Egito investiga presidente deposto por fuga da prisão durante levante de 2011

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Promotores verificam se Morsi e outros islamitas fugiram com ajuda de Hamas durante revolta contra Mubarak

Autoridades disseram que promotores investigarão se o presidente deposto Mohammed Morsi fugiu da prisão durante o levante popular de 2011 com ajuda do grupo militante palestino Hamas.

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Os funcionários disseram que o procurador-geral Hesham Barakat coletou testemunhos de uma corte na cidade de Ismailia, no Canal de Suez, que será a base para uma investigação de promotores de segurança sobre a fuga de presos de Morsi e mais de outros 30 líderes da Irmandade.

Reuters
Membro da Irmandade Muçulmana e partidário do presidente deposto Mohamed Morsi é visto no teto de prédio no quarteirão da Praça Rabaa Adawiya, Cairo

A questão se o Hamas os ajudou a escapar em meio ao caos durante o levante que forçou a queda de Hosni Mubarak foi debatida na mídia durante meses. O Hamas negou ter qualquer papel. Morsi disse que residentes locais o ajudaram a fugir.

Essa é a segunda investigação anunciada contra Morsi. No dia 4, o juiz Tharwat Hammad disse que autoridades judiciais abriram uma investigação sobre as acusações de que Morsi e outros 15 islâmicos insultaram o Judiciário.

A informação sobre a nova investigação surgiu no mesmo dia em que a Irmandade Muçulmana prometeu não desistir de fazer com que o presidente deposto retorne ao poder, insistindo, porém, que sua resistência é pacífica em uma tentativa de se distanciar de mais de uma semana de confrontos com as forças de segurança.

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Quinta: Egito ordena prisão de líder da Irmandade Muçulmana

O grupo rejeitou trabalhar com os líderes interinos, que tentam restaurar a calma e tem de abrir caminho para novas eleições no início do próximo ano depois da deposição de Morsi e da repressão contra outros líderes do movimento islâmico.

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O golpe militar, que aconteceu após protestos em massa de milhões de egípcios reivindicando a queda do presidente, abriu profundas divisões no país e dificultou que alcance estabilidade mais de dois anos depois do levante popular contra o líder autocrático Hosni Mubarak.

A declaração surgiu um dia depois de mandados de prisão terem sido emitidos contra o líder espiritual do grupo, Mohammed Badie, e outros nove islamitas acusados de incitar a violência depois de choques fatais - as medidas mais recentes do governo apoiado pelo Exército enquanto tenta suprimir a campanha do grupo pela volta de Morsi à presidência.

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"Continuaremos nossa resistência pacífica contra o sangrento golpe militar contra a legitimidade constitucional", disse a Irmandade. "Confiamos que a vontade pacífica e popular triunfará sobre a força e a opressão."

Essam el-Erian, vice-presidente do braço político da Irmandade, o Partido Justiça e Liberdade, ecoou o sentimento em comentários publicados no site da legenda. "A população recuperará sua liberdade e dignidade por meio de acampamentos pacíficos nas praças, manifestações e protestos", disse. "Todos os egípcios devem parar de mergulhar o país na violência e evitar cair no círculo vicioso da violência e contraviolência."

Segunda: Confrontos entre Exército e partidários de Morsi matam 54

Não está claro se os comentários constituem uma genuína mudança de tática da Irmandade para abandonar a violência em meio a alegações do Exército de que o grupo esteve por trás dos confrontos de rua que deixaram dezenas de mortos na semana passada e do dramático aumento de ataques contra as forças de segurança, especialmente na Península do Sinai, desde a deposição de Morsi.

