Islâmico Nour, que havia apoiado deposição de Morsi no dia 4, retira apoio a governo de transição após 'massacre'

O partido político da Irmandade Muçulmana, grupo do presidente deposto Mohammed Morsi , conclamou uma rebelião total contra o Exército do Egito após confrontos de soldados e policiais contra islamitas terem deixado dezenas de mortos e centenas de feridos nesta segunda-feira no Cairo.

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Egípcio chora do lado de fora de necrotério depois de carregar o corpo de seu irmão morto perto do prédio da Guarda Republicana no Cairo (8/7)
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Egípcio chora do lado de fora de necrotério depois de carregar o corpo de seu irmão morto perto do prédio da Guarda Republicana no Cairo (8/7)

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O chefe da Mesquita de Al-Azhar, xeque Ahmed el-Tayeb, o principal clérigo muçulmano do Egito, alertou para o risco de "guerra civil" e disse que ficaria recluso como mostra de protesto contra ambos os lados do conflito até que a violência pare. Tayed afirmou não ter "outra escolha" a não ser se isolar em casa "até que todos reconheçam sua responsabilidade para parar o banho de sangue, em vez de mergulhar o país na guerra civil".

Depois da violência da manhã desta segunda-feira, o partido linha dura salafista Nour - que havia apoiado a queda de Morsi - disse que retirava seu apoio ao plano de transição em resposta ao "massacre". A participação do Nour, segundo maior partido islâmico do Egito, seria vital para que o governo provisório tivesse um verniz de apoio islâmico.

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O líder pró-reforma Mohamed ElBaradei, que foi cotado primeiramente para o cargo de premiê e posteriormente para o de vice do governo interino, condenou a violência e pediu uma investigação, escrevendo em sua conta do Twitter que "a transição pacífica é a única maneira".

A carnifica do lado de fora do prédio da Guarda Republicana na capital egípcia - onde Morsi ficou sob custódia logo depois de sua deposição no dia 3 - marca o dia com maior número de mortos desde o início de protestos em massa que levaram à susbtituição do governo dele por uma administração civil interina .

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Mesmo antes de todos os corpos serem contados, houve relatos conflitantes sobre como a violência começou. Os partidários de Morsi disseram que os soldados atacaram seu acampamento de manifestação sem terem sido provocadas, enquanto o Exército afirmou ter sido agredido primeiramente por atiradores.

A violência certamente dividirá ainda mais a Irmandade Muçulmana, que acusa o Exército de ter realizado um golpe contra a democracia, de seus oponentes, que alegam que Morsi manchou sua vitória eleitoral e traiu o espírito democrático da revolução da Primavera Árabe ao aumentar a presença da Irmandade no Estado.

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O Exército, que depôs Morsi em meio a protestos populares em massa, agora  agora enfrenta pressões para impor rígidas medidas de segurança para evitar que o conflito saia do controle. Também terá de produzir provas convincentes para apoiar sua versão dos acontecimentos para não sofrer o que já surge com uma ofensiva de mídia da Irmandade para retratar o Exército como uma instituição brutal com pouca consideração pela vida humana ou pelos valores democráticos.

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A escalada do caos complicará ainda mais as relações do Egito com Washington e outros aliados ocidentais, que agora reavaliam suas políticas em relação ao grupo apoiado pelo Exército que forçou a saída de Morsi.

Em uma medida que provavelmente inflamará mais a situação, o Partido da Justiça e Liberdade, o braço político da Irmandade, convocou os egípcios para agir contra o Exército. O partido também pediu que a comunidade internacional parou o que descreveu como massacres no Egito, acusando o Exército de levar o país em direção à guerra civil, alertando que o país estava sob risco de se tornar uma "nova Síria".

"A única coisa que o Exército entende é a força, e eles tentam forçar a população à submissão", disse Marwan Mosaad em um hospital de campanha dirigido por partidários de Morsi.

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Os partidários de Morsi estavam havia dias acampados ao redor de uma mesquita perto do complexo da Guarda Republicana, onde Morsi ficou inicialmente detido antes de ser transferido para uma instalação não revelada do Ministério da Defesa.

Médico egípcio partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em hospital em Nassr City, Cairo (8/7)
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Médico egípcio partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em hospital em Nassr City, Cairo (8/7)

Ahmed Mohammed Ali, um porta-voz militar, disse que atiradores afiliados à Irmandade tentaram invadir o prédio antes no amanhecer, disparando munição real e lançando coquetéis molotov a partir da mesquita e dos telhados vizinhos.

A estudante universitária Mirna el-Helbawi também relatou que atiradores leais a Morsi abriram fogo primeiro, incluindo a partir do telhado de uma mesquita vizinha. El-Helbawi, 21, vive em um apartamento em que tem uma visão do local.

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Partidários de Morsi, porém, disseram que as forças de segurança dispararam contra centenas de manifestantes, incluindo mulheres e crianças, que estavam no acampamento do lado de fora do local. "Eles abriram fogo com munição real e usaram gás lacrimogêneo", disse Al-Shaimaa Younes, que estava no acampamento. "Houve pânico e as pessoas começaram a correr. Vi pessoas caírem."

Em um hospital perto da mesquita Rabaa Addawia, onde os islamitas acampam desde a deposição de Morsi, as salas estavam abarrotadas de feridos nos confrontos. Havia lençóis manchados de sangue, e equipes médicas se apressavam para atender as vítimas.

A crise deixa o mais populoso país árabe, com 84 milhões de pessoas, em uma situação delicada, com o risco de maior polarização política e agravamento da crise econômica.

*Com AP e Reuters

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