presidente

Mohamed ElBaradei ganhou o Prêmio Nobel da Paz por seu papel como a chefe da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU e voltou para casa para assumir um papel importante na revolta anti-Mubarak. Lá, emergiu como um dos líderes mais visíveis da oposição.

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ElBaradei será encarregado das relações internacionais do Egito, preenchendo uma posição que não existia sob governos Morsi ou Mubarak. Os detalhes do seu mandato permanecem obscuros. Após a posse, o porta-voz da NSF Khaled Dawoud disse que ElBaradei já não liderava mais a coalizão. "Ele agora é um vice-presidente para todos os egípcios", disse.

Nomeações

Hazem el-Beblawi, um economista liberal, de 76 anos, nomeado primeiro-ministro interino na semana passada, está escolhendo tecnocratas e liberais para formar um governo para dirigir o país sob uma Constituição provisória, até as eleições parlamentares que deverão ocorrer em cerca de seis meses.

Um ex-embaixador dos EUA, Nabil Fahmy, aceitou o cargo de ministro das relações exteriores, um sinal da importância que o governo dá ao seu relacionamento com a superpotência, que fornece R$ 1,3 bilhão por ano, em ajuda militar ao país.

"É muito bom que finalmente, estejamos sendo reconhecidos como cidadãos egípcios e estamos tendo uma melhor representação no governo", disse Joseph Shukry, um Copta de 31 anos, no Cairo.

"Mas precisamos ter mais segurança ao redor de nossas igrejas, já que não há proteção alguma e estamos muito preocupados com ataques de islamistas aos nossos locais sagrados".

Forças de segurança do Egito fazem guarda em frente da Universidade Islâmica Al-Azhar no Cairo (30/10). Foto: APForças de segurança do Egito e civis seguram um partidário do presidente deposto Mohammed Morsi perto da Praça Ramsis, no Cairo (7/10). Foto: APConfrontos entre apoiadores e opositores do presidente deposto do Egito, Mohamed Mursi, deixam mortos e feridos (6/10). Foto: Amr Abdallah Dalsh/ReutersPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi gritaram palavras de ordem contra o ministro da Defesa do país durante marcha (4/10). Foto: APForças de segurança do Egito protegem o corpo do General Nabil Farrag morto por militantes que abriram fogo em Kerdasa  (19/9). Foto: APPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi protestam em Nasr City, no Cairo (13/9). Foto: APExército do Egito ataca militantes islâmicos no norte do Sinai (7/9). Foto: APPessoas observam carro queimando momentos depois que um atentado à bomba atingiu o comboio do ministro do Interior do Egito, Mohammed Ibrahim (5/9). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi cobram para se proteger de gás lacrimogêneo lançado por polícia no Cairo, Egito (30/8). Foto: APManifestantes que apoiam o líder deposto Mohammed Morsi ajudam ferido perto de Praça Ramsés, no Cairo (16/8). Foto: ReutersPartidário de Mohammed Morsi se desespera enquanto amigo que foi ferido pelas forças de segurança recebe tratamento em mesquita no Cairo, Egito (16/8). Foto: NYTEgípcios velam corpos de seus parentes mortos em massacre de quarta-feira na mesquita Al-Fath, no Cairo (16/8). Foto: APCivil carregando uma arma observa movimento da rua no bairro de Zamalek no Cairo, Egito (16/8). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi gritam palavras de ordem contra Exército durante confrontos no bairro de Mohandessin, no Egito (14/8). Foto: APForças de segurança do Egito prende manifestantes durante remoção de acampamento de partidários do islamita Mohammed Morsi em Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APHomem é ferido durante confronto no Egito (27/7). Foto: APPartidários do chefe do Exército egípcio, general Abdel-Fatah el-Sissi, se manifestam em ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APHomem de joelhos agita bandeiras do Egito  em uma ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APOpositores do presidente deposto Mohammed Morsi carregam amigo ferigo em confrontos com partidários de Morsi no Cairo (23/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi queimam pôsteres com sua foto durante confrontos no Cairo, Egito (22/03). Foto: APEgípcio com uma pistola e opositores do presidente Mohammed Morsi detêm um suposto partidário de Morsi que foi ferido em confrontos no Cairo (22/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi jogam pedras em opositores de Morsi durante confrontos em uma ponte no centro do Cairo (15/7). Foto: APMembros da Irmandade Muçulmana protestam com máscaras de Morsi no Cairo, no Egito (13/7) . Foto: ReutersPartidária de Mohammed Morsi coloca faixa na cabeça (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi rezam depois da quebra do jejum durante o mês sagrado do Ramadã em Nasr City, Cairo, Egito (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi seguram seus cartazes em protesto perto da Universidade do Cairo, no Egito (12/7). Foto: APVoluntários usando coletes amarelos protegem mulheres na praça Tahrir (8/7). Foto: APEgípcio chora do lado de fora de necrotério depois de carregar o corpo de seu irmão morto perto da Guarda Republicana no Cairo (8/7). Foto: APHomem mostra camiseta ensanguentada de partidário do presidente deposto Mohammed Morsi do lado de fora de hospital no Cairo (8/7). Foto: APMédico egípcio partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em hospital em Nassr City, Cairo (8/7). Foto: APCorpo de partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em ambulância no Cairo, Egito (8/7). Foto: APHomem chora em hospital improvisado depois de soldados e policiais abrirem fogo contra partidários de líder deposto Morsi (8/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi se manifestam na Praça Tahir, no Cairo, Egito (7/7). Foto: APOponentes de Mohammed Morsi se reunem na Praça Tahir, no Cairo, no domingo (7/7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (4/7). Foto: ReutersPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: Reuters