Forças de segurança do Egito fazem guarda em frente da Universidade Islâmica Al-Azhar no Cairo (30/10). Foto: APForças de segurança do Egito e civis seguram um partidário do presidente deposto Mohammed Morsi perto da Praça Ramsis, no Cairo (7/10). Foto: APConfrontos entre apoiadores e opositores do presidente deposto do Egito, Mohamed Mursi, deixam mortos e feridos (6/10). Foto: Amr Abdallah Dalsh/ReutersPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi gritaram palavras de ordem contra o ministro da Defesa do país durante marcha (4/10). Foto: APForças de segurança do Egito protegem o corpo do General Nabil Farrag morto por militantes que abriram fogo em Kerdasa  (19/9). Foto: APPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi protestam em Nasr City, no Cairo (13/9). Foto: APExército do Egito ataca militantes islâmicos no norte do Sinai (7/9). Foto: APPessoas observam carro queimando momentos depois que um atentado à bomba atingiu o comboio do ministro do Interior do Egito, Mohammed Ibrahim (5/9). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi cobram para se proteger de gás lacrimogêneo lançado por polícia no Cairo, Egito (30/8). Foto: APManifestantes que apoiam o líder deposto Mohammed Morsi ajudam ferido perto de Praça Ramsés, no Cairo (16/8). Foto: ReutersPartidário de Mohammed Morsi se desespera enquanto amigo que foi ferido pelas forças de segurança recebe tratamento em mesquita no Cairo, Egito (16/8). Foto: NYTEgípcios velam corpos de seus parentes mortos em massacre de quarta-feira na mesquita Al-Fath, no Cairo (16/8). Foto: APCivil carregando uma arma observa movimento da rua no bairro de Zamalek no Cairo, Egito (16/8). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi gritam palavras de ordem contra Exército durante confrontos no bairro de Mohandessin, no Egito (14/8). Foto: APForças de segurança do Egito prende manifestantes durante remoção de acampamento de partidários do islamita Mohammed Morsi em Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APHomem é ferido durante confronto no Egito (27/7). Foto: APPartidários do chefe do Exército egípcio, general Abdel-Fatah el-Sissi, se manifestam em ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APHomem de joelhos agita bandeiras do Egito  em uma ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APOpositores do presidente deposto Mohammed Morsi carregam amigo ferigo em confrontos com partidários de Morsi no Cairo (23/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi queimam pôsteres com sua foto durante confrontos no Cairo, Egito (22/03). Foto: APEgípcio com uma pistola e opositores do presidente Mohammed Morsi detêm um suposto partidário de Morsi que foi ferido em confrontos no Cairo (22/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi jogam pedras em opositores de Morsi durante confrontos em uma ponte no centro do Cairo (15/7). Foto: APMembros da Irmandade Muçulmana protestam com máscaras de Morsi no Cairo, no Egito (13/7) . Foto: ReutersPartidária de Mohammed Morsi coloca faixa na cabeça (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi rezam depois da quebra do jejum durante o mês sagrado do Ramadã em Nasr City, Cairo, Egito (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi seguram seus cartazes em protesto perto da Universidade do Cairo, no Egito (12/7). Foto: APVoluntários usando coletes amarelos protegem mulheres na praça Tahrir (8/7). Foto: APEgípcio chora do lado de fora de necrotério depois de carregar o corpo de seu irmão morto perto da Guarda Republicana no Cairo (8/7). Foto: APHomem mostra camiseta ensanguentada de partidário do presidente deposto Mohammed Morsi do lado de fora de hospital no Cairo (8/7). Foto: APMédico egípcio partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em hospital em Nassr City, Cairo (8/7). Foto: APCorpo de partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em ambulância no Cairo, Egito (8/7). Foto: APHomem chora em hospital improvisado depois de soldados e policiais abrirem fogo contra partidários de líder deposto Morsi (8/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi se manifestam na Praça Tahir, no Cairo, Egito (7/7). Foto: APOponentes de Mohammed Morsi se reunem na Praça Tahir, no Cairo, no domingo (7/7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (4/7). Foto: ReutersPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: Reuters

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Os mandados de prisão contra Badie e outros atraíram uma resposta irritada da Irmandade, que disse que a "ditadura voltou" e insistiu que nunca trabalhará com o governo interino.

O paradeiro de Badie não é conhecido, mas acredita-se que muitos outros estejam abrigados em algum lugar perto de um acampamento de membros do grupo do lado de fora da Mesquita de Rabaah al-Adawiya, em um distrito a leste do Cairo que é tradicionalmente um reduto da Irmandade.

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As agências de segurança já prenderam cinco líderes da Irmandade, incluindo o poderoso vice de Badie, Khairat el-Shaiter, e fechou suas empresas de mídia.

*Com AP

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