Irmandade Muçulmana rejeita cronograma de líder interino para eleições no Egito

Por iG São Paulo |

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Ex-ministro das Finanças Beblawi é nomeado premiê, enquanto ElBaradei é indicado para ocupar cargo de vice

A Irmandade Muçulmana do Egito rejeitou um cronograma para novas eleições apresentado pelo presidente interino do país, Adly Mansour, dizendo que ele é ilegítimo. O movimento de protesto Tamarod, que liderou as manifestações que culminaram na deposição de Mohammed Morsi no dia 3, disse que não foi consultado sobre o plano e pediu para se reunir com Mansour.

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AP
Com a bandeira nacional, partidário do presidente deposto Mohammed Morsi gesticula para soldados perante o prédio da Guarda Republicana em Nasr City, Cairo, Egito (9/7)

Governo: ElBaradei deve ser nomeado vice-presidente interino do Egito

Enquanto isso, o ex-ministro das Finanças Hazem el-Beblawi foi nomeado primeiro-ministro, enquanto o líder da oposição Mohamed ElBaradei foi indicado para ocupar o cargo de vice. Não está claro se Beblawi, um economista liberal, pode conseguir o apoio para efetivamente se tornar premiê.

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A própria candidatura de ElBaradei para primeiro-ministro foi considerada no início desta semana, mas foi rejeitada pelo partido salafista linha dura Nour. Na segunda, o partido anunciou sua retirada das negociações do governo de transição depois de confrontos terem deixado 54 mortos no Cairo, incluindo três policiais, mas novas informações sugerem que o Nour voltou a participar da administração interina.

Segundo a agência Reuters, o partido disse que apoiará a nomeação de Beblawi, mas ainda estuda a indicação de ElBaradei, ex-chefe da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e Prêmio Nobel em 2005. Posteriormente, o general Abdel-Fattah el-Sissi, chefe do Exército e ministro da Defesa, disse que não aceitará "manobras" políticas, em um alerta velado ao Nour. "O futuro da nação é muito importante e sagrado por manobras ou obstáculos, quaisquer que sejam as justificativas", afirmou.

Veja as imagens da tensão no país desde a queda de Morsi:

Forças de segurança do Egito fazem guarda em frente da Universidade Islâmica Al-Azhar no Cairo (30/10). Foto: APForças de segurança do Egito e civis seguram um partidário do presidente deposto Mohammed Morsi perto da Praça Ramsis, no Cairo (7/10). Foto: APConfrontos entre apoiadores e opositores do presidente deposto do Egito, Mohamed Mursi, deixam mortos e feridos (6/10). Foto: Amr Abdallah Dalsh/ReutersPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi gritaram palavras de ordem contra o ministro da Defesa do país durante marcha (4/10). Foto: APForças de segurança do Egito protegem o corpo do General Nabil Farrag morto por militantes que abriram fogo em Kerdasa  (19/9). Foto: APPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi protestam em Nasr City, no Cairo (13/9). Foto: APExército do Egito ataca militantes islâmicos no norte do Sinai (7/9). Foto: APPessoas observam carro queimando momentos depois que um atentado à bomba atingiu o comboio do ministro do Interior do Egito, Mohammed Ibrahim (5/9). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi cobram para se proteger de gás lacrimogêneo lançado por polícia no Cairo, Egito (30/8). Foto: APManifestantes que apoiam o líder deposto Mohammed Morsi ajudam ferido perto de Praça Ramsés, no Cairo (16/8). Foto: ReutersPartidário de Mohammed Morsi se desespera enquanto amigo que foi ferido pelas forças de segurança recebe tratamento em mesquita no Cairo, Egito (16/8). Foto: NYTEgípcios velam corpos de seus parentes mortos em massacre de quarta-feira na mesquita Al-Fath, no Cairo (16/8). Foto: APCivil carregando uma arma observa movimento da rua no bairro de Zamalek no Cairo, Egito (16/8). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi gritam palavras de ordem contra Exército durante confrontos no bairro de Mohandessin, no Egito (14/8). Foto: APForças de segurança do Egito prende manifestantes durante remoção de acampamento de partidários do islamita Mohammed Morsi em Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APHomem é ferido durante confronto no Egito (27/7). Foto: APPartidários do chefe do Exército egípcio, general Abdel-Fatah el-Sissi, se manifestam em ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APHomem de joelhos agita bandeiras do Egito  em uma ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APOpositores do presidente deposto Mohammed Morsi carregam amigo ferigo em confrontos com partidários de Morsi no Cairo (23/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi queimam pôsteres com sua foto durante confrontos no Cairo, Egito (22/03). Foto: APEgípcio com uma pistola e opositores do presidente Mohammed Morsi detêm um suposto partidário de Morsi que foi ferido em confrontos no Cairo (22/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi jogam pedras em opositores de Morsi durante confrontos em uma ponte no centro do Cairo (15/7). Foto: APMembros da Irmandade Muçulmana protestam com máscaras de Morsi no Cairo, no Egito (13/7) . Foto: ReutersPartidária de Mohammed Morsi coloca faixa na cabeça (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi rezam depois da quebra do jejum durante o mês sagrado do Ramadã em Nasr City, Cairo, Egito (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi seguram seus cartazes em protesto perto da Universidade do Cairo, no Egito (12/7). Foto: APVoluntários usando coletes amarelos protegem mulheres na praça Tahrir (8/7). Foto: APEgípcio chora do lado de fora de necrotério depois de carregar o corpo de seu irmão morto perto da Guarda Republicana no Cairo (8/7). Foto: APHomem mostra camiseta ensanguentada de partidário do presidente deposto Mohammed Morsi do lado de fora de hospital no Cairo (8/7). Foto: APMédico egípcio partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em hospital em Nassr City, Cairo (8/7). Foto: APCorpo de partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em ambulância no Cairo, Egito (8/7). Foto: APHomem chora em hospital improvisado depois de soldados e policiais abrirem fogo contra partidários de líder deposto Morsi (8/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi se manifestam na Praça Tahir, no Cairo, Egito (7/7). Foto: APOponentes de Mohammed Morsi se reunem na Praça Tahir, no Cairo, no domingo (7/7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (4/7). Foto: ReutersPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: Reuters

'Massacre'

O Nour descreveu a morte de ao menos 51 manifestantes como um "massacre". A carnifica do lado de fora do prédio da Guarda Republicana na capital egípcia - onde Morsi ficou sob custódia logo depois de sua deposição - marca o dia com maior número de mortos desde o início de protestos em massa que levaram à substituição do governo democraticamente eleito por uma administração civil interina.

Violência: Choques entre Exército do Egito e partidários de Morsi matam 54

A Irmandade Muçulmana - o principal movimento islâmico do Egito, ao qual pertence Morsi - diz que seus membros foram atingidos por disparos enquanto faziam preces matinais em uma manifestação pacífica. O Exército afirma ter respondido a um ataque de atiradores.

Alerta de guerra civil: Irmandade muçulmana pede rebelião após mortes

O movimento islâmico acusa o Exército de ter realizado um golpe contra a democracia, enquanto seus oponentes alegam que Morsi manchou sua vitória eleitoral e traiu o espírito democrático da revolução da Primavera Árabe ao aumentar a presença da Irmandade no Estado e fracassar em lidar com os problemas econômicos do país.

Cronograma da transição

AP
Egípcio chora do lado de fora de necrotério depois de carregar o corpo de seu irmão morto perto do prédio da Guarda Republicana no Cairo (8/7)

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O decreto do presidente interino, emitido no fim da noite de segunda, estabelece planos para montar um painel para emendar dentro de 15 dias a Constituição de raiz islâmica que foi suspensa no dia 3. As mudanças seriam votadas em referendo - a ser organizado dentro de quatro meses -, que abriria caminho para eleições parlamentares, possivelmente no início de 2014. Após a realização de eleições legislativas, uma votação seria convocada para um novo presidente.

Essam el-Erian, vice-presidente do braço político da Irmandade, o Partido Justiça e Liberdade, disse que a declaração era um "decreto constitucional de um homem nomeado por golpistas" que "leva o país de volta ao ponto zero".

*Com BBC e AP

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