Ruas calmas

O domingo marca uma semana sem violência nas ruas, depois que confrontos entre o exército, partidários de Mursi e seus opositores mataram mais de 90 pessoas nos dias seguintes à sua derrubada.

Mursi, o primeiro presidente eleito democraticamente do Egito, está detido, incomunicável, em um local não divulgado, desde que o exército o afastou do poder, depois que milhões de pessoas tomaram as ruas, protestando contra ele.

As autoridades não o acusaram de nenhum crime, mas disseram no sábado, que estão investigando queixas contra ele de espionagem, incitação à violência e destruição da economia.

As acusações de incitar a violência já foram feitas contra muitas das principais figuras da Irmandade, embora na maioria dos casos, a polícia não tenha ido em frente e efetuado prisões. A Irmandade diz que as acusações criminais fazem parte de uma ação repressiva contra eles e que as autoridades são culpadas pela violência.

Milhares de partidários de Mursi têm feito vigília em uma praça perto de uma mesquita no nordeste do Cairo, prometendo não sair de lá até que ele seja reempossado, uma esperança que agora parece ser em vão. Dezenas de milhares de pessoas marcharam na sexta-feira, mas as manifestações terminaram pacificamente.

"Sentimos que nos últimos dias tem havido mais estabilidade, mais chance de uma melhora econômica, porque não tem havido muita violência", disse Ahmed Hilmi, de 17 anos, enquanto cuidava de uma barraca de sucos, ao ar livre, para as pessoas levarem para casa para quebrar o jejum do Ramadã.

"Aqueles que ainda estão protestando, são uma pequena minoria, mas como uma nação, acho que estamos melhor e vamos melhorar"."

A Irmandade pediu que aconteçam mais manifestações na segunda-feira. Opositores de Mursi também marcaram novas manifestações, embora seus protestos estejam atraindo muito menos gente, agora que eles alcançaram seu objetivo de depor o presidente.

O desafio de Beblawi é montar um governo que seja inclusivo, sem Islamistas. A irmandade disse que não terá relações de qualquer natureza com um regime que ela diz que foi imposto depois de um "golpe fascista".

As autoridades têm cortejado um outro grande grupo islamista, o ultra-ortodoxo partido Nour, aliado de Mursi por um tempo, que rompeu com ele e aceitou a tomada de poder do exército.

Nour diz que não está buscando cargos ministeriais, mas está apoiando tecnocratas e aconselhando Beblawi.

O próprio Beblawi só foi escolhido depois que o Nour vetou outros candidatos a primeiro-ministro, incluindo ElBaradei.

*Com AP e Reuters

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